terça-feira, 7 de dezembro de 2010

FOGO! OU MATO OU MORRO

TEIA AMBIENTAL - Incêndios Florestais
Rede de Conspiradores Preservacionistas


Meus conscientes e fiéis leitores, eu vos confesso que chego a esta última postagem ambiental do ano, um pouco mais cansado do que deveria, ou gostaria de estar. Acontece que são poucos, muito poucos, a carregar nas costas a responsabilidade de manter a vida na Terra.
Existem certos momentos que me sinto como se tivesse de tomar conta de um bando de suicidas. Uma pequena distração, e lá está um deles querendo atirar-se de cima da ponte. Salvo este, e mal tenho tempo de salvar outro, prestes a se atirar na linha do trem. E assim, nesse corre-corre, alguns são salvos, mas não todos.
Os que se perdem deixam-nos o consolo de que ainda resta esperança para os que ficaram. Creio que melhor seria dizer, consolo para mim que estou mais do que ninguém precisando de um fio de esperança para prosseguir na luta.
Liga-se a televisão e se vê florestas sendo consumidas por incêndios que parecem querer devorar tudo à sua volta. Acessa-se a internet, e lá vem notícia de incêndios que matam e que acabam com a vida animal numa vasta extensão de terra.
Há pouco tempo, um incêndio dizimou uma grande concentração de árvores na serra da Mantiqueira, na altura de Itatiaia. O responsável foi um pobre coitado que se desculpou, pois ele só estava limpando o pasto. O que fazer com uma criatura dessas?
Agora, acabo de saber que um incêndio gigantesco devastava tudo à sua frente, em Israel. E lá estava a responsável pelo fogo, uma mulher que, sabe-se lá, porque motivo resolveu acender um foguinho num local impróprio.
A humanidade não agüenta mais, tantas desculpas e tamanhas irresponsabilidades. Os ignorantes e pobres coitados lavradores ainda acreditam que queimar o pasto é o caminho mais rápido para preparar a terra para o plantio. Os pecuaristas, homens com dinheiro e sem coração, devastam o que encontram no caminho de suas criações, botando fogo em florestas e destruindo reservas ambientais sem dó, nem piedade.
As leis punem os ricos com multas irrisórias, que eles preferem pagar e prosseguir queimando tudo, por representar um custo muito menor do que contratar máquinas para limpar os terrenos.
Confesso-vos, meus caros leitores, que eu já nem estou questionando essas práticas nocivas e criminosas de criar animais para serem sacrificados e terem seus cadáveres nas mesas dos homens, para saciarem seus ímpetos de carne e sangue.
A minha cansativa ladainha, que se repete a cada ano, é para que não se permita a limpeza de pastos e de campos agrícolas, mediante a queima do capim. O clima seco da época em que todos resolvem fazer a sua limpeza, encarrega-se de transformar uma fogueirinha num incêndio de grandes proporções, acabando com mais uma área de florestas.
Na Califórnia, os incêndios ameaçam as casas dos ricos, mas quem senão o homem tem culpa dessas queimadas! Depois da terra em cinzas, não adianta chorar a mansão torrada, nem a nascente destruída. As florestas estão diminuindo, enquanto os incêndios não param de crescer.
As autoridades ameaçam com leis, mas não parecem ter muita convicção de que um incêndio aqui e outro ali seja tão prejudicial assim. Na prática, criam-se leis, na teoria acredita-se que a situação foi resolvida. E, a cada ano, são menos florestas, e mais pastos.
Muitos fingem acreditar que por uma estranha coincidência, o incêndio destruiu uma floresta exatamente na terra de um pecuarista que estava doido para espalhar o gado no meio da Reserva. Queimada a floresta, nada mais impede o dono da terra de nela espalhar o seu gado. E ano que vem tem mais.
Esses pretensos cidadãos ou empresários do caos ainda acreditam que o que é bom para eles, é bom para a nação. E defendem o seu direito de destruir florestas e incendiar as matas na forma da Lei, através de seus representantes no Congresso.
Eles e seus deputados não passam de incendiários, que destroem Reservas Ambientais por conta da ganância que alimenta os seus ideais de lucro a qualquer preço.
Eu realmente cansei de ficar repetindo este lengalenga todo dia 7, e abrir a página dos noticiários e encontrar discursos de empresários defendendo a ocupação de extensas áreas da Amazônia, por conta de crescimentos econômicos e progressos industriais.
Quando não é o agricultor é o pecuarista. E quando não é um nem outro, vem o Governo com uma nova usina hidrelétrica que precisará acabar com não sei quantos acres de florestas e desviar quilômetros e mais quilômetros de rio.
Cansei sim, mas não desisto de lavrar o meu protesto. Que pelo menos um dia no mês, alguém leia o meu edital de condenação desses piro-maníacos, que querem mesmo é ver o circo pegar fogo. E nesse incêndio circense, o ambientalista faz sempre o papel do palhaço.
Por esse ano, chega de falar de coisas ruins na escala ambiental. A Amazônia foi menos atacada durante o ano de 2010, do que vinha acontecendo nos últimos 15 ou 20 anos. E nem importa o período correto, pois em questões ambientais comemoram-se meses, dias e horas.
Deixo-vos na certeza de que a Teia Ambiental fez a sua parte durante o ano de 2010. Somos poucos, mas somos fiéis aos nossos ideais preservacionistas. E, tu que estás calado e pensativo, meu indeciso leitor, quando virás incorporar-te ao nosso grupo?


terça-feira, 30 de novembro de 2010

DESVELANDO MISTÉRIOS DA VIDA APÓS A MORTE


Meus fiéis leitores, eu vos confesso que tenho andado preocupado com o futuro da humanidade. As pessoas estão tornando-se religiosas, porque está na moda, mas estão perdendo a espiritualidade. Elas seguem a linha do Tomé, só acreditam se puderem ver, todas querem ver para crer.

A espiritualidade tem muito a revelar, mas não pode relatar a verdade a quem não crê. Crer é o passaporte para os mundos ocultos, e quem não crê não poderá ter acesso aos mistérios da vida depois da morte.

Se não me deres crédito, meu caro leitor, tu não deverás prosseguir a leitura. Os fatos que irei relatar não poderão ser comprovados fisicamente, impedindo-te de ver tudo que irei revelar.

A ti que me visitas com uma certa constância, não estarei surpreendo-te ao afirmar que, a cada vida, a alma entra e sai do corpo físico, em sucessivas reencarnações. Depois de uma série de idas e vindas, todo aquele que atingiu um determinado grau de evolução deixa de encarnar num corpo físico e passa a viver num corpo sutil e num outro plano dimensional.

Nada de céu e de inferno, meu devoto leitor! Estou a falar dos mundos subterrâneos, que são três, e que serão ocupados de acordo com o nível de evolução de cada alma. Badagas, Duat e Agartha são mundos, ao mesmo tempo, físicos e hiper-físicos.

Badagas, em certas ocasiões, se confunde com a superfície do planeta, por estar num grau de vibração intermediário entre a matéria concreta e o mundo abstrato. Algumas localidades sofrem a influência desse fluxo energético à flor da terra, criando em nosso subconsciente uma sensação de beleza e encantamento que os olhos físicos não conseguem identificar. Por esse motivo, diz-se de um lugar que ele é muito belo e encantador, mas não se sabe explicar a razão.

Vivem em Badagas aquelas almas mais próximas dos hábitos e rotinas do plano físico, num mundo semelhante ao nosso, com suas rotinas e deveres. Esses seres podem entrar em contato conosco, e quase sempre o fazem por meio de diálogos mentais, em que nossas mentes captam as suas palavras e as imagens que eles transmitem.

O mundo de Badagas, por estar muito próximo ao plano físico, provoca fenômenos difíceis de serem explicados ou aceitos, como ocorre na região do Triângulo das Bermudas. Existem pontos que por serem focos de irradiação energética com um diferenciado poder vibratório servem para a construção de Templos e Sedes de Fraternidades Sagradas, Pirâmides, Obeliscos e Menires.

Diversas dessas construções são erguidas por ordem do Governo Oculto do Mundo com o objetivo de equilibrar a circulação bioenergética do planeta. Estas edificações funcionam como agulhas de acupuntura e antenas de captação da energia cósmica FOHAT e da energia telúrica KUNDALINI.

No mundo de Badagas, existem embocaduras que dão acesso a cavernas subterrâneas de enormes dimensões, onde habitam milhares de pessoas que ignoram a existência de vida na superfície do planeta. Esses locais estão localizados em regiões de difícil acesso, como vales, montanhas e florestas. Andes, Alpes, Himalaia, Amazônia e Sintra são alguns desses locais secretos, onde existem acessos a esses mundos subterrâneos.

Eu sei que é difícil acreditar nessas verdades ocultas, mas as nossas mentes ainda são muito despreparadas para processar certas informações que relacionam a nossa vida de superfície com esses mundos subterrâneos.

A diferença que existe entre as populações de um plano e de outro é que, na superfície o nosso corpo é formado por matéria densa, enquanto no interior da Terra, por matéria mais sutil. As conexões entre os dois mundos são feitas mentalmente, e como acontece entre nós, por criaturas que possuam dons mediúnicos e percepções psíquicas.

Esses locais, onde os mundos subterrâneos se confundem com a superfície da Terra, são envoltos por campos vibratórios protetores de alta freqüência, que os tornam invisíveis aos olhos humanos e aos aparelhos mais modernos como radares e telescópios. Estes campos vibratórios são usados não apenas para encobrir regiões, mas também para dar invisibilidade aos corpos energéticos dos seres desses mundos, quando eles fazem incursões à superfície.

Meus atentos leitores, eu vos recomendo a não mais olhar para o alto, quando fordes orar por um ser amado que já partiu do plano físico, mas a dirigir vossos pensamentos e sentimentos para o coração da Mãe-Terra. Nesses mundos subterrâneos, encontram-se as almas em todas as escalas de evolução, inclusive seres de outros planetas e sistemas solares.

Existem os bons e os maus, se podemos assim chamá-los. Almas más são responsáveis por diversos fenômenos de desaparecimentos ou violências contra criaturas humanas, e que permanecem sem explicação por ocorrerem fora do alcance dos nossos olhos físicos.

As almas boas se constituem em auxiliares anônimos, que agem em situações de grande risco, na tentativa de salvar vidas. Incêndios, naufrágios, quedas de aviões, guerras, desastres de automóveis, afogamentos e doenças incuráveis servem de estímulos para o aparecimento desses seres invisíveis, que salvam muitas vidas e são os maiores responsáveis por muitos dos chamados milagres.

Esses seres de luz estão espalhados por muitos lugares milagrosos operando curas e dando uma nova consciência espiritual a muitos que se sentem perdidos a vagar por esse mundo sem destino. As cidades de Fátima, Lourdes, Aparecida do Norte e santuários como Meca, Santiago de Compostela e Tibete são verdadeiros pontos de concentração desses espíritos evoluídos, que são reconhecidos pelas religiões por diversos nomes como anjos, devas, adeptos, espíritos de cura e santos.

Acredito que, os meus leitores já perceberam que estou falando das almas que desencarnaram e que por seus elevados padrões de evolução passaram a atuar num corpo sutil, de modo invisível, ajudando os seus irmãos menores a vencer os seus desafios nesta vida.

Essas almas evoluídas, ao abandonar o corpo físico, não vão para os mundos astrais, onde estão as almas que aguardam o momento de reencarnar na Terra, nem para os mundos intermediários de Badagas, mas para o mundo de Duat, cujo padrão vibratório é muito mais intenso do que todos os demais, apesar de oferecer uma forma de vida semelhante às anteriores.

Em Duat, as almas em seus invólucros de matéria altamente sutilizada também vivem uma vida muito semelhante à nossa no plano físico. Esses seres sutis se alimentam, procriam, trabalham, estudam, pesquisam e até contraem karmas. A diferença é que em Duat os seres são andróginos, mas usam corpos, ou masculinos, ou femininos.

No mundo de Duat, existem laboratórios, bibliotecas e museus com altos níveis de conhecimentos e contendo informações completas de tudo que já foi criado pelo homem na superfície do planeta.

Duat funciona como uma perfeita Universidade Espiritual, onde se pode aprender toda a história da raça humana através dos tempos. Com esse estudo, a alma poderá voltar mais bem preparada para realizar suas missões voltadas para a evolução da humanidade. É em Duat que muitos conhecimentos serão aperfeiçoados e muitas pesquisas serão aprofundadas, preparando certas almas para o exercício de funções de grande alcance na liderança de grupos ou na função de mestres instrutores.

Se o mundo de Duat é feito de luz condensada, o mundo de Agartha é feito de luz sutilizada, pela permanente transmutação da luz do Sol Central da Terra, conhecido esotericamente como Shamballah.

Em Agartha, vivem os Reis Divinos e toda a sua Corte Espiritual, sob a liderança do Grande Sanat Kumara, o Senhor Venusiano que há cerca de 18 milhões de anos chegou a este nosso planeta Terra para trazer a semente da evolução.

Esta é a verdadeira história da Hierarquia Planetária que habita o planeta Terra, e da qual cada um de nós faz parte. O GRANDE MISTÉRIO DE MELQUISEDEC é a inspiração que conduz os aprendizes, os discípulos e os adeptos dos Grandes Iniciados, em suas eternas peregrinações iniciáticas.

A morte é a grande ilusão, a vida, a eterna realização. Vida após vida, as almas evoluem e vão ascendendo planos diferenciados, num progresso espiritual sem fim.

Céu e inferno somente existem para os que crêem neles. O astral é o céu e o inferno de cada um, ou até o purgatório, para os que se julgam entre um extremo e outro. Às almas mais evoluídas, planos mais evoluídos, aos espíritos mais sábios, missões de mestre instrutor da sabedoria oculta.

O aprendiz é um postulante que se põe a caminhar numa peregrinação que tem início, mas jamais terá fim. A morte não é uma interrupção na vida do postulante, porque ele estudará enquanto aguarda uma nova encarnação.

O adepto é uma alma mais evoluída que presta serviço ao Mestre do Seu Raio, tornando-se o intermediário entre o Mestre e os seus discípulos, enquanto o discípulo não atinge um grau de evolução que possa ser atendido diretamente pelo Mestre.

Os segredos foram desvelados, porque não é mais tempo de esconder as verdades sagradas. Os Mistérios continuam e continuarão ocultos, pois somente os Mestres poderão revelá-los aos seus Discípulos, numa revelação de boca a ouvido, a cada ritual de Iniciação.

Amigos leitores, vós não deveis ficar à espera do inesperado, iniciai já vossas peregrinações, pois os seres de luz estão espalhados por esse mundo aguardando vossas passagens pelos locais sagrados. E crede que a verdade não está fora, mas no fundo de vossas almas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O PAI - ARQUÉTIPOS E MITOS


Meus leitores homens, eu vos trago mensagens que muitos jamais ouviram ou nunca se deram conta do que elas possam representar em seus comportamentos ao exercerem a função de pai. E a vós, minhas leitoras, eu vos peço um pouco de paciência, para esse tema, aparentemente masculino, mas que poderá abrir vossos olhos para uma nova relação com vossos maridos. Estava a ler um livro do casal Arthur e Libby Colman, intitulado “O Pai – Mitologia e Reinterpretação dos Arquétipos”, quando tomei consciência do valor das pesquisas do casal sobre os comportamentos masculinos, no exercício da sua condição paternal. Decidi trazer-vos ao conhecimento, especialmente daqueles pais ingênuos, displicentes, esforçados e até bem intencionados, as conclusões dos dois psicólogos sobre as posturas do homem diante do nascimento de um filho. Se tu te sentires bem resolvido num dos perfis, ainda assim, meu consciente leitor, procura acompanhar os resultados do estudo, pois cada etapa da pesquisa haverá de servir de subsídio para tuas futuras incursões em qualquer das definições que tu te enquadrares.

Depois de estudarem os mitos e os arquétipos, que estão p
resentes na mitologia, nos estudos antropológicos e na literatura de diversas culturas, o casal chegou a um conceito da existência de duas modalidades comportamentais básicas no modo dos pais lidarem com os filhos: a parentagem-céu e a parentagem-terra. A forma tradicional de pais e mães se comportar, nos leva a enxergar no pai, a condição de pai-céu, e na mãe, de mãe-terra. Nada impede que situações inversas possam ser encontradas, com a mãe ocupando a condição de mãe-céu e o pai, de pai-terra. Mas, isto não é um fato comum. O genitor-céu, não importa se macho ou fêmea, cuida da provisão e da proteção da família, enquanto o genitor-terra se ocupa das funções domésticas, em contato mais direto com a educação dos filhos. Na nossa sociedade, ao pai costuma caber a função céu e à mãe, a função terra. A essas duas condições básicas de paternagem, os autores do estudo acrescentaram mais três outras: o pai-criador, o pai-real e os pais-diádicos. Essas cinco imagens de paternagem não devem ser vistas como formas padrões para os pais se relacionarem com os seus filhos, mas como oportunidades de reflexões para os pais decidirem como pretendem manter suas relações paternais com os filhos e como dividi-las com as funções maternais. Essas reflexões deverão levar o homem e a mulher a escolher o modelo de parentagem que deseja praticar. O homem que preferir atividades solitárias se sentirá mais próximo da imagem do pai-céu, e deixará para a mulher a função de mãe-terra, o que é mais comum. Diante desta opção, a mulher assume a educação e a disciplina dos filhos, ficando o pai meio que à distância, interferindo apenas quando as atitudes dos filhos fogem aos seus padrões ideais de comportamento. Essas interferências costumam ocorrer somente após a mediação da mãe junto aos filhos, quando ela coloca a imagem do pai numa posição superior, quase inatingível. Daí o uso da imagem de pai-céu, em que o pai se eleva acima da sua condição humana, e assume um aspecto quase divino. Quem nunca ouviu a famosa recomendação materna, “recolhe tudo que o seu pai já vai chegar”! Com isso, ficava bem caracterizada a condição sobre-humana do pai, um ser inatingível e quase endeusado, cuja presença em casa merecia o sagrado respeito da mulher e dos filhos. Essa imagem, ainda que menos comum, ainda é a que prevalece na maioria das famílias, apesar do que muitos julgam em contrário. Ah, meus caros leitores, a criatura humana encontra muitos subterfúgios para encobrir o que não lhe agrada ou o que não quer que os outros venham a descobrir! As mulheres são artífices perfeitas, na arte de disfarces e fantasias. As máscaras encobrem as suas faces contrariadas e as mansas palavras disfarçam as suas irritantes contrariedades. Os homens, ultimamente, não têm assumido de forma muito adequada essa imagem de pai-céu, talvez por não se sentirem à vontade com essa adoração que eles sabem não serem merecedores. No tempo dos nossos avôs não havia a consciência de liberdade da mulher que existe no mundo de hoje, e com isso eles aceitavam com mais naturalidade e absoluta convicção essa imagem de senhor supremo da família. Eles se viam não apenas como pai-céu, mas também como “marido-céu”, diante da “esposa-terra”. Atualmente, começam a ser encontrados os pais-terra, que se ocupam de cuidar da casa e dos filhos, enquanto suas mulheres, mais valorizadas pelo mercado de trabalho, assumem a função de mães-céu. Essa escolha é por demais não-convencional para a figura do homem, mas é perfeitamente possível. Os meus leitores mais tradicionais devem estar pensando que lugar de mulher é em casa, e que, principalmente, o do homem não é escondido por trás de uma mulher executiva, que se ocupa das despesas do casal, enquanto ele assume o papel de dono de casa.

Mas, os tempos mudar
am e a nossa mentalidade precisa adaptar-se aos novos hábitos, que são resultados das justas conquistas femininas por igualdade de tratamento perante as leis. Existem casais, poucos ainda, é verdade, em que é o homem que fica em casa, cuidando dos filhos, e a mulher é quem sai para trabalhar. O pai-céu, em tais circunstâncias, desce das nuvens, e passa ocupar o seu lugar na terra, como pai-terra. Calma, meus tradicionais leitores, eu não estou defendendo nem uma nem outra imagem, restrinjo-me a relatá-las, como foram encontradas na pesquisa publicada no livro que mencionei lá nas primeiras linhas. E como esclarecem os autores, que cada um se enquadre no perfil que melhor lhe agrade. Mas, é preciso também que se diga que um pai-terra não precisa chegar a esse ponto de abstração do mercado de trabalho exterior para assumir o mercado de trabalho interior, do qual a mulher costuma queixar-se tanto, por se sentir prisioneira ou mesmo escrava das rotinas do lar.

Um pai-terra mais tradicional desejará não só manter a esposa e os filhos, mas também se engajar numa relação direta c
om os filhos, sem que haja uma mediação permanente da mãe. Os homens trazem em si um potencial para se envolver em funções-terra criativas, mas essa potencialidade pode ter sido suprimida dentro do seu processo de educação machista em que ele veio a aprender a ser “homem”. Esse pai-terra comedido e equilibrado nas suas funções de nutridor e educador, trabalhador e curador, haverá de querer interagir com a família, que se tornará o seu foco principal de atenção e interesse. Entre o compromisso profissional e o cuidado com a família e os filhos, ele não vacila, para tudo que esteja fazendo e sai correndo para casa. Ele acompanhará a mulher na visita ao médico, para consultar um filho doente. O pai-terra comedido e de bom senso não precisará estar sempre em casa, mas deverá estar preparado para retornar a ela a qualquer momento, diante da necessidade da sua presença, pois, para ele, nada será mais importante do que os cuidados com a família. Existem muitos pais que chegam a suas casas depois do trabalho e brincam com os filhos e os põem na cama, contam uma história, beijam-nos e apagam a luz quando adormecem. Eles se sentem íntimos e valiosos em seus relacionamentos com os filhos, mas não são pais-terra, podendo ser considerados pais-céu envolvidos amorosamente com seus filhos, mas as suas principais atenções e atividades estão voltadas para fora de casa, e em especial para o trabalho. Os pais-terra nunca são exaltados como heróis, por estarem sempre presentes, o que será considerado “normal”. Os pais-céu mais engajados, pelo contrário, a cada esforço que fazem para dar um pouco mais do seu tempo aos filhos, costumam receber comentários elogiosos e aprovação da família. Apesar de ser mais dedicado e envolvido com a educação e o futuro dos filhos, o pai-terra é o menos valorizado na sociedade, por estar distante dos valores e das ambições que são ensinados aos meninos para que venham a se tornar homens ricos e famosos. O pai-terra abre mão dessa aura de heroísmo, não assumindo o papel de disciplinador ou de exemplo das virtudes exaltadas pela sociedade consumista, preferindo assumir a tarefa de passar confiança para os filhos e proporcionar-lhes segurança em busca de independência e de uma identidade própria. Esta atividade tem sido exercida, quase que exclusivamente pelas mulheres, durante as múltiplas últimas gerações. Entre o céu e a terra, existem ainda outros arquétipos de parentagem, os pais criadores, reais e diádicos. Esses ocupam posições menos extremas, mas nem por isso menos importantes, entre os mitos arquetipais.


O pai-criador é aquele que, na sua condição de criador da prole, confun
de o seu papel com o de construtor de estruturas físicas e sociais, de modo que o seu impulso masculino de gerar filhos acaba por levá-lo, num movimento paradoxal, para longe da família e muito distante das experiências relacionadas à mulher e aos filhos. Ele se considera poderoso, não somente pelo poder de gerar vida, mas por sua condição de criador do mundo, e se alça aos céus como se fosse, não apenas o pai dos seus filhos, mas o grande Criador da Vida e o Senhor do Universo.

O pai-criador acaba afastando-se da família, na qual ela reconhece a sua afinidade, muito mais em função da sua relação física geradora através do contato sexual com a mãe dos seus filhos, do que pela consciência plena do seu papel de provedor e protetor. E nesse mito, nem se discute a ausência dos atos de afeto e dedicação à educação dos filhos. O pai-real é aquele que pretende assumir tanto as funções-céu como as funções-terra. Ele deseja ser, ao mesmo tempo, o que cuida das relações externas e internas da família, sem dar poder, nem espaço à mulher. O patriarca tradicional é o melhor exemplo do pai-real. O amor que ele dedica aos filhos alterna o autoritarismo e o protecionismo, transmitindo aos filhos um sentimento mais de medo do que de amor. O pai-real poderá dar permissão à mulher, mãe dos seus filhos, a realizar muitas das funções-terra, mas não lhe dá nenhuma autoridade sobre a vida dos filhos, nem sobre sua própria vida. O pai-real é a lei, e a mulher não possui força alguma – podendo mesmo ser apenas uma dentre várias outras mulheres que ele trata como esposas.


O pai diádico possui a essência do pai real, genitor-céu e genitor-terra, com a grande diferença de querer dividir o poder com uma parceira, que também assume a condição de genitora-real. Os genitores diádicos preferem trabalhar juntos, sem, porém, desprezar suas atividades individuais. Eles contrariam a tendência da sociedade de manter claros e distintos os papéis masculinos e femininos, tanto na família, como na sociedade.
Eles terão de resistir às pressões que tentarão a todo custo impor-lhes as divisões tradicionais, separando o trabalho de homem do trabalho de mulher.
As pessoas têm dificuldades de entender que macho e fêmea, assim como céu e terra, são simples polaridades que não devem ser encaradas como forças em oposição. O pai-diádico deve ser visto tanto como nutridor e provedor, como protetor e educador, mantendo uma relação harmônica com a parceira, com quem dividirá todos os deveres do céu e da terra.

Agora, meus atentos leitores, que já sabem dos arquétipos que se estendem através dos tempos, podem identificar-se com um ou com mais de um deles, ou, se acharem mais conveniente, mudar seu m
odo de agir, assumindo uma nova paternagem.

Espero ter-vos ajudado a despertar vossas consciências, com a ajuda do casal de psicólogos Arthur e Libby Colman, que escreveu o livro O Pai – Mitologia e Reinterpretação dos Arquétipos.

domingo, 7 de novembro de 2010

SUSTENTABILIDADE OU TRAVESSURAS?



TEIA AMBIENTAL - Agroindústrias e transgênicos
Rede de Conspiradores Preservacionistas



SUSTENTABILIDADE OU TRAVESSURAS?

A proximidade com o discutível, porém, inegavelmente tradicional Dia das Bruxas, está a conduzir-me, meus caros leitores, a esse questionamento ambiental, que formulo de modo jocoso, ainda que não tenha intenção de fazer graças.

A votação expressiva e surpreendente obtida pela candidata à presidência do Brasil, Marina Silva, demonstra que o povo brasileiro está bem mais atento às questões ambientais do que julgavam políticos e autoridades.

Quem poderá desconhecer que cerca de 20 milhões de brasileiros apoiaram o discurso ambientalista da candidata, no qual ela pregava o progresso e o desenvolvimento da nação brasileira com sustentabilidade.

A história nos conta que as eleições estimulam crenças e ações que se apóiam e se promovem no momento político de discussões e acusações, mas que não são sustentadas nos períodos seguintes.

O povo brasileiro não pode deixar que isso volte a acontecer. O eleitor que apoiou o discurso da Marina, na defesa do desenvolvimento sustentável, não pode voltar à sua rotina diária, como se nada de novo houvesse acontecido, como se aquela opção, na cabine diante da urna eletrônica, fosse mera obrigação constitucional.

A destruição de nossas florestas continua, e irá continuar, com qualquer presidente eleito, pois o poder das grandes empresas é maior do que um simples voto popular. O voto, apenas o voto, é pouco, muito pouco. E menos ainda, por Marina não ter sido eleita.

Os agronegócios são responsáveis por imensas fortunas, e não menores destruições de reservas ambientais. Com a falsa alegação de que são responsáveis por matar a fome dos povos pobres, essas empresas invadem qualquer santuário ecológico, e de lá retiram tudo que lhes possa resultar em lucros, por mais absurdos e abusivos que possam ser os efeitos destrutivos dessas ações.

Creiam-me, ingênuos leitores, que essas mega empresas só estão preocupadas em ganhar mais, à custa do sacrifício de quem se atravessar nos seus caminhos. Os povos pobres continuarão famintos e morrendo a mínguas, enquanto poderosas organizações de alimentos faturam verdadeiras fortunas, enquanto destroem a natureza.


Eu não sou louco a ponto de desconhecer a necessidade de se produzir cada vez mais alimentos para satisfazer o consumo de nossas populações urbanas que crescem a cada ano. O crescimento das populações urbanas está entregando os ambientes rurais à exploração das monoculturas, acabando com as pequenas fazendas e com as agriculturas familiares.



Tolos são os que acreditam nesses movimentos de assentamento de famílias no campo, como soluções para alimentar os mais pobres ou proporcionar um pedaço de terra ao pequeno agricultor. Alguns, desatentos ou desavisados, dirão que vêm crescendo as áreas ocupadas por essas agriculturas familiares. Ledo engano, meu crédulo leitor, o número dessas famílias que parece crescer, dedicadas ao cultivo dos seus produtos de consumo, são aquelas que venderão suas terras, dentro em breve, para organizações poderosas que precisarão expandir seus agronegócios.

Com uns trocados no bolso, esses pequenos agricultores, seguirão a caminho dos centros urbanos para gastar o que receberam, e se tornarem, dentro em breve, um novo problema social para o Estado.

Há uns anos atrás, vi uma reportagem que falava da volta às suas terras, de aldeões portugueses, que eram financiados pelo governo, para que abandonassem as grandes cidades e voltassem aos campos. Muitos protestavam, julgando um absurdo ter de pagar para que os antigos lavradores fizessem o movimento inverso, retornando aos antigos lares, suas pequenas fazendas, mesmo que não voltassem ao cultivo.

A teoria pode parecer errada, mas é uma prática que precisará, daqui a pouco tempo, ser pensada e adotada por muitos países, cujos grandes centros urbanos estão superlotados, e os campos repassados a preços vis para os grandes latifundiários, da agroindústria e da pecuária, ou, em algumas áreas, simplesmente abandonadas.

Aquele leitor menos informado perguntaria sobre o mal que pode haver, no fato de uma grande área de terra ser cultivada por uma empresa internacional, que abastecerá o mercado brasileiro e estrangeiro.

Acontece que essas empresas praticam a danosa e criminosa monocultura, que exaure a terra e favorece o surgimento das pragas. Insensível ao meio-ambiente, essas empresas aplicam pesticidas no combate às pragas, que poluem córregos e regatos, provocando doenças e expulsando famílias que ocupam regiões ribeirinhas.

A monocultura da soja, do milho, da batata, ou lá do que for, exige o uso de fertilizantes e adubos químicos, e o pior de tudo, pesticidas para combater as pragas. Pragas essas que somente se desenvolvem e se fortalecem graças à monocultura. Uma coisa leva à outra, e todas, por estranha coincidência, levam para as indústrias de insumos agrícolas, as grandes produtoras de herbicidas e produtos que se tornam indispensáveis às grandes plantações de um produto só.

Diante dessas despesas enormes com esses produtos químicos, maléficos à natureza e ao corpo humano, surge mais uma arma contra a vida, e favorável ao enriquecimento das grandes indústrias – os transgênicos.

A desculpa das empresas que promovem as sementes transgênicas é que os produtos necessitam de menos adubos e muito menos pesticidas. Mas, esse menos só era mais, por causa delas próprias, que executam uma agricultura predatória, visando somente lucros, e pouco se importando com a saúde humana.

A grande sacada dos transgênicos, meus caros leitores, é que os produtos não dão sementes. A cada plantio, o agricultor terá de comprar novas sementes, que só poderão ser produzidas pelas donas das patentes.

O risco fica por conta de serem sementes modificadas, através da mistura de DNA de diversas origens, inclusive de produtos animais. Os efeitos danosos à saúde humana têm sido escondidos ou disfarçados, por meio de desmentidos, a cada nova conclusão de análises em laboratórios.

O fato de gerarem uma nova cadeia, alheia à origem natural, essas sementes transgênicas cortam o elo com as antigas genéticas e afastam a humanidade de suas fontes primordiais, impossibilitando de se voltar a elas. Assim, fica-se nas mãos dos produtores transgênicos, e não se produz mais nada sem antes adquirir novas sementes, que são de direitos exclusivos de algumas poucas empresas no mundo.

Existem ainda duas questões a serem analisadas, uma econômica e outra da área de saúde.

A econômica é que, essas espécies transgênicas vão contaminando as demais, e transformando as plantações naturais em lavouras transgênicas. E, quando isso acontece, as empresas donas das patentes entram na justiça para cobrar o direito de uso, do pobre lavrador que teve a sua lavoura contaminada pelo contágio com as lavouras vizinhas.

A questão de saúde é que há muitas suspeitas e confirmações não divulgadas dos males que esses produtos transgênicos poderão acarretar, por conta das misturas de outros genes ao gene original.

O nosso papel, eleitor de Marina Silva, é trabalhar pelo progresso do nosso país, porém de modo ecologicamente correto, promovendo um desenvolvimento sustentável e seguro. Cabe-nos o dever, como cidadãos, de não permitir que essas empresas imponham impunemente as suas vontades e interesses comerciais, acima dos interesses da nação brasileira.

Deveremos estar preparados para contra-argumentar, quando essas empresas vierem fazendo-se de vítimas ou de parceiras do nosso governo, no combate à fome. Não é verdade que os produtos transgênicos tragam a solução para a fome no mundo, e nem é com isto que elas estão preocupadas.

As sementes transgênicas são um crime de lesa-terra contra os verdadeiros agricultores, que plantam para oferecer produtos saudáveis e sem agrotóxicos. Os agronegócios são lesivos aos interesses da população, mesmo que, à primeira vista, possam parecer solução para o combate à fome.

Peço-lhes, conscientes leitores, que quando forem às compras, digam NÃO ao transgênico.

Confiram as embalagens, e se neguem a levar para o consumo das suas famílias, aqueles produtos que tenham um T dentro de um triângulo, pois eles são produzidos com produtos transgênicos. E atenção especial para os produtos de soja, especialmente o óleo de soja.

Se nós fomos capazes de dar 20 milhões de votos a uma candidata que durante a sua campanha pregou a sustentabilidade, também poderemos ser capazes de manter a nossa mobilização durante os próximos quatro anos de governo, sem ficar esperando uma nova campanha eleitoral.