Meus queridos leitores, estamos no limiar de uma nova era, de um admirável mundo novo, um mundo sem energia nuclear. Os mais progressistas não me tomem por avesso ao progresso, nem por um saudosista a
inda preso a velas e lampiões.
Acontece que, enquanto o homem não for capaz de dominar a técnica e empregar a energia nuclear com segurança, o melhor é ficar dedicado a pesquisar energias limpas, do tipo da eólia e da solar, e, eventualmente, da hidráulica, desde que em usinas de pequeno porte, sem devastar grandes áreas de florestas.
Voltemos, porém, para a notícia alvissareira que me contagiou a ponto de projetar um mundo novo, sem o risco nuclear. O Japão fechou a sua última usina nuclear, por medida de segurança, após o desastre de Fukushima.
Este é um marco histórico, pois, há quase 50 anos, o Japão utilizava esse tipo de energia, e parecia que seu progresso econômico não poderia sobreviver sem a criação de novas usinas nucleares, espalhadas em seu território.
Esta decisão do governo japonês foi motivada pela reação indignada do povo, após um tsunami haver provocado a maior ameaça à nação japonesa, o que levou milhares de cidadãos às ruas, exigindo o fim do uso da energia nuclear.
A realidade é que o governo central japonês bem que tentou adiar o quanto foi possível essa decisão, mas não conseguiu convencer a população e os administradores das províncias onde as usinas estão instaladas. A população japonesa não mais confia nas agências reguladoras que controlam a segurança dessas usinas.
Antes do acidente de Fukushima, o Japão operava 54 reatores comerciais, que respondiam por 1/3 das necessidades de energia do país. Em 2011, 17 deles foram danificados pelo terremoto ou foram fechados por medida de segurança. Outros 36 reatores foram desligados, após ser inspecionados, e não foram religados.
A discussão é que o Japão poderá ser afetado economicamente pelo
desligamento das usinas nucleares, pois a indústria necessita delas ou de fontes alternativas, ainda não existentes, para operar a produção japonesa. Sem a opção nuclear, o governo japonês terá de importar combustíveis fósseis para oferecer uma alternativa imediata à indústria. E, isto está levando a indústria a pressionar os órgãos ligados à produção industrial e energia elétrica, no sentido de religar algumas das indústrias que foram retiradas de operação.
Acontece que o governo não está conseguindo convencer a população da conveniência de religar as usinas, mesmo diante das graves consequências econômicas que isto possa acarretar à nação japonesa. Os japoneses não acreditam nos padrões de segurança alegados pelos operadores das usinas e pelos órgãos fiscalizadores, e que lhes garantam que desastres semelhantes ao de Fukushima não se repetiriam.
A economia japonesa sofrerá, é o que afirmam os especialistas econômicos. Mas, a população japonesa se mantém inflexível, e, por lá, par
ece que a voz do povo é, realmente, a voz de Deus.
Os países de todo o mundo mudaram suas mentalidades, após o desastre de Fukushima, em março de 2011, e a Alemanha foi um desses países, com compromissos assumidos de desligar seus reatores nucleares nos próximos anos. Mas, o Japão, que sentiu na própria pele os efeitos do desastre, saiu na frente.
A Alemanha é o país no mundo que mais e melhor utiliza a energia solar. A produção desse tipo de energia na Alemanha representa 55% da produção global, o que é uma marca digna de registro, por representar mais da metade da produção de todo o mundo.
Portugal é outro país europeu que vem investindo maciçamente em energias renováveis. Segundo previsão do governo português até 2020, o país poderá atingir a meta de 60% de energias renováveis.
O programa português inclui a entrada em plena operação da maior usina de energia solar do mundo, o que também é pretensão da Espanha, na cidade de Sevilha. Esses dois países estão investindo também em energia eólia, e diversas outras formas de energia alternativa, inclusive, a que existe na costa norte de Portugal, que produz eletricidade a partir das ondas do mar.
A União Europeia assumiu diversos compromissos de redução do uso de energia nuclear, e do crescimento permanente da utilização de energias limpas, como a solar e a eólia. Estes exemplos nos chegam do Velho Continente, e contrastam com os projetos do Novo Continente, cujos países continuam a destruir florestas, poluir os oceanos e pôr em risco suas populações, com ameaçadoras usinas nucleares.
O admirável mundo novo parece estar se desenhando a partir da Europa, onde o povo é ouvido, não por ser apenas esclarecido, mas por ser educado para ter sua vontade própria e por ter a consciência de que os governantes são seus empregados, que podem ser contratados ou demitidos a cada eleição.
Enquanto isto, no país que se proclama a maior democracia do mundo, tudo anda muito obscuro, com o presidente Obama sem saber como justificar a postura de uma camada considerável da população, que não está nem aí para a pobreza de seus vizinhos, os dos bairros pobres ou dos países miseráveis.
Lá nos Estados Unidos, falar em fechar usinas ou deixar de poluir a natureza é sinônimo de traição à pátria e crime contra o patrimônio nacional. Uma vergonha! E por aqui, meus atentos leitores, como nos comportamos, diante de nossos governantes, empresários e banqueiros? Submissos às suas intenções de colocar o dinheiro acima de tudo ou indignados com a forma como estão tratando as nossas florestas, mares e ares?
As eleições municipais vêm aí, e tudo começa na cidade em que moramos. Pensar global e agir local, este tem de ser o nosso lema, desde a política ambiental até a política partidária, energética e econômica. Digamos não às usinas nucleares, à poluição dos nossos mares e à destruição das nossas florestas. Vamos aprender com os japoneses e alemães a nos fazermos ouvir pelos governantes. Afinal, estão lá porque nós os colocamos.
Estamos no limiar de um novo tempo, quando tudo que não presta será deixado para trás. O admirável mundo novo não começará nos Estados Unidos, nem na China, e, talvez, nem no Brasil ou na Europa, mas dentro de cada um de nós, não importa onde nascemos ou moramos.












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