quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O EXAGERADO SENSO CRÍTICO DO NÚMERO 3

Meus assíduos leitores, tenho-vos deixado sem matéria nova por mais tempo do que gostaria, porém está difícil conciliar os mapas com os cursos e com as postagens. Mas, com jeitinho e boa vontade, eu encontro uma forma de escapar dos rigores dos deveres para uns breves momentos de convívio e de prazeres.

Os rigores são os compromissos assumidos que me põem a trabalhar com prazos. Os prazeres são os efeitos de umas escapadelas desses rigores, para um mergulho no mundo incoerente no qual prevalecem as exageradas críticas da criatura humana.

No mundo crítico e incoerente, eu me encontro com essas simpáticas e bem humoradas criaturas inspiradas pelo número 3. Elas são inspiradoras e criativas, brincalhonas e excelentes companhias, mas que não as deixemos destravar a língua para criticar algo ou alguém.

As energias do número 3 são geradoras das artes e dos artistas. Sem elas, o mundo ficaria destituído de encantamento e beleza, sem brilho e sem cor. Elas fazem as pessoas mais felizes e povoam os ambientes sociais com seus risos e rosas. Elas trazem consigo o perfume e a cor das flores, e são capazes de combinar tudo isso numa métrica perfeita de um poema de amor ou de uma sátira inesperada.

As personalidades sob a influência do número 3 são extrovertidas e bem falantes, soltam o riso em sonoras gargalhadas ou deixam escapar um sorriso irônico de canto de boca, enquanto remexem os olhos de modo que falam mais no olhar do que com a boca. Com elas, todos riem e se divertem, perdendo a noção do tempo e atropelando compromissos.

Os artistas, porém, se travestem em críticos, numa fração de segundos. Da oratória construtiva e brincalhona, elas são capazes de tomar um rumo desastroso, às vezes, desastrado, para a crítica mordaz contra uma idéia, uma obra ou um pobre coitado que não caiu nas suas graças.

Elas falam demais, e por terem argumentos inesgotáveis, qualquer que seja a temática em questão, as críticas viram acusações e se concluem em veementes condenações. De agradáveis e simpáticas companhias, elas podem tornar-se numas chatas e cansativas falastronas.

O senso crítico do número 3 é exagerado, ainda que coerente e consistente com suas razões. Os motivos poderão ser reconhecidos e aceitos, mas injustificáveis são a veemência e o tempo gasto nas críticas. A ironia e o deboche estão quase sempre presentes nos discursos dessas criaturas sociáveis e irritadiças.

Convide-as para um bate-papo, nunca as deixe fora de suas festas e reuniões, mas controle a sua fala. Se ela gosta de alguém ou de alguma coisa, certamente irá exaltar valores que nem todos serão capazes de entender ou perceber. Mas, se houver restrições ou implicâncias, seria melhor mudar de assunto, antes que surja uma enxurrada de adjetivos condenatórios.

A sensibilidade das energias do número 3 faz dessas criaturas verdadeiros artistas, assumidos publicamente ou incorporados apenas para os mais íntimos. O romantismo que alimenta os seus sonhos dá-lhes a pena literária e o papel em branco a ser preenchido em centenas de páginas recheadas de paixões e sofrimentos. O rigor à forma e à letra faz delas censores rabugentos que se apegam a pontos e vírgulas para condenar o que só merecia umas breves aspas, e nada além.

Sofrem essas criaturas alimentadas pela energia do número 3, ao construir uma obra perfeita e ao desconstruir uma idéia mal começada. Elas querem obras perfeitas, e mais do que isso, se rebelam e destroem as imperfeitas.

Essas atitudes, algumas vezes, são confundidas com as críticas de quem traz em si o perfil introspectivo e intelectualizado do número 7. A diferença é que se os artistas falam demais se expondo publicamente e não tendo o senso exato do seu exagero; os intelectuais usam o crivo do seu perfeccionismo para desprezar, desconhecer e se calar, diante do que é considerado destituído de valor.

Agora, pensa bem, meu atento leitor, como controlar os exageros desses artistas, se são eles que animam e encantam as festas? Calá-los, seria tirar o brilho das festas. Deixá-los destravar a língua, pode dar uma bruta confusão. Convidar só intelectuais e místicos seria celebrar muito mais um ritual do que uma festa.

Corre-se o risco, e vê no que vai dar? Censura-se a lista de convidados? Ou se reza para todos os santos, para que não surjam temas de discórdia que despertem a vocação promotorial desses oradores que não sossegam enquanto não condenam o réu das suas implicâncias.

Deixo-te a refletir, meu consciente leitor. Faço votos que encontres a solução ideal para o enigma proposto. E depois é só esperar as conseqüências. Mas, lembra-te bem que, as festas sem as presenças das artísticas, comunicativas e divertidas criaturas de número 3 perdem em brilho, beleza e cor.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TEIA AMBIENTAL - A ORIGEM DA POLUIÇÃO

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Meus queridos leitores, por mais uma vez, estaremos nós, a falar de poluição. Mas, o que fazer se vivemos sob a permanente ameaça desse monstro ambiental que põe nossas vidas em risco!
O que é a poluição? Será que sempre se falou de poluição? Ou será que o termo é mais um modismo dentro do progresso? Será que existe mesmo o risco? E, se existe, quando e como tudo começou?
Escolhi o livro do futurólogo Alvin Toffler, A Terceira Onda, para ilustrar a nossa reflexão. No livro, o autor nos remete à transição entre a Primeira e a Segunda Onda, para que melhor possamos entender a razão do surgimento da poluição. É claro que estou a me referir a um tipo específico de poluição, a poluição ambiental!
Antes de prosseguir, é indispensável explicar como o autor conceitua essas duas Ondas, na história da civilização moderna. A Primeira Onda, segundo ele, está relacionada ao ciclo agrícola, e a Segunda, ao industrial. A Terceira, que seria a atual, pode ser compreendida como um ciclo tecnológico ou da informatização, com todas as imensas transformações no comportamento da raça humana.
Afirma Alvin Toffler que, a condição prévia de qualquer civilização, velha ou nova, é a energia.


A diferença, porém, entre a sociedade da Primeira Onda e a da Segunda é que, na Primeira a energia era obtida de “baterias vivas” – potência muscular humana e animal – ou do sol, do vento e da água. Tratava-se de energia renovável e, principalmente, de energia limpa ou não poluente.
Rodas hidráulicas faziam girar pás de moinho. Nos campos rangiam moinhos de vento. Os arados eram puxados por animais. Florestas eram cortadas para a cozinha e o aquecimento. Percebeste meu atento leitor que, todas essas fontes de energia eram renováveis? A natureza renovava tanto as árvores cortadas, como o vento que enfunava as velas e os rios que faziam girar as rodas de pás. Os animais e as pessoas também eram substituíveis ou renováveis.
Com o evento da Segunda Onda, o ciclo industrial, as sociedades começaram a extrair sua energia do carvão, gás e petróleo – combustíveis fósseis não renováveis. A civilização, assim, começou a consumir o capital da natureza, e não mais o rendimento que ela oferecia. As nações passaram, então, a construir altas estruturas tecnológicas e econômicas, na pressuposição de que os fósseis baratos seriam inesgotáveis.
Tu estás certo meu lúcido leitor, eu estou a falar do limiar da Revolução Industrial, de uma época em que o progresso econômico mundial ganhou uma enorme aceleração, e com ele as primeiras ameaças de poluição. No início, tímidas e quase imperceptíveis, mais tarde, incontroláveis e ameaçadoras.


Uma nova tecnologia surgiu, alimentada por um novo sistema de energia, abrindo as portas para a produção em massa. Dos grandes centros industriais passaram a sair intermináveis milhões de produtos idênticos, exigindo a modernização do sistema de transportes e distribuição.
Durante a Primeira Onda, as mercadorias agrícolas eram transportadas por tração animal e produzidas uma de cada vez, sob encomenda, e também distribuídas individualmente para cada comprador. Diante dos grandes volumes produzidos, a partir da chamada Revolução Industrial, as rudimentares formas de comunicação e os primitivos meios de transporte passaram a restringir o mercado. A Segunda Onda transformou cada limitação numa ilimitada expansão, abrindo linhas de transporte por estradas de ferro e rodovias, e incentivando o surgimento de complexas redes atacadistas, varejistas e as famosas lojas de departamentos.



Acredita atento leitor, que estás diante da história do início da poluição ambiental. Antes da Revolução Industrial, a energia renovável, e após a Segunda Onda, a utilização de fontes não renováveis. Durante a Primeira Onda, a produção de um lixo controlável, sendo boa parte absorvida pela natureza e transformada em matéria orgânica. Com o advento da Segunda Onda, o início do consumismo e do desperdício, com uma produção crescente e sem limites, promovendo a substituição do usado pelo novo, e gerando um lixo incontrolável.
A onda poluidora e ambientalmente destrutiva não para por aí. Durante a Primeira Onda, quando a agricultura predominou, as pessoas viviam em grupos familiares, formados por tios, avós, primos e agregados, todos vivendo sob o mesmo teto e trabalhando juntos. Com a Segunda Onda, a produção econômica deslocou-se do campo para a fábrica, e com isso, a família não mais trabalhava junta.
O resultado mais imediato foi o conflito e a tensão entre os membros da família, se opondo à autoridade patriarcal. Era preciso construir novas casas para abrigar esses dissidentes, que saíam da casa dos pais ou parentes, e iam trabalhar por conta própria em fábricas ou no grande comércio distribuidor dos novos produtos.



A necessidade de novas moradias expandiu o mercado de construção, e com isso sofreram as áreas até então preservadas, fazendo surgir vilas industriais onde antes corriam rios e cresciam árvores. A devastação das florestas, para o corte da madeira, cresceu. Os resíduos deixados para trás, após a conclusão das obras, foi tomando conta do solo. Os dejetos das novas residências, num volume até então jamais imaginado, passou a ser lançado em córregos e lagos, ou simplesmente em fossas e valas.
As chaminés das fábricas, incentivadas pelo consumismo exacerbado, lançavam fumaça no ar e resíduos tóxicos nos antigos mananciais que, antes, saciavam a sede das populações rurais. E tudo isso cercado de uma ingênua e irrefreável euforia. Quem poderia sonhar com todos os efeitos poluidores e devastadores, num futuro distante?
Acredito, sinceramente, meus leitores conscientes e inteligentes, que o progresso é realmente inevitável, mesmo quando promove poluição, doenças e desgraças. Mas, fechar os olhos para suas nefastas conseqüências, quando são identificadas e catalogadas como causadoras da destruição da qualidade de vida e da contaminação do corpo físico da criatura humana, é de uma irresponsabilidade estúpida e insana.
Estamos, no momento, penetrando na Terceira Onda, quando o progresso tecnológico deverá corrigir os desvios provocados pela Revolução Industrial, e promover uma expansão econômica e produtiva mais coerente com a saúde do planeta e da civilização que o habitará nos próximos milênios. A repetição dos erros cometidos na Segunda Onda poderá ser fatal às gerações futuras.
Deixo-vos, agora, a refletir sobre as prioridades para as próximas décadas, quando estará em jogo o futuro da humanidade. Deixar-se seduzir pelo poder criativo da mente humana, sem levar em consideração os seus anseios espirituais, seria uma tolice lamentável. Colocar os lucros e as conquistas materiais acima da segurança e do bem estar coletivo, seria o caminho mais rápido para sucessivas desgraças ambientais.



A humanidade precisa assumir suas responsabilidades o quanto antes, deixando de ser comodista e preguiçosa, e tratando de fazer o trabalho que compete a cada um. Chega de pedir milagres a Deus, para protegê-la de perigos por ela mesma provocados. O mundo não vai acabar em 2012, mas a humanidade, se prosseguir poluindo o planeta e agredindo suas reservas naturais, poderá desaparecer muito antes do que se imagina. E não haverá Deus que a proteja se não souber usar seus poderes divinos, que foram recebidos desde a criação.
Agora, que já sabeis a origem da poluição que contamina os nossos pulmões e de onde vêm os resíduos tóxicos que contaminam o nosso sangue, tratais de fazer a vossa parte. Ninguém poderá continuar a contaminar o planeta, se vós não fordes cúmplices, por adquirir todo o lixo que é produzido e despejado nas lojas. Não comprais o supérfluo, para que, no dia seguinte, não se transforme em lixo. Não troqueis vossos aparelhos eletrônicos, só porque novos modelos foram lançados no mercado, antes de escolherdes sobre a destinação correta que será dada aos equipamentos usados.



Pensai bem, meus cuidadosos leitores, que de nada adianta saber as causas, se não souberdes lidar com os efeitos. Aprender com o passado é um ato de sabedoria. Antes que a Terceira Onda acabe por devastar o que a Segunda Onda começou, está na hora de usar a tecnologia e a informatização para curar os males antigos e preservar a saúde futura.
E, não podes omitir-te ingênuo leitor, tu és uma das peças desse quebra-cabeça, que precisa ser decifrado, e quanto antes, melhor. Reduze o que consomes, reaproveita o que substituíste e recicla o que já não te é mais útil. E não fica esperando pelos outros, para começar. O tempo está se esgotando.




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UMA CIVILIZAÇÃO



Meus queridos leitores, eis-me a divagar sobre um tema insólito, muito bem explorado pelo gênio de Machado de Assis, e que imito e não me limito apenas ao tema, mas copio também o estilo narrativo do mestre das letras.

Em seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis emprega uma técnica narrativa “sui generis”, inicia as memórias pela morte, fugindo do uso vulgar de começar pelo nascimento. E, para começar, ele dá um breve espaço ao defunto autor que, antes do capítulo inicial, afirma que escreveu suas memórias com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. E não será outro o meu estilo, amável e paciente leitor, para narrar estas memórias de uma civilização afogada, de que falo no título.

Dito isto, e copiando o mestre, afirmo que expiramos há mais de 10.000 anos, quando a ilha que restara do grande continente em que habitávamos, desapareceu no fundo do Oceano Atlântico. Lembro-me que, assim como nos dias de hoje, alimentávamos a pretensão de que éramos controladores da natureza, e dela poderíamos usurpar o que bem entendêssemos.

Não me recordo a que horas, mas não estaria mentindo, talvez, enganando-me, se seguisse o defunto Brás Cubas, e indicasse para o nosso naufrágio, a “causa mortis” da civilização atlante, as mesmas duas horas da tarde de uma sexta-feira. Eu não me recordo que idade tinha, mas isto pouco importa, se naufraguei com ela, e despertei livre dela, numa encarnação seguinte.

Morremos afogados, no atestado de óbito planetário, mas, a verdadeira causa da morte foi uma triste empáfia da civilização que julgava ter descoberto a fórmula de dobrar o poder divino às suas vaidades e mazelas. Assim como acontece nos dias de hoje, os atlantes confiavam na sua ciência para conquistar o universo.

Brás Cubas morreu menos de pneumonia do que de uma idéia grandiosa, e o mesmo aconteceu com a civilização atlante, retirando a pneumonia e deixando somente a idéia. Num certo momento da história da nossa civilização, pendurou-se uma idéia no trapézio do circo em que havia sido transformada a progressista civilização atlante.

Uma vez pendurada, assim como a idéia de Brás Cubas, ela começou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas, até que, num determinado momento, ela deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até a forma de um grande X: decifra-me ou devoro-te.

Essa idéia não era um emplasto, anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade, mas era quase a mesma coisa, sem as caixinhas de remédio. A civilização julgou ter encontrado a solução para todos os males humanos, desprezando o poder que fugisse das mãos humanas, para só valorizar e exaltar a glória científica.

Meus atentos leitores, eu vos confesso que não me orgulho nem me constranjo por extrair de Brás Cubas a afirmação de um tio seu, um cônego, que dizia convicto que o amor à glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Outro tio, oficial de infantaria, retorquia que o amor à glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, a sua mais genuína feição.

Não contradigo nem um nem outro, pois a morte da nossa civilização se deu com a confirmação de ambas as afirmações. A pretensão à glória foi causa verdadeiramente humana que arrastou toda a civilização atlante a se render à glória eterna, de um poder superior que traça os rumos da evolução cósmica.

Deus te livre, meu leitor, de uma idéia fixa, antes uma trave no olho. Era fixa a idéia da civilização atlante que tudo podia acima do destino, que, se existisse de fato, não passava de um servo da vontade humana. E, assim como pedia Brás Cubas, na sua sabedoria de autor defunto, que tu não fiques a me torcer o nariz, caro leitor.

Retifica o teu nariz, exigente leitor, e tornemos ao nosso emplasto, que, diferente do de Brás Cubas, não matou de pneumonia um só indivíduo, mas acabou com toda uma civilização e afundou um continente.

À semelhança de Brás Cubas, que recebeu um golpe de ar, quando se ocupava de apurar a sua invenção, a civilização atlante recebeu um golpe, não só de ar, mas também, e principalmente, do mar. Lá se foi para o fundo do oceano, a idéia da glória de quem se julgou maior que o Criador, almejando pelo mental, desprovido do espiritual, recriar o planeta, e quiçá o universo inteiro.

E por que te conto isto, meu curioso leitor? E por que menciono o emplasto do Brás Cubas, e as suas memórias póstumas? E o que isto tem a ver com o desaparecimento da Atlântida? Vaidades, meu modesto leitor, vaidades!

Assim como Brás Cubas pretendia resolver um problema crônico da humanidade, a eterna melancolia, a civilização atlante tinha a pretensão de solucionar a mesma fraqueza, não com emplasto, mas com magias e obsessões, mexendo com energias mais proibitivas do que as maçãs do Paraíso.

Brás Cubas sofreu um golpe de ar. A civilização atlante, um golpe do mar. Brás Cubas foi para baixo da terra. A Atlântida para o fundo do mar. Agora, tu percebeste a relação, atento leitor?

Ah, e como dizia o tio cônego de Brás Cubas, tudo por amor à glória! Ou será que mais do que almejar a glória, a nossa civilização afundada ambicionou a glória eterna? E na ingenuidade humana, a ela foi conduzida, sem convites e sem recomendações.

Na véspera, a expansão da ciência e os planos de dominar o universo. No dia, o naufrágio. No dia seguinte, um novo oceano, ocupando o espaço, onde antes habitavam os pretensos senhores do mundo.

Nem Brás Cubas curou o mundo com o seu emplasto contra a melancolia humana, pois morreu antes, de um golpe de ar. Nem a civilização atlante erradicou a melancolia terrestre com poções mágicas e feitiçarias. Ambos se foram e nos deixaram suas memórias. Brás Cubas contou com a pena e o estilo do grande Machado de Assis. A Atlântida, representada aqui por um mero náufrago, dentre os muitos que nela habitavam, faz um simples e humilde paralelo com o gênio literário de Machado de Assis.

Crede descrentes leitores que, muitos de nós temos histórias para contar, bem semelhantes à de Brás Cubas. Se não fosse a amnésia que sofremos a cada encarnação, muitos de nós poderíamos relatar momentos de euforia e pavor, vividos naqueles tempos idos, quando o homem, como está repetindo-se agora, busca a glória passageira, desprezando a eterna.

O tio cônego de Brás Cubas tinha toda a razão. Sábio cônego! O tio general só confirma o que ainda assistimos nos dias de hoje, com a política militarista de cultuar a glória invadindo territórios e matando povos a tiros ou pela fome.

Eu fico a me perguntar, será que teremos de passar por tudo aquilo outra vez? Na certa, Brás Cubas, se reencarnasse entre nós, não teria a mesma pretensão de fabricar uma pomada que curasse os males do mundo. Mas, a civilização corre sério risco de se afogar novamente.

Decifra-me ou devoro-te, a pergunta fica no ar. A ti, meu impulsivo leitor, eu convido a decifrar o enigma. Mas, cuidado, muito cuidado, para não seres devorado.

domingo, 7 de agosto de 2011

TEIA AMBIENTAL - SEGUNDA SEM CARNE

Meus queridos leitores, a Teia Ambiental não é uma ação corporativa, como muitos poderiam julgar. Estamos abertos a todas as tendências e não rotulamos os movimentos que buscam o progresso à custa de prejuízos ambientais. Lamentamos muitos deles, mas entendemos que todos têm o direito de ter suas próprias opiniões e seguir suas crenças, desde que não se oponham às leis. Se suas atividades afetam a qualidade de nossas vidas, cabe à sociedade tomar atitudes e cobrar das autoridades as leis que nos protejam de quaisquer ações danosas à saúde do homem ou da natureza, o que em tese não tem diferença.

A minha opção pelo vegetarianismo não é modismo ou forçada por qualquer seita religiosa, ela tem suas origens num despertar da minha consciência para os efeitos ambientais, que os hábitos da alimentação carnívora acarretam ao planeta. A minha aversão à carne se fortaleceu quando o meu organismo passou a rejeitar espontaneamente o consumo de pratos à base de produto animal.

A economia mundial se sustenta à base da produção e comercialização de produtos com base na carne e seus derivados. E não serei eu que ensinarei a todos o que é bom ou o que não presta para a saúde humana. Que cada um chegue à sua própria conclusão.

Existem, porém, certos hábitos ou vícios que, ainda que legais, prejudicam a vida dos que não os adotam, e a alimentação carnívora é uma delas, senão a mais danosa para a raça humana e para o planeta. Em nível global, nem o fumo, nem o álcool e nem outros vícios causam tamanhos e tão graves desastres ambientais quanto o uso da carne na alimentação.

Com a intenção de alertar os amantes da carne sobre esses riscos, mas sem o intuito de condenar os seus hábitos, foi lançado nos Estados Unidos, em 2003, o movimento denominado Segunda sem Carne, em inglês “Meatless Monday”. A idéia é apenas diminuir o consumo da carne no mundo, com uma simples mudança de hábito, não comer carne às segundas-feiras de todas as semanas. O movimento ganhou uma grande repercussão mundial, quando o beatle Paul McCartney lançou essa campanha na Inglaterra.

Calma meu impulsivo leitor, eu já imagino que, se és carnívoro, estás a esbravejar contra essa censura à carne, e se és vegetariano, deves estar recriminando essa aceitação de que se coma carne em seis dos sete dias da semana. Tudo na vida depende de se criar hábitos, a alimentação carnívora é um hábito muito mais antigo do que o vegetarianismo, e mudanças de hábitos são sempre muito difíceis, e demandam tempo e paciência.

Um cardápio sem carne reduz a ingestão excessiva de colesterol e gorduras saturadas. Uma opção para a carne é adotar-se pratos à base de feijões, incluindo grão-de-bico, ervilha e lentilha. Com isso, aumenta a ingestão de fibras e compostos protetores da saúde. Já lá se vai o tempo em que se acreditava que sem carne, o organismo sofreria com a carência de proteínas. Hoje, um bom prato de feijão com arroz integral supre todas as necessidades que temos de consumir proteínas.

Calma lá, meu carnívoro leitor, não se trata de implicância, há motivos ambientais que sugerem esses sacrifícios para os amantes da carne! E, afinal de contas, é só um dia na semana, deixando, os outros seis, sem restrições.

Pensem bem, sobre os benefícios ambientais que a medida iria promover. A indústria pecuária é responsável por, cerca de, 18% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa. Só o desmatamento causado pela pecuária emite aproximadamente 2,4 bilhões de toneladas de CO2 por ano. E, pior para nós brasileiros, pois ela é a causadora do desmatamento de 80% do bioma amazônico.

Pensemos agora, meu atento leitor, na nossa saúde, pois quanto à melhoria da saúde do planeta, creio eu que não restam dúvidas. Reduzindo-se o consumo da carne, reduz-se a produção, e com isto geram-se os efeitos benéficos à natureza.

Uma dieta sem carne favorece a prevenção de doenças crônicas e degenerativas, como as cardiovasculares, hipertensão arterial, obesidade, diversos tipos de câncer e diabetes. E quem afirma isto, são órgãos conceituados como o Food and Drug Administration e o American Institute for Cancer Research dos Estados Unidos. Estas e outras instituições norte-americanas têm estado preocupadíssimas com o alto índice de doenças, cujas origens são atribuídas ao elevado consumo de carne no país.

Voltemos aos dados estatísticos sobre o que vem ocorrendo no mundo, para saciar a voracidade da sociedade carnívora que prevalece em todos os quatro cantos do mundo. A grande parte dos grãos produzidos mundialmente vai para a alimentação dos animais, incluindo 60% do milho e até 97% do farelo de soja. O mais perverso nisto tudo é que esses grãos poderiam alimentar um número imenso de populações pobres e famintas, enquanto que os produtos animais são consumidos pelos povos mais ricos.

Está comprovada, por estudos recentes, que a carne é uma fonte de alimento ineficiente, num mundo com uma população de um bilhão de pessoas passando fome. E isto ainda se agrava, quando se sabe que a pecuária demanda recursos escassos, como água e terras férteis, que poderiam ser usadas para a alimentação humana.

Diante desse quadro de miséria e fome no mundo, será que tu, meu generoso leitor, se negaria a aderir a essa nobre causa, passando as segundas-feiras sem consumir carne? E nem ouses dizer que somente tu não irás salvar o planeta! As grandes transformações mundiais sempre começaram com pequenas atitudes de poucas pessoas.

Vamos lá, não resiste a este meu pedido, simples na forma de ser atendido, porém de grande repercussão para o futuro da humanidade. Não te peço o vegetarianismo, mas uma simples segunda-feira sem carne. E por que a segunda? Porque foi a idéia do seu criador. Se tu vieres a preferir outro dia, nada contra, mas nas segundas já existem restaurantes que estão retirando a carne dos seus cardápios. E assim já facilita os novos hábitos.

Um dia, meu fiel leitor, eu te conto com mais detalhes porque aderi ao vegetarianismo. Mas, até lá eu me contento em conversar contigo assuntos banais, durante o almoço das segundas-feiras, numa churrascaria que tenha aderido ao movimento da Segunda sem Carne.

Até lá, conto com a tua presença.

Visitem o link oficial da Campanha Nacional.

http://www.svb.org.br/segundasemcarne/