Meus assíduos leitores, o tema Iniciação é um assunto muito atual, por se tratar de um processo que está influindo na vida espiritual de muita gente, ainda que a grande maioria nem se dê conta disso. O atual ciclo planetário está chegando ao fim, e um novo período cósmico está prestes a começar. A humanidade já está sentindo mudanças na sua maneira de ver a vida, e muitos dos seus antigos apreços estão sendo
abandonados, substituídos por novos ideais de conteúdo essencialmente espiritual.
Muitas pessoas estão perguntando-se o que fazem neste mundo, porque estão enfrentando tantas dúvidas e inseguranças, e quais os motivos de se virem expostas a tantas e tamanhas violências. As mudanças geram crises, e essas promovem as mudanças. Os efeitos das crises cósmicas se refletem na humanidade, provocando crises e conflitos humanos.
Diante desse momento sensível e transformador por que vive a humanidade, decidi dedicar um tempo a falar da intensificação do processo iniciático que está ocorrendo no planeta Terra. Na última postagem, tratei do processo iniciático na sua origem, e agora o faço nas suas diversas etapas de evolução. Uma vez mais, sustento os meus argumentos nos sábios ensinamentos da grande estudiosa da alma humana, Alice Bailey, através do seu livro Iniciação Humana e Solar.
De acordo com a autora, a alma humana encarna durante uma longa sucessão de vidas completamente alheia aos seus desígnios espirituais mais evoluídos, somente dando os primeiros sinais de consciência espiritual quando demonstra uma tendência religiosa e, mais tarde, uma profunda devoção aos dogmas da sua crença.
Esse processo não ocorre isoladamente, mas em conjunto com milhões de almas encarnadas que, através de gerações e gerações, nascem, vivem, morrem e renascem, numa sucessão de idas e vindas ao plano físico, onde são chamadas a cumprir missões que as ajudam a evoluir.
Depois de um período mais ou menos longo, de muitas experiências e desafios, de lutas e sofrimentos, aprendizados e fracassos, o aprendiz se apresenta, numa determinada vida, diante do Portal da Iniciação. A partir deste instante, ele se torna mais próximo do mundo espiritual, por se sentir in
spirado pelos Planos Superiores. Ele fica mais sensível às mudanças que ocorrem ao seu redor, não em função dos outros, mas da forma como passa a enxergar a vida.
Os primeiros passos foram trilhados no chamado Caminho Probacionário, depois foram os tempos de Discipulado e, finalmente, chega o grande momento da religação da Alma com o Espírito. A realidade é que nunca houve a separação, mas um enorme afastamento em que a ligação praticamente ficara interrompida.
Desde os tempos de Discipulado que já ocorrera um despertar para três intenções nobres de reaproximação do Humano com o Divino:
a. O desejo de servir à humanidade.
b. A intenção de cooperar com o Plano dos Mestres, ainda que de modo inconsciente, mais como um impulso interior do que como um ato de fé.
c. A determinação de seguir os ditames do seu Eu Superior, e não mais da sua manifestação tríplice inferior.
O aprendiz é aquele que, tomando os primeiros contatos com as verdades ocultas se sente atraído pelos temas esotéricos, e começa a ler e refletir sobre o assunto.
O discípulo é quem apresenta uma condição mais consciente dos seus ideais espirituais, conseguindo se enxergar como um ponto de luz que reflete o foco do seu Mestre.
O aprendiz é aquele que está no primeiro estágio do caminho iniciático, o discípulo já se encontra numa etapa mais avançada do processo. Mas, ambos já se soltaram dos laços que os prendiam à matéria e começaram a caminhar em direção ao Espírito, com o qual já mantêm seus diálogos silenciosos, em meditações e orações.
Um dia, de repente, o discípulo se vê num caminho estranho, cercado de situações novas e desapegado dos tradicionais valores materiais
– o Caminho da Iniciação. Diz-se que ele morreu e renasceu em vida, ele já não é o mesmo, nem ele mesmo se reconhece.
O Caminho da Iniciação é percorrido em diversas etapas, que vão promovendo aos poucos a expansão do nível de consciência do caminhante. O discípulo se torna um peregrino, e não consegue mais parar antes de encontrar a si mesmo, e comungar com o seu Eu Divino.
Na primeira iniciação, ocorre o despertar dos arrependimentos, com a condenação de tudo que antes parecia normal, mas que só servia para alimentar os desejos e satisfazer os instintos inferiores. O canal entre a Alma e o Espírito começa a se abrir, e as mensagens vindas dos Planos Superiores começam a alimentar a mente do discípulo, que se sente cada vez mais estimulado a prosseguir a jornada e a vencer seus apegos materiais.
Cada discípulo se desenvolve dentro de um ritmo próprio, uns superam os apegos físicos com maior facilidade do que outros, mas, a todos, é comum o desejo de se tornarem dignos de serem chamados “filhos de Deus”.
Muitas vidas podem decorrer entre a primeira e a segunda Iniciação, dando tempo para que o controle do corpo astral seja aperfeiçoado e o iniciado esteja pronto a dar o próximo passo. Atingida a segunda Iniciação, o progresso será mais rápido, ocorrendo a terceira e a quarta Iniciação numa mesma vida, ou uma numa vida e a outra na vida seguinte.
Com a evolução da alma, a vontade de servir à humanidade se torna cada vez maior, e os desapegos se intensificam, fazendo do iniciado um altruísta, que é capaz de abrir mão dos seus direitos e valores a favor dos mais carentes e ignorantes. 
Que não penses, meu perfeccionista leitor, que tudo ocorre numa ordem impecável, com cada virtude substituindo um defeito, e com cada raio de luz surgindo e iluminando aos poucos o campo áurico do iniciado. Nada disso! Cada discípulo se vê envolvido com experiências e desafios distintos, ainda que sigam uma diretriz comum, inspirados pelos Adeptos dos seus Raios, que auxiliam os Mestres nesse processo evolutivo dos seus Discípulos.
Durante as duas primeiras Iniciações, as crises são constantes, enquanto a personalidade e a alma se conflitam, cada qual buscando o seu próprio espaço, como se fossem oponentes, e não parceiras de um mesmo ideal. Mas, esses embates espirituais e psicológicos têm efeitos favoráveis ao processo, pois são as crises as verdadeiras responsáveis pelas nossas legítimas transformações. Sem crises, a natureza humana fica estagnada e presa aos conceitos passados. Na crise, busca-se romper com o que ficou para trás e a descobrir novos valores.
Na terceira Iniciação, também chamada de Transfiguração, a personalidade inteira é inundada de luz vinda do alto, passando a existir uma interação permanente da Mônada com a Alma. O alvo de todo o desenvolvimento espiritual é o despertar da intuição espiritual, e quando isto
vier a se concretizar, então o iniciado estará em condições de manejar com sabedoria as suas faculdades psíquicas, e com isto ajudar o progresso da humanidade.
Nas duas primeiras Iniciações, o oficiante é o Cristo, o Instrutor do Mundo, aquele que foi um dos primeiros em nossa humanidade a atingir a Iniciação. A partir da terceira Iniciação, o oficiante passa a ser o Grande Hierofante, o Senhor do Mundo, Melquizedec.
Antes da quarta Iniciação, o treinamento é intensificado e os conhecimentos passam a ser adquiridos com enorme velocidade, uma vez que o iniciado passa a ter acesso freqüente à Biblioteca de Livros Ocultos, de onde extrai ensinamentos e revelações que só estão ao dispor dos mais graduados.
Depois da quarta Iniciação, o iniciado passa a contar com o auxílio direto do Mestre como também dos Chohans, do Bodhisattva e do Manu. Daí em diante, as respostas surgem em sua mente, sem que ele precise raciocinar ou tentar recordar o que aprendeu, pois o canal entre ele e o Mestre transporta, em tempo integral, os conhecimentos e as verdades entre o Plano Espiritual e o Plano Físico.
Agora, que sabes de mais alguns mistérios, meu atento leitor, está na hora de avaliar o teu grau de evolução espiritual, e tentar identificar-te mais e melhor com os Planos Superiores. 
Outros graus de Iniciação existem, além do quarto. Mas, por enquanto, fiquemos por aqui, que já é o suficiente para quase toda a humanidade. Poucos, muito poucos, saíram da condição de postulantes e chegaram a aprendizes. Uma quantidade muito pequena existe de verdadeiros discípulos, em conexão direta com seus Mestres. E iniciados de fato e de direito, não nos é dado saber quão poucos atuam em nosso planeta.
A nossa peregrinação continuará pelos sagrados Caminhos da Iniciação. Espero ter-te ao meu lado, impaciente leitor, que gostaria de receber todos os conhecimentos de uma só vez, mas que terá de absorver cada ensinamento, sem pressa ou ansiedade.
Os Mistérios são para serem revelados, os Segredos, para serem guardados.