
TEIA AMBIENTAL - Contaminação: o Progresso a Alto Custo
Rede de Conspiradores Preservacionistas
Meus progressistas e ambiciosos leitores, eu faço questão absoluta de deixar a minha opinião, logo nas primeiras linhas, citando para isto uma frase que consta numa das canções de protesto de Roberto e Erasmo Carlos, em defesa da preservação ambiental – “eu não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso”.
Pensa bem, sensato leitor, que modelo de progresso é este, que para alcançá-lo teremos de contaminar o planeta com elementos tóxicos que afetarão a saúde da população mundial?
Confesso-te, caro leitor, que, às vezes, ponho-me a questionar sobre a racionalidade da criatura humana. Nós sabemos que não são todos que pensam assim e compartilham dessa destruição. Mas, se consumimos os produtos que são direta ou indiretamente responsáveis por essa contaminação, como negar a nossa cumplicidade?
No início do ano, li uma notícia que denunciava a contaminação de crianças chinesas pelo chumbo, devido à proximidade de usinas de baterias às localidades em que suas famílias residiam. O governo chinês se dizia preocupado com a reincidência desse tipo de contaminação, que já havia sido detectada em outras regiões do país.
A notícia mencionava a contaminação de cerca de 200 crianças num universo de 280 examinadas, das quais três delas apresentavam altos índices de chumbo no sangue. A intoxicação pelo chumbo pode causar diversos danos, alguns irreversíveis, aos organismos de crianças, afetando o sistema nervoso, o sistema reprodutivo e os rins. 
O governo mandou fechar as fábricas responsáveis, que estavam localizadas em áreas proibidas, pela proximidade de locais habitados. Mas, o que se pode esperar de prático em relação a essas medidas? Mais dia, menos dia, as fábricas serão reabertas, senão no mesmo local, num outro tão ameaçador quanto aquele. E a desculpa será sempre a mesma – o progresso não pode parar.
Aqui cabe uma reflexão. A quem se destina o progresso: ao povo ou aos empresários que extraem lucros dos seus investimentos? Os governos precisam refletir mais sobre essa questão, antes de projetar usinas e parque
s industriais.
Tu, meu ingênuo leitor, deves estar pensando que eu desconheça a exigência das licenças ambientais. Não a desconheço, só não confio nelas. E tenho cá os meus motivos, pois lidei na prática com o mau uso delas.
O Brasil está envolvido por uma aura progressista, que nos conduz a mais reflexões. Será que as usinas, que fornecerão energia para o futuro, e as indústrias, que prometem emprego para o presente, estarão preservando a qualidade de vida de todos nós? Que modelo de progresso será esse, apregoado como erradicador da miséria? Que segurança, temos nós, que não acabaremos enfrentando os mesmos problemas que os países mais progressistas já estão enfrentando, com contaminações e destruições de rios e florestas?
Gostaria de aconselhar alguns filmes muito interessantes, aos leitores mais crédulos, aqueles que confiam nas notícias veiculadas no Jornal Nacional e que se sentem seguros diante de compromissos assinados por grandes multinacionais, de que tomarão todos os cuidados para não afetar o meio-ambiente. 
Se ainda não viram, por favor, não deixem de assistir. Se já viram, vejam novamente. Procurem uma locadora e aluguem os 3 filmes, e os assistam com absoluta isenção, ou tentem fazê-lo.
O primeiro deles é um clássico sobre o assunto, ainda que não seja o mais antigo, e deu um Oscar para a Julia Roberts, no papel de Erin Brockovich – Uma mulher de talento. O filme narra a história de uma funcionária de um Escritório de Advocacia que vai muito além dos seus deveres, para defender uma pequena comunidade afetada pela contaminação da água, por uma empresa de luz e gás.
O segundo filme, dentro de um tema semelhante, é estrelado por John Travolta, e denomina-se A Qualquer Preço. Neste filme, é o próprio advogado que, contrariando os interesses dos seus parceiros do Escritório de Advogados Associados, assume uma exaustiva batalha contra indústrias que despejaram resíduos tóxicos no solo, contaminando a água de um lugarejo.
O último dos três é mais uma história de lutas e pressões em batalhas judiciais, desta vez contra uma fábrica de peças para usinas atômicas que provocava contaminação radioativa em seus empregados. A estrela do filme é Meryl Streep, no papel que dá nome ao filme – Silkwood – O retrato de uma coragem.
A minha sugestão, caros leitores, é que assistam estes filmes, e depois julguem com isenção as notícias sobre as obras que trarão futuro progresso às nossas nações. Não importa onde morem, se no Brasil, em Portugal ou na China, o discurso é o mesmo, quando se trata de tentar convencer o povo que a destruição ambiental é um preço justo para o progresso econômico de qualquer nação.
Não crê nisso, sem antes tirar a tua própria conclusão. Desconfia daquele bom mocismo, que promete muito, mas que não passa de puro marketing, envolv
ente, é verdade, porém, quase sempre mentiroso.
Compara os projetos de Belo Monte, Angra e similares com os fatos narrados nos filmes, e só então tira a tua conclusão, sobre o verdadeiro futuro que nos espera. Mas, tu também podes tomar outra atitude – não te preocupares com isto e pagar para ver se haverá contaminação ou não.
O mundo de hoje não é o mesmo dos tempos de nossos avôs. Tudo acontece em fração de segundos. O bosque de hoje é a praça asfaltada de amanhã. A floresta verde irá tornar-se o pasto da nova agropecuária do futuro. O rio que passa a caminho do mar será transformado num imenso lago, que afetará todo o equilíbrio ecológico da região, para dar lugar a mais uma usina hidroelétrica, considerada indispensável para o progresso.
E tudo é tão dinâmico, tão aparentemente eficiente e estimulante, que nem temos tempo de medir as conseqüências daquelas ações predatórias, e nem mesmo julgamos necessário nos preocuparmos com isso.
Cabe a ti, consciente leitor e confiável eleitor, tomar as decisões que determinem o que seja melhor para o teu futuro e para o futuro da nação. O governante é teu empregado, que foi escolhido por ti, e é pago por seus serviços, através dos teus impostos. Tu nada deves a ele, e por isso não deves temê-lo, apenas respeitá-lo, tanto quanto ele a ti.
Agora, vamos descansar a mente e assistir uma boa sessão de cinema? Espero que todos gostem das minhas sugestões, e que as mensagens que elas contêm sirvam para que tirem melhor conclusão, diante de tanta ameaça de contaminação.






























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