TEIA AMBIENTAL - Agroindústrias e transgênicos
Rede de Conspiradores Preservacionistas
SUSTENTABILIDADE OU TRAVESSURAS?
A proximidade com o discutível, porém, inegavelmente tradicional Dia das Bruxas, está a conduzir-me, meus caros leitores, a esse questionamento ambiental, que formulo de modo jocoso, ainda que não tenha intenção de fazer graças.
A votação expressiva e surpreendente obtida pela candidata à presidência do Brasil, Marina Silva, demonstra que o povo brasileiro está bem mais atento às questões ambientais do que julgavam políticos e autoridades.
Quem poderá desconhecer que cerca de 20 milhões de brasileiros apoiaram o discurso ambientalista da candidata, no qual ela pregava o progresso e o desenvolvimento da nação brasileira com sustentabilidade.
A história nos conta que as eleições estimulam crenças e ações que se apóiam e se promovem no momento político de discussões e acusações, mas que não são sustentadas nos períodos seguintes.
O povo brasileiro não pode deixar que isso volte a acontecer. O eleitor que apoiou o discurso da Marina, na defesa do desenvolvimento sustentável, não pode voltar à sua rotina diária, como se nada de novo houvesse acontecido, como se aquela opção, na cabine diante da urna eletrônica, fosse mera obrigação constitucional.
A destruição de nossas florestas continua, e irá continuar, com qualquer presidente eleito, pois o poder das grandes empresas é maior do que um simples voto popular. O voto, apenas o voto, é pouco, muito pouco. E menos ainda, por Marina não ter sido eleita.
Os agronegócios são responsáveis por imensas fortunas, e não menores destruições de reservas ambientais. Com a falsa alegação de que são responsáveis por matar a fome dos povos pobres, essas empresas invadem qualquer santuário ecológico, e de lá retiram tudo que lhes possa resultar em lucros, por mais absurdos e abusivos que possam ser os efeitos destrutivos dessas ações.
Creiam-me, ingênuos leitores, que essas mega empresas só estão preocupadas em ganhar mais, à custa do sacrifício de quem se atravessar nos seus caminhos. Os povos pobres continuarão famintos e morrendo a mínguas, enquanto poderosas organizações de alimentos faturam verdadeiras fortunas, enquanto destroem a natureza.
Eu não sou louco a ponto de desconhecer a necessidade de se produzir cada vez mais alimentos para satisfazer o consumo de nossas populações urbanas que crescem a cada ano. O crescimento das populações urbanas está entregando os ambientes rurais à exploração das monoculturas, acabando com as pequenas fazendas e com as agriculturas familiares.
Tolos são os que acreditam nesses movimentos de assentamento de famílias no campo, como soluções para alimentar os mais pobres ou proporcionar um pedaço de terra ao pequeno agricultor. Alguns, desatentos ou desavisados, dirão que vêm crescendo as áreas ocupadas por essas agriculturas familiares. Ledo engano, meu crédulo leitor, o número dessas famílias que parece crescer, dedicadas ao cultivo dos seus produtos de consumo, são aquelas que venderão suas terras, dentro em breve, para organizações poderosas que precisarão expandir seus agronegócios.
Com uns trocados no bolso, esses pequenos agricultores, seguirão a caminho dos centros urbanos para gastar o que receberam, e se tornarem, dentro em breve, um novo problema social para o Estado.
Há uns anos atrás, vi uma reportagem que falava da volta às suas terras, de aldeões portugueses, que eram financiados pelo governo, para que abandonassem as grandes cidades e voltassem aos campos. Muitos protestavam, julgando um absurdo ter de pagar para que os antigos lavradores fizessem o movimento inverso, retornando aos antigos lares, suas pequenas fazendas, mesmo que não voltassem ao cultivo.
A teoria pode parecer errada, mas é uma prática que precisará, daqui a pouco tempo, ser pensada e adotada por muitos países, cujos grandes centros urbanos estão superlotados, e os campos repassados a preços vis para os grandes latifundiários, da agroindústria e da pecuária, ou, em algumas áreas, simplesmente
abandonadas.
Aquele leitor menos informado perguntaria sobre o mal que pode haver, no fato de uma grande área de terra ser cultivada por uma empresa internacional, que abastecerá o mercado brasileiro e estrangeiro.
Acontece que essas empresas praticam a danosa e criminosa monocultura, que exaure a terra e favorece o surgimento das pragas. Insensível ao meio-ambiente, essas empresas aplicam pesticidas no combate às pragas, que poluem córregos e regatos, provocando doenças e expulsando famílias que ocupam regiões ribeirinhas.
A monocultura da soja, do milho, da batata, ou lá do que for, exige o uso de fertilizantes e adubos químicos, e o pior de tudo, pesticidas para combater as pragas. Pragas essas que somente se desenvolvem e se fortalecem graças à monocultura. Uma coisa leva à outra, e todas, por estranha coincidência, levam para as indústrias de insumos agrícolas, as grandes produtoras de herbicidas e produtos que se tornam indispensáveis às grandes plantações de um produto só.
Diante dessas despesas enormes com esses produtos químicos, maléficos à natureza e ao corpo humano, surge mais uma arma contra a vida, e favorável ao enriquecimento das grandes indústrias – os transgênicos.
A desculpa das empresas que promovem as sementes transgênicas é que os produtos necessitam de menos adubos e muito menos pesticidas. Mas, esse menos só era mais, por causa delas próprias, que executam uma agricultura predatória, visando somente lucros, e pouco se importando com a saúde humana.
A grande sacada dos transgênicos, meus caros leitores, é que os produtos não dão sementes. A cada plantio, o agricultor terá de comprar novas sementes, que só poderão ser produzidas pelas do
nas das patentes.
O risco fica por conta de serem sementes modificadas, através da mistura de DNA de diversas origens, inclusive de produtos animais. Os efeitos danosos à saúde humana têm sido escondidos ou disfarçados, por meio de desmentidos, a cada nova conclusão de análises em laboratórios.
O fato de gerarem uma nova cadeia, alheia à origem natural, essas sementes transgênicas cortam o elo com as antigas genéticas e afastam a humanidade de suas fontes primordiais, impossibilitando de se voltar a elas. Assim, fica-se nas mãos dos produtores transgênicos, e não se produz mais nada sem antes adquirir novas sementes, que são de direitos exclusivos de algumas poucas empresas no mundo.
Existem ainda duas questões a serem analisadas, uma econômica e outra da área de saúde.
A econômica é que, essas espécies transgênicas vão contaminando as demais, e transformando as plantações naturais em lavouras transgênicas. E, quando isso acontece, as empresas donas das patentes entram na justiça para cobrar o direito de uso, do pobre lavrador que teve a sua lavoura contaminada pelo contágio com as lavouras vizinhas. 
A questão de saúde é que há muitas suspeitas e confirmações não divulgadas dos males que esses produtos transgênicos poderão acarretar, por conta das misturas de outros genes ao gene original.
O nosso papel, eleitor de Marina Silva, é trabalhar pelo progresso do nosso país, porém de modo ecologicamente correto, promovendo um desenvolvimento sustentável e seguro. Cabe-nos o dever, como cidadãos, de não permitir que essas empresas imponham impunemente as suas vontades e interesses comerciais, acima dos interesses da nação brasileira.
Deveremos estar preparados para contra-argumentar, quando essas empresas vierem fazendo-se de vítimas ou de parceiras do nosso governo, no combate à fome. Não é verdade que os produtos transgênicos tragam a solução para a fome no mundo, e nem é com isto que elas estão preocupadas.
As sementes transgênicas são um crime de lesa-terra contra os verdadeiros agricultores, que plantam para oferecer produtos saudáveis e sem agrotóxicos. Os agronegócios são lesivos aos interesses da população, mesmo que, à primeira vista, possam parecer solução para o combate à fome.
Peço-lhes, conscientes leitores, que quando forem às compras, digam NÃO ao transgênico.
Confiram as embalagens, e se neguem a levar para o consumo das suas famílias, aqueles produtos que tenham um T dentro de um triângulo, pois eles são produzidos com produtos transgênicos. E atenção especial para os produtos de soja, especialmente o óleo de soja.
Se nós fomos capazes de dar 20 milhões de votos a uma candidata que durante a sua campanha pregou a sustentabilidade, também poderemos ser capazes de manter a nossa mobilização durante os próximos quatro anos de governo, sem ficar esperando uma nova campanha eleitoral.















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