segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TEIA AMBIENTAL - MANTEIGA OU MARGARINA: LATICÍNIO OU LATROCÍNIO

Teia Ambiental - em defesa da saúde!


Meus queridos e fiéis leitores, certas palavras confundem a nossa mente, e outras, nos conduzem a um jogo sonoro interessante, que ajuda a reflexões. Este é o caso das palavras laticínio e latrocínio – uma designa os derivados do leite e a outra, o ato de matar para roubar.

No grupo dos laticínios, encontra-se a manteiga, e no dos latrocínios, o uso de margarina como substituta da manteiga. A manteiga é um produto derivado do leite que vem sendo utilizada há séculos, e que, antes da Revolução Industrial, nunca fora cogitada como prejudicial à saúde.

A margarina surge com as indústrias de produção em massa, em que tudo tem de ser produzido em larga escala, e quanto mais artificial, melhor. A margarina surgiu para combater o consumo da manteiga, que dada à simplicidade da sua fabricação, pode ser fabricada em casa, para o consumo familiar.

Meu ingênuo leitor, não crê nas propagandas enganosas, que alegam benefícios à saúde, pois essas indústrias não ligam a mínima para os efeitos que seus produtos possam causar aos consumidores, desde que estejam protegidas pelas leis. E suas marcas são cuidadosamente licenciadas por Órgãos Sanitários que se importam muito menos com a saúde do corpo do que com a saúde do bolso.

A propaganda negativa contra a manteiga foi uma estratégia natural, usada por essas grandes corporações internacionais que estão costumadas a impor suas verdades à custa de fortunas em publicidade. Campanha semelhante foi promovida pelos Laboratórios contra as propriedades medicinais e curativas das águas minerais.

Valho-me de um dos inúmeros informativos que podemos encontrar na internet, e que comparam as vantagens e desvantagens da manteiga e da margarina. Deve-se, naturalmente, evitar os “sites” das empresas fabricantes, que irão puxar a brasa para as suas sardinhas.

O “site” que eu vou mencionar, e até podia usar outros, é o da nutricionista Ana Rosa, denominado Laboratório da Nutricionista, no qual ela faz uma comparação entre a manteiga e a margarina.

Segundo a nutricionista, alguns estudos evidenciam que comer margarina, em lugar da manteiga, aumenta em 53% o risco de desenvolver doenças coronarianas, principalmente nas mulheres. Afirmam os mesmos estudos que, a margarina aumenta em cinco vezes a possibilidade de contrair um câncer.

E, o que poucos sabem, porque a mídia pouco divulga, já que os grandes anunciantes são fabricantes de margarinas, e não de manteigas, é que a margarina, ao contrário do que se costuma imaginar, aumenta o colesterol ruim, o LDL, e diminui o bom, o HDL. A manteiga, principalmente as mais naturais, conhecidas como “manteigas da terra”, pelo contrário, não aumenta o colesterol.

Aumenta o teu espanto, caro leitor, pois ainda te reservo mais surpresas. A manteiga é naturalmente rica em “omega6”, um tipo de gordura essencial ao nosso corpo. A manteiga aumenta a absorção de alguns importantes nutrientes, como as vitaminas A – D – E - K, presentes em outros alimentos, além de ser fonte natural de algumas dessas vitaminas. Na margarina, todas as vitaminas são adicionadas industrialmente.

As pessoas se deixam influenciar pela publicidade, que afirma o que bem entende, até porque alegam pesquisas que ninguém confere. O resultado é que se repetem falsas verdades, com base em verdades falsas, divulgadas pela mídia, sem nenhum outro comprometimento, que não a conta publicitária do fabricante de margarinas.

Quem tiver estômago forte, pode ler a composição das margarinas, e tentar entender o motivo pelo qual eu incluo este texto na Teia Ambiental. Saúde também é ecologia, e manter o organismo limpo e puro também é uma preocupação ambiental.

Existem diversos “sites” que explicam a composição das margarinas, mas é só consultar o “site” Wikipédia, que se tem uma noção de onde os consumidores de margarina estão metidos.

Não vou te frustrar, meu leitor, e deixar-te sem uma idéia desses componentes, ainda que te recomende consultar a internet para maiores detalhes sobre as margarinas. Muitos desses elementos, eu não os conheço, nem jamais ouvi falar. Repito-os, e nada mais. Note bem, para que não se confunda, quando for perguntar ao seu médico, o motivo dele recomendar a margarina e não uma simples manteiga, produzida com creme de leite e sal.

As margarinas são compostas em suas essências por gorduras vegetais hidrogenadas, sebo de animal, ácido sulfúrico, leite de vaca, soda cáustica, ácido benzóico, ácido butil-hidro xitolueno, galato-propila, corante artificial, aromatizantes artificiais, antioxidantes artificiais, estabilizantes artificiais, vitamina A sintética e muitos outros produtos químicos. Segundo é informado, o uso do butil-hidroxitolueno é para quebrar as estruturas do sebo do boi e conservar a mistura, sendo um componente considerado altamente prejudicial à saúde.

Meus conscientes leitores raciocinem comigo. Como uma mistura explosiva desta pode ser mais saudável do que uma simples e doméstica manteiga? Como pode um médico ser capaz de receitar a substituição da manteiga por margarina, por conta de redução de colesterol. O que já se sabe que não é verdade.

As empresas de margarinas gastam fortunas para vender uma pasta artificial que promete uma saúde artificial. As agências de saúde não estão nem aí, para as porcarias que estão sendo lançadas no mercado, por empresas de projeção internacional que se vangloriam de produzir qualidade. Os governantes não se preocupam em orientar o povo, que acaba se deixando levar pela publicidade enganosa.

A margarina não é nenhuma descoberta moderna e revolucionária para proporcionar mais saúde, e quem pensa assim, não sabe o erro que está cometendo. Em 1860, o imperador Napoleão III da França ofereceu uma recompensa a quem conseguisse encontrar um substituto satisfatório e mais barato para a manteiga, que pudesse atender às classes sociais mais baixas e ao exército. O químico Hippolyte Mège-Mouriés inventou uma substância a que chamou oleomargarina, e mais tarde somente margarina, preparada com gordura de vaca, cuja porção líquida era extraída sob pressão e depois solidificada, em combinação com butirina e água.

Assim, veio a surgir essa falsa manteiga, um subproduto animal, preparado de um modo simplório e com o único objetivo de servir de alternativa barata e popular, para a tradicional manteiga. A sofisticação da margarina, como sendo um produto mais saudável do que a manteiga somente surgiu com a febre de novidades industrializadas, que tomou conta de uma sociedade que tenta escapar das doenças, mas cuja má alimentação nega essa intenção.

Agora, meus leitores, digam-me se estou errado, quando classifico como latrocínio, o que fazem essas empresas gigantescas que tentam impor verdades, à custa de publicidade enganosa e de subprodutos danosos à saúde. Elas matam e roubam. Matam, pois entregam ao consumo autênticos venenos, e roubam, pois enganam o incauto consumidor, que paga muito mais caro por produtos de má qualidade. Poluir o corpo da humanidade também é uma forma de agressão ambiental.

Não se deixem enganar, meus iludidos leitores, as propagandas são quase todas, senão todas, bem articuladas mentiras, que só têm um objetivo, o de vender. Se os efeitos do uso ou do consumo do produto anunciado ameaçam a saúde ou à vida, as instituições envolvidas não estão nem aí para isso.

Cuidado, com o que comem! O produto pode ser autorizado para consumo, mas pode não ser apropriado. E quem decide o que presta e o que não presta somos nós. Mesmo porque, por trás de todas as porcarias consideradas boas para consumo existem certificados de inspeção, que acabam comprovando que o nosso organismo é que não presta.

Eu prefiro os laticínios, pois prezo o meu corpo, e não me deixo enganar por modismos.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

A RELIGIÃO DAS RELIGIÕES

Meus devotos leitores, no meu sacro-ofício de falar da espiritualidade oculta, eu me exponho uma vez mais à ira dos fanáticos e insensatos crédulos, que na sua insana crença religiosa, julgam sua fé inatacável e a sua religião a única que conduz a Deus.

Fanatizados pelo medo e pelas ameaças dos seus líderes, esses amedrontados devotos desconhecem as origens das diversas religiões espalhadas pelo mundo. E por desconhecer a História, eles se julgam os únicos abençoados pelas graças divinas, e, nessa ingênua crença, saem a atacar e a ameaçar os que professam outras crenças.

A origem do termo RELIGIÃO vem do latim, e tanto poderia ser uma derivação da palavra RELIGIO, que quer dizer “reverência pelos deuses e respeito pelo que é sagrado”, como do verbo RELIGARE, que se traduziria de uma forma livre como ”religar o ser humano a Deus”.

A missão de qualquer religião, portanto, é convencer a criatura humana a refazer o caminho sagrado, que nos conduz a Deus, e que, por diversos motivos, possa ter sido abandonado ao longo da jornada da vida.

De acordo com este princípio, a função precípua de uma religião é harmonizar, em cada um dos seus seguidores, a condição humana com a origem divina, especialmente naqueles que se sentem infelizes ou desesperançados. O desespero, por não ver sentido na vida, aliado ao sentimento depressivo, diante de fracassos e decepções, provocam desânimos e descrenças, e é nesse momento que surge a religião como a bóia de salvação para os náufragos do Espírito.

No mundo de hoje, poucos são os que buscam as religiões para se doar e se dedicar a servir seus irmãos, assumindo a verdadeira função do religioso, de ajudar os materialistas a se religar ao seu aspecto divino. A maioria só se lembra da religião quando passa por apertos e sofrimentos, e a busca de milagres é vista como a única salvação.

Desta forma, os templos e igrejas estão povoados com religiosos e crentes que esperam mais receber do que dar, em que a presença divina em suas vidas passa a ser uma empreitada obsessiva de catequizar e impor suas crenças, como uma forma de fortalecer a sua religião perante a sociedade. Isto, nada tem a ver com Deus, mas somente com a vaidade e o egoísmo humanos.

No ocidente, o Cristo é considerado o único Filho de Deus, ainda que Ele mesmo tivesse negado essa exclusividade, em conversa com seus apóstolos. No oriente, Buda é a salvação, é se desconhece a divina missão do Cristo.

Entre esses extremos, ainda temos os seguidores de Krishna e os de Maomé. Testemunhas de Jeová e Mórmons completam esse meu quadro de religiosos em conflito, na tentativa de provar suas verdades, e não a Verdade.

Dedicarei, daqui em diante, esta minha reflexão a Buda e a Cristo, que expressaram, mesmo em épocas diferentes, as mesmas verdades básicas, só que de formas distintas. Alice Bailey, em sua obra sobre o cristianismo, denominada Do Belém ao Calvário, menciona um parágrafo do livro “Religion in the Making, de A. N. Whitehead, que afirma:

“O budismo e o cristianismo derivam, respectivamente, de dois inspirados momentos da história: a vida do Buda e a vida do Cristo. O Buda deu Sua doutrina para iluminar o mundo; o Cristo deu Sua vida”.

Podem esses seres iluminados, que nos legaram doutrinas sagradas de divina sabedoria, ter suas divindades negadas, por meros religiosos, que no seu fanatismo e ignorância teimam em não reconhecer a um e ao outro como verdadeiros Filhos de Deus? Quem são esses sacerdotes e escribas hipócritas, que afirmam o que desconhecem?

Meus pacientes leitores, eu não costumo tomar partido, a favor e nem contra qualquer religião, admiro-as a todas, desde que cumpram suas sagradas missões de religar o homem a Deus, ou a respeitar o que é sagrado. Mas, também não me calo quando vejo que cegos insistem em querer guiar cegos.

Os escritos mais antigos, muitos deles do perfeito conhecimento dos mandatários das grandes religiões do mundo, profetizam para os tempos futuros uma única religião mundial - a religião das religiões. O ecumenismo cristão tentou dar uns passos nessa direção, mas foram tímidos movimentos, mais voltados para assumir o poder central, do que em criar um consenso em torno das diversas manifestações de fé a um único Deus.

Quem se dedica a estudar essas religiões espalhadas pelo mundo percebe que elas são diversidades em torno da Unidade Divina, em que interesses humanos separam e impedem a aproximação dos seus vários seguidores, mantendo-os afastados, dissociados e eternos rivais. Alegando conflitos de dogmas, posturas ou meras tradições, essas religiões vêm fomentando guerras e cometendo crimes contra a Humanidade e contra Deus, o que, segundo o Cristo, é a mesma coisa.

A História das Religiões, segundo afirma Alice Bailey, deveria conduzir a criatura humana ao reconhecimento de que, ainda que haja muitos mensageiros, existe uma única Mensagem. A Mensagem do Cristo foi a que veio consumar todas as mensagens anteriores, que foram transmitidas por outros Filhos de Deus, tão divinos em suas origens quanto Ele.

Buda foi o Grande Instrutor do Oriente e o Cristo o Salvador do Ocidente. Mas, fica no ar a pergunta: “Será que o Oriente aprendeu o que foi ensinado por seu Instrutor e o Ocidente se salvou com o sacrifício do seu Salvador?”

A resposta está diante dos nossos olhos, na tela da TV ou do computador. Uma ou outra atitude do Papa, e algumas ações mais ousadas do Dalai Lama, não conseguem sensibilizar os religiosos, que mantêm suas rivalidades.

Alice Bailey acreditava que o Buda preparou o mundo para receber o Cristo, com a sua mensagem e a sua missão salvadora. O mesmo se poderia dizer de Grandes Seres como Pitágoras e Platão, na Grécia, Krishna, na Índia e Lao Tzé, na China. Em várias épocas diferentes, esses Mestres encarnaram entre os humanos trazendo mensagens divinas que foram esquecidas com o tempo, ou usadas como armas para atacar e condenar os seguidores de outras crenças.

Meus atentos leitores, a triste realidade é que passados séculos e milênios, os religiosos ainda queimam seus desafetos na fogueira das vaidades ou queimam imagens de santos na sua intransigência religiosa. Ninguém parece ter entendido nada do que seus líderes religiosos deixaram como mensagens.

Até quando, tu ainda insistirás em convencer o teu irmão que a tua religião é a única que conduz a Deus? E tu que estás pensativo, por que não abraças o teu irmão e assiste uma missa ao lado dele e, depois, vão juntos à tua congregação ouvir a palavra do teu pastor?

E tu, bondoso judeu, o que estás esperando para freqüentar a mesquita do teu vizinho palestino e lá ouvir trechos do Alcorão, e, depois, levá-lo ao teu templo de orações, e pedir ao teu rabino que interprete para ambos, os ensinamentos do Torá?

Até quando, os homens continuarão a matar em nome de Deus? Como se pode falar em Deus, no meio do ódio e de assassinatos de velhos, mulheres e crianças? Os tempos são outros, mas as atitudes pouco mudaram. As Cruzadas já não têm mais sentido e a Inquisição foi reconhecida pela Igreja Católica como uma mancha negra na sua história. Mas, as rivalidades permanecem.

Dentro de mais algumas décadas, ou séculos, uma nova crença estará unindo os sobreviventes dessa humanidade suicida, que mata os seus irmãos e se mata, em nome de um Deus amoroso e protetor. Não mais existirão religiões, mas uma só religião que pregará o amor de todos por todos. Os Filhos do Homem serão todos potencialmente Filhos de Deus. E a religião das religiões surgirá revelando os segredos e mistérios da Natureza.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

TEIA AMBIENTAL - USINA NUCLEAR, NUNCA MAIS!





Teia Ambiental - em defesa da vida!

USINA NUCLEAR, NUNCA MAIS!

Meus amáveis e fiéis leitores, este seria o brado heróico que gostaria de ouvir do povo brasileiro – USINA NUCLEAR, NUNCA MAIS! Mas, não é em bom português que essa frase vem ecoando no mundo, mas em idiomas que jamais esperávamos ouvir, pronunciando esse grito de revolta.

Ouço os alemães berrarem nas ruas contra as Usinas Nucleares, e sou informado que na Alemanha, daqui para frente, elas não serão mais construídas. E as que já existem serão desativadas até 2022.

Agora há pouco tempo, no dia 19 do mês de setembro, leio a notícia que sessenta mil cidadãos japoneses enfurecidos foram às ruas protestar contra o uso da energia nuclear no país. Os manifestantes foram exigir do novo primeiro-ministro que suspenda os investimentos em energia nuclear.

Esses povos são reconhecidos como frios e ordeiros, e avessos à baderna e aos protestos. Se esses foram para as ruas, e estavam a cobrar das autoridades que parassem com essas atividades nucleares, certamente não se tratava de uma manobra política ou reivindicações econômicas.

Essas pessoas estavam lutando pela sua sobrevivência e a de todos nós, que habitamos neste planeta. Os japoneses estão pouco acostumados com protestos que levem tanta gente para as ruas. Acontece que a paciência desse pacato povo oriental chegou ao limite após o desastre de Fukushima, que juntou um abalo sísmico violento com um tsunami arrasador.

Uma grande área em torno dessa usina ainda está contaminada e a radiação está penetrando nos organismos desses japoneses, pelo ar, pela água e pelos alimentos. E ainda tem governante com a petulância de falar em progresso e crescimento econômico, apoiados em energia nuclear! É um desrespeito que passou do limite suportável para o ordeiro povo japonês.

O governo japonês anunciou um plano de reduzir a produção de energia nuclear no país, mas esse projeto levará décadas. E enquanto isso o povo continuará correndo os mesmos riscos de sempre, sem nenhuma segurança de que outros desastres semelhantes não voltarão a acontecer.

A reação japonesa, surpreendente, é verdade, mas perfeitamente coerente e justa, não foi de protesto, mas de indignação e revolta, que é bem mais do que um simples ato formal contra uma lei ou uma decisão governamental. O povo continua exposto à radiação, a usina de Fukushima continua contaminando ares e mares, adoecendo e condenando à morte milhares de cidadãos, e o governo anuncia que vai apenas reduzir o uso de energia nuclear!

Meus pacientes leitores, não há calma oriental que agüente! Os sessenta mil japoneses gritaram e se rebelaram em nome de todos nós, habitantes do planeta Terra. Que seres são esses que governam os povos? Onde eles pretendem chegar? Não se trata de um protesto japonês contra os governantes japoneses, mas de uma revolta de toda a humanidade contra essa visão curta das elites do poder.

As autoridades alemãs já definiram data para fechar suas usinas nucleares. Se elas cumprirão os prazos prometidos, ninguém pode saber, mas os cidadãos alemães já mostraram aos seus governantes que não estão de brincadeira.

E nós, meus leitores brasileiros, e nós! Até onde irá essa empáfia de nossos técnicos e autoridades, garantindo a expansão das usinas de Angra dos Reis, com a mais absoluta segurança.

A quem esses colarinhos brancos ou cinzentos pretendem enganar? Eles estão falando de usinas compradas na Alemanha, as mesmas que serão desligadas com prazo marcado, porque lá elas oferecem alto risco ao povo alemão.

E tu acreditas que a usina que é uma ameaça lá, será segura por cá? Não, tu não és tão ingênuo assim! Ou, se insistires, eu te verei como mal intencionado, com algum interesse escuso por trás dos panos.

Milhares de alemães foram às ruas dizendo não às suas usinas nucleares. E nós brasileiros as aceitamos calados, como se fosse uma fatalidade. Quantos de nós ainda precisaremos sensibilizar essa elite do poder que nós entendemos que progresso é qualidade de vida e segurança! Dinheiro é bom, quando não ameaça a vida da gente.

Pobres de nós, até quando continuaremos a eleger e a sustentar quem só pensa em si, e não está nem aí para os riscos que corremos, quando tomam essas decisões que nós, cidadãos, rejeitamos, mas que fogem do nosso controle!

As usinas alemãs serão desligadas, para garantir a segurança do povo alemão. As usinas alemãs serão instaladas no Brasil, para o progresso econômico do povo brasileiro. Tu entendes essa decisão, meu nobre leitor? Nem eu. Ou melhor, nós entendemos, só precisamos saber quem sairá ganhando pondo em risco a vida de brasileiros.

Ou será que os nossos alemães de cá são mais competentes do que os alemães de lá! A nossa Teia tem que tecer tramas entre os brasileiros mais conscientes, para que esses fios que irão colocar nossas vidas em risco jamais sejam ligados.

Vê se te liga meu atento leitor, te liga!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O EXAGERADO SENSO CRÍTICO DO NÚMERO 3

Meus assíduos leitores, tenho-vos deixado sem matéria nova por mais tempo do que gostaria, porém está difícil conciliar os mapas com os cursos e com as postagens. Mas, com jeitinho e boa vontade, eu encontro uma forma de escapar dos rigores dos deveres para uns breves momentos de convívio e de prazeres.

Os rigores são os compromissos assumidos que me põem a trabalhar com prazos. Os prazeres são os efeitos de umas escapadelas desses rigores, para um mergulho no mundo incoerente no qual prevalecem as exageradas críticas da criatura humana.

No mundo crítico e incoerente, eu me encontro com essas simpáticas e bem humoradas criaturas inspiradas pelo número 3. Elas são inspiradoras e criativas, brincalhonas e excelentes companhias, mas que não as deixemos destravar a língua para criticar algo ou alguém.

As energias do número 3 são geradoras das artes e dos artistas. Sem elas, o mundo ficaria destituído de encantamento e beleza, sem brilho e sem cor. Elas fazem as pessoas mais felizes e povoam os ambientes sociais com seus risos e rosas. Elas trazem consigo o perfume e a cor das flores, e são capazes de combinar tudo isso numa métrica perfeita de um poema de amor ou de uma sátira inesperada.

As personalidades sob a influência do número 3 são extrovertidas e bem falantes, soltam o riso em sonoras gargalhadas ou deixam escapar um sorriso irônico de canto de boca, enquanto remexem os olhos de modo que falam mais no olhar do que com a boca. Com elas, todos riem e se divertem, perdendo a noção do tempo e atropelando compromissos.

Os artistas, porém, se travestem em críticos, numa fração de segundos. Da oratória construtiva e brincalhona, elas são capazes de tomar um rumo desastroso, às vezes, desastrado, para a crítica mordaz contra uma idéia, uma obra ou um pobre coitado que não caiu nas suas graças.

Elas falam demais, e por terem argumentos inesgotáveis, qualquer que seja a temática em questão, as críticas viram acusações e se concluem em veementes condenações. De agradáveis e simpáticas companhias, elas podem tornar-se numas chatas e cansativas falastronas.

O senso crítico do número 3 é exagerado, ainda que coerente e consistente com suas razões. Os motivos poderão ser reconhecidos e aceitos, mas injustificáveis são a veemência e o tempo gasto nas críticas. A ironia e o deboche estão quase sempre presentes nos discursos dessas criaturas sociáveis e irritadiças.

Convide-as para um bate-papo, nunca as deixe fora de suas festas e reuniões, mas controle a sua fala. Se ela gosta de alguém ou de alguma coisa, certamente irá exaltar valores que nem todos serão capazes de entender ou perceber. Mas, se houver restrições ou implicâncias, seria melhor mudar de assunto, antes que surja uma enxurrada de adjetivos condenatórios.

A sensibilidade das energias do número 3 faz dessas criaturas verdadeiros artistas, assumidos publicamente ou incorporados apenas para os mais íntimos. O romantismo que alimenta os seus sonhos dá-lhes a pena literária e o papel em branco a ser preenchido em centenas de páginas recheadas de paixões e sofrimentos. O rigor à forma e à letra faz delas censores rabugentos que se apegam a pontos e vírgulas para condenar o que só merecia umas breves aspas, e nada além.

Sofrem essas criaturas alimentadas pela energia do número 3, ao construir uma obra perfeita e ao desconstruir uma idéia mal começada. Elas querem obras perfeitas, e mais do que isso, se rebelam e destroem as imperfeitas.

Essas atitudes, algumas vezes, são confundidas com as críticas de quem traz em si o perfil introspectivo e intelectualizado do número 7. A diferença é que se os artistas falam demais se expondo publicamente e não tendo o senso exato do seu exagero; os intelectuais usam o crivo do seu perfeccionismo para desprezar, desconhecer e se calar, diante do que é considerado destituído de valor.

Agora, pensa bem, meu atento leitor, como controlar os exageros desses artistas, se são eles que animam e encantam as festas? Calá-los, seria tirar o brilho das festas. Deixá-los destravar a língua, pode dar uma bruta confusão. Convidar só intelectuais e místicos seria celebrar muito mais um ritual do que uma festa.

Corre-se o risco, e vê no que vai dar? Censura-se a lista de convidados? Ou se reza para todos os santos, para que não surjam temas de discórdia que despertem a vocação promotorial desses oradores que não sossegam enquanto não condenam o réu das suas implicâncias.

Deixo-te a refletir, meu consciente leitor. Faço votos que encontres a solução ideal para o enigma proposto. E depois é só esperar as conseqüências. Mas, lembra-te bem que, as festas sem as presenças das artísticas, comunicativas e divertidas criaturas de número 3 perdem em brilho, beleza e cor.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TEIA AMBIENTAL - A ORIGEM DA POLUIÇÃO

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Meus queridos leitores, por mais uma vez, estaremos nós, a falar de poluição. Mas, o que fazer se vivemos sob a permanente ameaça desse monstro ambiental que põe nossas vidas em risco!
O que é a poluição? Será que sempre se falou de poluição? Ou será que o termo é mais um modismo dentro do progresso? Será que existe mesmo o risco? E, se existe, quando e como tudo começou?
Escolhi o livro do futurólogo Alvin Toffler, A Terceira Onda, para ilustrar a nossa reflexão. No livro, o autor nos remete à transição entre a Primeira e a Segunda Onda, para que melhor possamos entender a razão do surgimento da poluição. É claro que estou a me referir a um tipo específico de poluição, a poluição ambiental!
Antes de prosseguir, é indispensável explicar como o autor conceitua essas duas Ondas, na história da civilização moderna. A Primeira Onda, segundo ele, está relacionada ao ciclo agrícola, e a Segunda, ao industrial. A Terceira, que seria a atual, pode ser compreendida como um ciclo tecnológico ou da informatização, com todas as imensas transformações no comportamento da raça humana.
Afirma Alvin Toffler que, a condição prévia de qualquer civilização, velha ou nova, é a energia.


A diferença, porém, entre a sociedade da Primeira Onda e a da Segunda é que, na Primeira a energia era obtida de “baterias vivas” – potência muscular humana e animal – ou do sol, do vento e da água. Tratava-se de energia renovável e, principalmente, de energia limpa ou não poluente.
Rodas hidráulicas faziam girar pás de moinho. Nos campos rangiam moinhos de vento. Os arados eram puxados por animais. Florestas eram cortadas para a cozinha e o aquecimento. Percebeste meu atento leitor que, todas essas fontes de energia eram renováveis? A natureza renovava tanto as árvores cortadas, como o vento que enfunava as velas e os rios que faziam girar as rodas de pás. Os animais e as pessoas também eram substituíveis ou renováveis.
Com o evento da Segunda Onda, o ciclo industrial, as sociedades começaram a extrair sua energia do carvão, gás e petróleo – combustíveis fósseis não renováveis. A civilização, assim, começou a consumir o capital da natureza, e não mais o rendimento que ela oferecia. As nações passaram, então, a construir altas estruturas tecnológicas e econômicas, na pressuposição de que os fósseis baratos seriam inesgotáveis.
Tu estás certo meu lúcido leitor, eu estou a falar do limiar da Revolução Industrial, de uma época em que o progresso econômico mundial ganhou uma enorme aceleração, e com ele as primeiras ameaças de poluição. No início, tímidas e quase imperceptíveis, mais tarde, incontroláveis e ameaçadoras.


Uma nova tecnologia surgiu, alimentada por um novo sistema de energia, abrindo as portas para a produção em massa. Dos grandes centros industriais passaram a sair intermináveis milhões de produtos idênticos, exigindo a modernização do sistema de transportes e distribuição.
Durante a Primeira Onda, as mercadorias agrícolas eram transportadas por tração animal e produzidas uma de cada vez, sob encomenda, e também distribuídas individualmente para cada comprador. Diante dos grandes volumes produzidos, a partir da chamada Revolução Industrial, as rudimentares formas de comunicação e os primitivos meios de transporte passaram a restringir o mercado. A Segunda Onda transformou cada limitação numa ilimitada expansão, abrindo linhas de transporte por estradas de ferro e rodovias, e incentivando o surgimento de complexas redes atacadistas, varejistas e as famosas lojas de departamentos.



Acredita atento leitor, que estás diante da história do início da poluição ambiental. Antes da Revolução Industrial, a energia renovável, e após a Segunda Onda, a utilização de fontes não renováveis. Durante a Primeira Onda, a produção de um lixo controlável, sendo boa parte absorvida pela natureza e transformada em matéria orgânica. Com o advento da Segunda Onda, o início do consumismo e do desperdício, com uma produção crescente e sem limites, promovendo a substituição do usado pelo novo, e gerando um lixo incontrolável.
A onda poluidora e ambientalmente destrutiva não para por aí. Durante a Primeira Onda, quando a agricultura predominou, as pessoas viviam em grupos familiares, formados por tios, avós, primos e agregados, todos vivendo sob o mesmo teto e trabalhando juntos. Com a Segunda Onda, a produção econômica deslocou-se do campo para a fábrica, e com isso, a família não mais trabalhava junta.
O resultado mais imediato foi o conflito e a tensão entre os membros da família, se opondo à autoridade patriarcal. Era preciso construir novas casas para abrigar esses dissidentes, que saíam da casa dos pais ou parentes, e iam trabalhar por conta própria em fábricas ou no grande comércio distribuidor dos novos produtos.



A necessidade de novas moradias expandiu o mercado de construção, e com isso sofreram as áreas até então preservadas, fazendo surgir vilas industriais onde antes corriam rios e cresciam árvores. A devastação das florestas, para o corte da madeira, cresceu. Os resíduos deixados para trás, após a conclusão das obras, foi tomando conta do solo. Os dejetos das novas residências, num volume até então jamais imaginado, passou a ser lançado em córregos e lagos, ou simplesmente em fossas e valas.
As chaminés das fábricas, incentivadas pelo consumismo exacerbado, lançavam fumaça no ar e resíduos tóxicos nos antigos mananciais que, antes, saciavam a sede das populações rurais. E tudo isso cercado de uma ingênua e irrefreável euforia. Quem poderia sonhar com todos os efeitos poluidores e devastadores, num futuro distante?
Acredito, sinceramente, meus leitores conscientes e inteligentes, que o progresso é realmente inevitável, mesmo quando promove poluição, doenças e desgraças. Mas, fechar os olhos para suas nefastas conseqüências, quando são identificadas e catalogadas como causadoras da destruição da qualidade de vida e da contaminação do corpo físico da criatura humana, é de uma irresponsabilidade estúpida e insana.
Estamos, no momento, penetrando na Terceira Onda, quando o progresso tecnológico deverá corrigir os desvios provocados pela Revolução Industrial, e promover uma expansão econômica e produtiva mais coerente com a saúde do planeta e da civilização que o habitará nos próximos milênios. A repetição dos erros cometidos na Segunda Onda poderá ser fatal às gerações futuras.
Deixo-vos, agora, a refletir sobre as prioridades para as próximas décadas, quando estará em jogo o futuro da humanidade. Deixar-se seduzir pelo poder criativo da mente humana, sem levar em consideração os seus anseios espirituais, seria uma tolice lamentável. Colocar os lucros e as conquistas materiais acima da segurança e do bem estar coletivo, seria o caminho mais rápido para sucessivas desgraças ambientais.



A humanidade precisa assumir suas responsabilidades o quanto antes, deixando de ser comodista e preguiçosa, e tratando de fazer o trabalho que compete a cada um. Chega de pedir milagres a Deus, para protegê-la de perigos por ela mesma provocados. O mundo não vai acabar em 2012, mas a humanidade, se prosseguir poluindo o planeta e agredindo suas reservas naturais, poderá desaparecer muito antes do que se imagina. E não haverá Deus que a proteja se não souber usar seus poderes divinos, que foram recebidos desde a criação.
Agora, que já sabeis a origem da poluição que contamina os nossos pulmões e de onde vêm os resíduos tóxicos que contaminam o nosso sangue, tratais de fazer a vossa parte. Ninguém poderá continuar a contaminar o planeta, se vós não fordes cúmplices, por adquirir todo o lixo que é produzido e despejado nas lojas. Não comprais o supérfluo, para que, no dia seguinte, não se transforme em lixo. Não troqueis vossos aparelhos eletrônicos, só porque novos modelos foram lançados no mercado, antes de escolherdes sobre a destinação correta que será dada aos equipamentos usados.



Pensai bem, meus cuidadosos leitores, que de nada adianta saber as causas, se não souberdes lidar com os efeitos. Aprender com o passado é um ato de sabedoria. Antes que a Terceira Onda acabe por devastar o que a Segunda Onda começou, está na hora de usar a tecnologia e a informatização para curar os males antigos e preservar a saúde futura.
E, não podes omitir-te ingênuo leitor, tu és uma das peças desse quebra-cabeça, que precisa ser decifrado, e quanto antes, melhor. Reduze o que consomes, reaproveita o que substituíste e recicla o que já não te é mais útil. E não fica esperando pelos outros, para começar. O tempo está se esgotando.




quarta-feira, 17 de agosto de 2011

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE UMA CIVILIZAÇÃO



Meus queridos leitores, eis-me a divagar sobre um tema insólito, muito bem explorado pelo gênio de Machado de Assis, e que imito e não me limito apenas ao tema, mas copio também o estilo narrativo do mestre das letras.

Em seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis emprega uma técnica narrativa “sui generis”, inicia as memórias pela morte, fugindo do uso vulgar de começar pelo nascimento. E, para começar, ele dá um breve espaço ao defunto autor que, antes do capítulo inicial, afirma que escreveu suas memórias com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. E não será outro o meu estilo, amável e paciente leitor, para narrar estas memórias de uma civilização afogada, de que falo no título.

Dito isto, e copiando o mestre, afirmo que expiramos há mais de 10.000 anos, quando a ilha que restara do grande continente em que habitávamos, desapareceu no fundo do Oceano Atlântico. Lembro-me que, assim como nos dias de hoje, alimentávamos a pretensão de que éramos controladores da natureza, e dela poderíamos usurpar o que bem entendêssemos.

Não me recordo a que horas, mas não estaria mentindo, talvez, enganando-me, se seguisse o defunto Brás Cubas, e indicasse para o nosso naufrágio, a “causa mortis” da civilização atlante, as mesmas duas horas da tarde de uma sexta-feira. Eu não me recordo que idade tinha, mas isto pouco importa, se naufraguei com ela, e despertei livre dela, numa encarnação seguinte.

Morremos afogados, no atestado de óbito planetário, mas, a verdadeira causa da morte foi uma triste empáfia da civilização que julgava ter descoberto a fórmula de dobrar o poder divino às suas vaidades e mazelas. Assim como acontece nos dias de hoje, os atlantes confiavam na sua ciência para conquistar o universo.

Brás Cubas morreu menos de pneumonia do que de uma idéia grandiosa, e o mesmo aconteceu com a civilização atlante, retirando a pneumonia e deixando somente a idéia. Num certo momento da história da nossa civilização, pendurou-se uma idéia no trapézio do circo em que havia sido transformada a progressista civilização atlante.

Uma vez pendurada, assim como a idéia de Brás Cubas, ela começou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas, até que, num determinado momento, ela deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até a forma de um grande X: decifra-me ou devoro-te.

Essa idéia não era um emplasto, anti-hipocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade, mas era quase a mesma coisa, sem as caixinhas de remédio. A civilização julgou ter encontrado a solução para todos os males humanos, desprezando o poder que fugisse das mãos humanas, para só valorizar e exaltar a glória científica.

Meus atentos leitores, eu vos confesso que não me orgulho nem me constranjo por extrair de Brás Cubas a afirmação de um tio seu, um cônego, que dizia convicto que o amor à glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Outro tio, oficial de infantaria, retorquia que o amor à glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, a sua mais genuína feição.

Não contradigo nem um nem outro, pois a morte da nossa civilização se deu com a confirmação de ambas as afirmações. A pretensão à glória foi causa verdadeiramente humana que arrastou toda a civilização atlante a se render à glória eterna, de um poder superior que traça os rumos da evolução cósmica.

Deus te livre, meu leitor, de uma idéia fixa, antes uma trave no olho. Era fixa a idéia da civilização atlante que tudo podia acima do destino, que, se existisse de fato, não passava de um servo da vontade humana. E, assim como pedia Brás Cubas, na sua sabedoria de autor defunto, que tu não fiques a me torcer o nariz, caro leitor.

Retifica o teu nariz, exigente leitor, e tornemos ao nosso emplasto, que, diferente do de Brás Cubas, não matou de pneumonia um só indivíduo, mas acabou com toda uma civilização e afundou um continente.

À semelhança de Brás Cubas, que recebeu um golpe de ar, quando se ocupava de apurar a sua invenção, a civilização atlante recebeu um golpe, não só de ar, mas também, e principalmente, do mar. Lá se foi para o fundo do oceano, a idéia da glória de quem se julgou maior que o Criador, almejando pelo mental, desprovido do espiritual, recriar o planeta, e quiçá o universo inteiro.

E por que te conto isto, meu curioso leitor? E por que menciono o emplasto do Brás Cubas, e as suas memórias póstumas? E o que isto tem a ver com o desaparecimento da Atlântida? Vaidades, meu modesto leitor, vaidades!

Assim como Brás Cubas pretendia resolver um problema crônico da humanidade, a eterna melancolia, a civilização atlante tinha a pretensão de solucionar a mesma fraqueza, não com emplasto, mas com magias e obsessões, mexendo com energias mais proibitivas do que as maçãs do Paraíso.

Brás Cubas sofreu um golpe de ar. A civilização atlante, um golpe do mar. Brás Cubas foi para baixo da terra. A Atlântida para o fundo do mar. Agora, tu percebeste a relação, atento leitor?

Ah, e como dizia o tio cônego de Brás Cubas, tudo por amor à glória! Ou será que mais do que almejar a glória, a nossa civilização afundada ambicionou a glória eterna? E na ingenuidade humana, a ela foi conduzida, sem convites e sem recomendações.

Na véspera, a expansão da ciência e os planos de dominar o universo. No dia, o naufrágio. No dia seguinte, um novo oceano, ocupando o espaço, onde antes habitavam os pretensos senhores do mundo.

Nem Brás Cubas curou o mundo com o seu emplasto contra a melancolia humana, pois morreu antes, de um golpe de ar. Nem a civilização atlante erradicou a melancolia terrestre com poções mágicas e feitiçarias. Ambos se foram e nos deixaram suas memórias. Brás Cubas contou com a pena e o estilo do grande Machado de Assis. A Atlântida, representada aqui por um mero náufrago, dentre os muitos que nela habitavam, faz um simples e humilde paralelo com o gênio literário de Machado de Assis.

Crede descrentes leitores que, muitos de nós temos histórias para contar, bem semelhantes à de Brás Cubas. Se não fosse a amnésia que sofremos a cada encarnação, muitos de nós poderíamos relatar momentos de euforia e pavor, vividos naqueles tempos idos, quando o homem, como está repetindo-se agora, busca a glória passageira, desprezando a eterna.

O tio cônego de Brás Cubas tinha toda a razão. Sábio cônego! O tio general só confirma o que ainda assistimos nos dias de hoje, com a política militarista de cultuar a glória invadindo territórios e matando povos a tiros ou pela fome.

Eu fico a me perguntar, será que teremos de passar por tudo aquilo outra vez? Na certa, Brás Cubas, se reencarnasse entre nós, não teria a mesma pretensão de fabricar uma pomada que curasse os males do mundo. Mas, a civilização corre sério risco de se afogar novamente.

Decifra-me ou devoro-te, a pergunta fica no ar. A ti, meu impulsivo leitor, eu convido a decifrar o enigma. Mas, cuidado, muito cuidado, para não seres devorado.