Rede de Conspiradores Preservacionistas
Meus ambientalistas leitores, eis-me aqui a dar viva a uma cidade de primeiro mundo que está sabendo harmonizar o progresso com o zelo ao meio ambiente. Barcelona é um exemplo admirável para outras grandes cidades qu
e alegam ser a imundice das suas ruas e praças uma conseqüência natural do progresso.
A cidade de Barcelona utiliza um sistema subterrâneo para descartar o lixo, que acabou com a sujeira nas ruas, descartou os latões de lixo e deu um basta no velho chavão – progresso e lixo são parceiros inevitáveis.
Diversas cidades européias já se mobilizaram para se adaptar à idéia de progresso sem lixo, mas nenhuma delas criou um sistema que chegasse próximo ao de Barcelona, para o manejo ecologicamente correto do lixo.
As cidades da Europa mais preocupadas com o trato do lixo dispensaram as coletas em caminhões, substituindo-os por bocas de lixo, onde os sacos são colocados através de escotilhas. Daí em diante, cada qual usa um processo diferente para a destinação desse lixo.
Nenhuma delas, no entanto, encontrou solução de tamanha eficiência como Barcelona. Lá, as bocas de lixo são ligadas a um sistema de tubulação subterrânea, que, por sucção, transporta o lixo de hora em hora, dia e noite, o ano inteiro, para coletores que se destinam às usinas de triagem.
Assista a reportagem da Rede Globo.
O lixo chega a viajar a 70 km por hora, por baixo da terra, até os coletores que ficam na periferia, enquanto as usinas se localizam em pontos ainda mais distantes do centro da cidade. O material reciclável segue o seu destino para servir de matéria-prima a novos produtos, enquanto o lixo orgânico vira combustível para mover as turbinas que irão gerar eletricidade.
Meus atentos leitores, isso que parece tão simples, à primeira vista, é realmente muito simples, bastando um pouco de imaginação e uma enorme vontade política. Se tudo que entra e sai de uma casa costuma vir p
or baixo da terra, por que não incluir o lixo nesse procedimento?
A idéia surgiu em 1992, na Vila Olímpica de Barcelona, e o projeto foi elaborado especialmente para os Jogos Olímpicos daquele ano. A intenção inicial, que era atender apenas à Vila Olímpica, acabou tornando-se um projeto para toda a cidade de Barcelona.
Nos anos que se sucederam às Olimpíadas, a prefeitura de Barcelona tem investido na ampliação da rede de tubulação, como se costu
ma fazer com as redes de água, esgoto, gás, energia elétrica e telefonia.
Calma, meu ansioso leitor, eu bem que sei o que se passa na tua mente – contas, contas e mais contas. Esquece-te dessas tuas contas. Economia é uma questão muito mais política do que financeira, sempre afirmou com muita propriedade a sábia economista autodidata Hazel Henderson.
A prefeitura de Barcelona já comprovou que todo o custo do projeto acaba representando, a médio e longo prazo, um investimento menor do que o tradicional método de coleta. E sem contar com os benefícios paralelos, alguns impossíveis de contabilizar, relacionados à saúde, ao turismo
e ao bem estar da população.
Em Barcelona, os prédios que têm sido construídos nas últimas décadas já possuem o sistema, incorporado às suas instalações de exaustão do lixo. Os moradores já não precisam carregar os sacos até a rua para depositá-los nas bocas de lixo. E, dessa forma, são recolhidos 70% do lixo da cidade, e, dentro de cinco anos, a previsão é que não existirá mais coleta por caminhão.
Meus sábios leitores, eu vos pergunto, para que me respondeis com sinceridade – um sistema desse tipo pode ser instalado no Rio e em São Paulo e em outras cidades menores, mas não menos progressistas? É claro que sim!
As obras do PAC estão aí mesmo, comprovando que o dinheiro público continua operando milagres, quando há vontade política. Ou seria interesse, a palavra mais adequada!
Estamos a caminho dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Mais alguns poucos anos, e teremos a nossa Vila Olímpica. Que tal copiar Barcelona? Já que não estamos conseguindo copiar a qualidade do time comandado pelo gênio do Messi, talvez possamos copiar o método de destinação do seu lixo. 
Dinheiro? Como cantou o Martinho da Vila – dinheiro, pra que dinheiro? Não é para tornar a nação mais próspera e o povo mais feliz? De que adianta um mês de atrações esportivas, e quando o circo vai embora, fica tudo como era antes?
A cidade do Rio e a nação brasileira deveriam preocupar-se com o lixo da Vila Olímpica, a partir do projeto espanhol. Inventar coisa nova é muito bom, mas copiar o que já deu certo é bem mais inteligente do que sair gastando com maquiagens que escondem o mal, mas não saram a ferida. E ainda tem o aspecto pioneiro, semelhante ao que ocorreu em Barcelona, de começar na Vila Olímpica e se estender para toda a cidade, e, para o país inteiro.
Por enquanto, Barcelona está dando um olé no resto mundo. Nos campos de futebol e nas suas áreas urbanas. A Teia Ambiental saúda a prefeitura municipal de Barcelona e parabeniza o seu povo. Viva Barcelona, olé!
































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