
De acordo com um recente estudo, os transportes no Brasil são responsáveis por cerca de 6% das emissões poluentes em nosso país, que é um índice bem maior do que o da indústria, que apresenta uma participação de 3,6%.

Um dado que chama a atenção é o do setor elétrico, que é responsável por apenas 1,2%, quando, no mundo, a geração de eletricidade responde por 28,8%. Os grandes vilões em nosso país são os desmatamentos, a agricultura e a pecuária que somam 79,6%.
Temos criticado bastante as atividades nessas áreas em que os poderosos fazem o que querem, não estando nem aí para os efeitos ambientais desastrosos de suas políticas. A sensação é que não dá para controlar os desmatamentos praticados pelas indústrias da madeira e pelos pecuaristas que reduzem as áreas verdes ao seu bel prazer.
A agroindústria não está nem aí para a natureza, derruba florestas e semeia campos imensos numa monocultura ambiciosa e destrutiva. Os governantes, voltados somente para o fatídico PIB, contabilizam essas destruições na conta do progresso industrial e do crescimento dos índices de desenvolvimento.
Meu atento leitor, retorno à questão do transporte urbano, que é um vilão menor, mas nem por isso menos prejudicial à nossa qualidade de vida. As cidades estão sendo invadidas, a cada ano, por milhares de novos veículos, que congestionam as ruas e poluem o ar, enquanto governo e empresários comemoram o crescente aumento de produção da indústria automobilística.
Diariamente, a cidade de São Paulo convive com engarrafamentos de dezenas e dezenas de quilômetros, para o desespero dos motoristas, que reclamam das horas e da paciência perdidas no meio do trânsito. Parece um problema sem solução, como todos os dramas que os grandes centros urbanos têm sido obrigados a enfrentar no mundo moderno.
Alguns estudiosos sugerem carros menos poluentes para que o ar fique menos contaminado e veículos mais seguros para a maior segurança dos motoristas em caso de desastres. Mas, nada disso resolve o maior de todos os problemas, o volume crescente do tráf
ego urbano. Os motoristas se estressam e chegam para trabalhar já completamente esgotados e nervosos.
A população a pé respira o ar contaminado que vai das ruas para as calçadas, causando diversas doenças respiratórias e outras ainda mais graves.
Queima-se combustível, queima-se o dinheiro da nação, queimam-se os recursos da natureza, e tal qual um fósforo queimado a humanidade perde a energia, o brilho e o fogo criador.
Tudo se repete, dia após dia, sem que as pessoas tomem qualquer atitude para demonstrar a sua indignação com a forma quase suicida como o progresso vem sendo perseguido. Elas não se dão conta que são corresponsáveis por todos os crimes que estão sendo cometidos contra a natureza, contra a vida e contra a própria humanidade. O sonho de ficar rica ainda prevalece sobre o ideal de saúde e bem estar. E assim muitas pessoas chegam a admitir que, vale à pena, se expor a riscos, ameaças e contaminações, dependendo da recompensa financeira.
A reação mais comum é dizer que não tem jeito, não há o que fazer, é preciso enfrentar todos os riscos e inconvenientes para sobreviver. Mentira! Essas são desculpas forjadas pelos milionários patrões que precisam transformar a massa produtiva em submissos peões que geram as riquezas que o poder econômico mundial manipula tão bem a favor de seletas minorias.
Os automóveis já não podem servir de meios de transporte urbanos, pois as ruas não oferecem espaços para o tráfego diário dos que se deslocam de casa para o trabalho. A solução
é o transporte de massa, trens, ônibus e metrôs. A questão não é emitir menos carbono dos canos de descarga dos automóveis, o problema é que não cabem mais carros nas ruas. Nada de carro elétrico ou movido a ar, água ou hidrogênio, a solução nas grandes cidades é transporte público eficiente, e ponto final.
Se não houver uma rede de transporte eficiente, segura e confortável, o automóvel ainda continuará a congestionar e a poluir as cidades. Os governantes precisam ter a coragem para admitir que é hora de mudar o discu
rso e não mais estimular o uso de veículos, como meio de transporte urbano. Os automóveis voltarão a ser chamados de carros de passeio, pois somente serão úteis para passear nos finais de semana. Os deslocamentos de casa para o trabalho terão de ser feitos por sistemas integrados de transporte confortáveis e eficientes.O mundo não poderá imaginar progresso e bem estar sem mudanças. Estamos metidos num caos que não tem tamanho, e todo mundo quer continuar levando a mesma vidinha de há 30 ou 50 anos atrás. A idéia errada que foi incutida na mente de todos é que a tecnologia resolveria qualquer problema, e estamos vendo que a verdade é outra.
O progresso precisa de novas técnicas, mas a saúde e a qualidade de vida não estão dependendo dessas técnicas, mas de um modo mais coerente e natural de vida. Precisamos repensar o progresso, esta é a frase que já sai dos lábios dos homens mais sábios e que estão pesquisando sobre o futuro da humanidade.
Meu caro leitor, ninguém é contra o automóvel com o seu conforto e beleza, até mesmo, que não seja por outra razão, para satisfazer o ego dos mais vaidosos. O que não é mais admissível é produzir carros sem parar, oferecer vantagens de financiamento para que todas as famílias possuam o seu carro próprio e não ter
como movimentar essa frota infinita pelas ruas da cidade. Acorda meu distraído leitor, e não te deixes enganar por esses vendedores de ilusões, que querem te fazer crer que carros modernos resolvem a questão do transporte na tua cidade. Os carros são lindos e oferecem diversos dispositivos modernos, os preços são caros, mas as condições, acessíveis.
A tua garagem, porém, será o melhor local para usar o seu carro novo, pois as ruas, nem pensar. Se quiseres dar uma voltinha nos finais de semana, vá lá, mas nenhuma ousadia de buscar cidades com praias no verão, ou até mesmo um simples banho de mar no sábado ou no domingo.

A culpa será sempre lançada sobre os automóveis. Tem carro demais nas ruas. Não tem estacionamento. Não se pode andar mais depressa. Eu sempre chego atrasado por causa do trânsito. O carro que parecia ser, no ato da compra, o herói da família, aos poucos, está se tornando o grande vilão.
Aconselho-te, meu amigo leitor, que comeces a comprar um terreninho numa cidadela distante dos grandes centros, e com o seu lindo e potente carro, vá morar com a sua família, levando junto com ele toda a tua parafernália eletrônica.
Em qualquer lugar do planeta, pode-se ter o conforto e a informação, bastando aceitar o fato que, nas grandes cidades e no meio do tumulto, e com aquelas avenidas congestionadas, não dá mais.
Pensando bem, não é o carro o grande vilão do mundo moderno, mas o estilo de vida que se inventou para viver nas grandes cidades. Se não dá para mudar de estilo, a solução é mudar de cidade.
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