domingo, 19 de maio de 2013

AZAR OU SORTE DO NÚMERO 9



                       
Meus atentos leitores, eu me dirijo a vós que buscais neste meu espaço respostas para os mistérios da vida. Confesso-vos que não tenho resposta para tudo, mas a numerologia me concede certos direitos de resposta para alguns desses enigmas.
Vou citar um questionamento muito comum, e que revela como a sociedade moderna está distante dos seus deveres espirituais. Muitos me perguntam se o número 9 dá mesmo azar e como fazer para evitá-lo.
O azar a que essas pessoas se referem não podia ser outro senão o que se relaciona à sorte no jogo ou aos ganhos materiais. Todos sonham em dormir pobre e acordar ricos.
A quase unanimidade dos que me procuram em busca da interpretação dos seus números se conflita com a cobiça por ganhos materiais, a ambição pela aquisição de poder e um desejo de conquista por uma sonhada paixão.
Outra resposta, diante dessas ambiciosas pretensões, não poderia ser senão a confirmação de que esses valores, de fato, se conflitam irremediavelmente com os propósitos que inspiram o número 9.
Sorte ou azar vai depender do que cada um busca na vida. Dinheiro, fama e poder não são os ideais contidos na vida de quem possui forte regência do número 9. Egoísmo, rivalidades e espertezas são talentos que se opõem a ideais altruísticos e humanitários, inspirados pelo espiritualizado número 9.
A sensação que me fica é de um imenso vazio na vida dessas pessoas, que buscam efeitos, sem avaliar as causas. Esses poderes e conquistas são dádivas para quem valoriza a vida e respeita a sua missão neste mundo.
As energias do número 9 não são para qualquer um. Possuir um nove na alma é uma relíquia a ser cultuada, jamais desprezada. O dinheiro fácil não é uma fantasia que sensibilize os de alma nove. A fama não vem de graça e o poder não cai nas mãos de quem não o merece.
Todos que, sem o devido merecimento, conquistam esses sonhos, serão criaturas infelizes, numa luta constante e cruel com os que tentam roubar-lhes as posses. Desses conflitos, o número 9 passa distante, não é sua área.
Quantos desejam saber o que dizem seus números sobre sua vida espiritual? Desejai saber mesmo, meus curiosos leitores? Talvez, um em cada cem, quando muito dois, e olhe lá! De um modo geral, as pessoas não estão nem aí, para sua evolução espiritual e riqueza interior.
Igrejas e templos cheios. Promessas e velas acesas. Orações repetidas e cansativas para santos e deuses. Todos sonham em se tornar ricos, obter posses e possuir sempre mais, cada vez mais.
Como dizia a música do Chico – então eu lhe pergunto pelo amor. Poucos sabem o que seja o amor. A maioria conhece apenas o amor egoísta, a posse sobre o objeto amado. O desejo tomou o lugar do amor, tornou-se um sinônimo e ocupou o coração. Ninguém consegue expressar amor, sem relacioná-lo a conquistas e prazeres.
O número 9 é a expressão mais forte do que seja amar. Amor caridoso, humanitário e generoso. Ninguém se torna um verdadeiro filho de Deus se não souber amar o seu semelhante. Quem se importa com isso?  Respondei esta pergunta sem remorsos.
Quando o número 9 surge no mapa numerológico, reconhece-se que estamos diante de um amoroso e dedicado curador dos males alheios. Os de número 9 são ocupados na sua lida diária em reparar os danos causados pelas ações ambiciosas e egoístas das elites do poder, que somente pensam em si.
Falar do número 9 é expressar a mais alta reverência que se pode fazer a uma criatura amiga e fiel a nobres princípios de justiça e responsabilidade. Esses seres generosos não estão no mundo para ganhos fáceis ou manipulações em seu próprio benefício. Eles são benfeitores da humanidade, irmãos fraternos de todos.
Sorte para o número 9 é obter justiça e igualdade de direitos para todos que recorrem ao seu auxílio. Sorte para essas amorosas criaturas é poder dar, mais do que receber, e amar mais do que ser amado.
As riquezas por eles doadas retornam, mais tarde, em dobro às suas mãos. Eles, porém, não fazem o bem por interesse, mas por amor. Ágape é o termo bíblico que define o número 9. Amor desinteressado e voltado para os outros.
O que vós responderíeis a quem perguntar sobre o azar do número 9? Eu respondo que ele dará azar aos egoístas e gananciosos, que só pensam em si mesmos. Ele não está nem aí, se essas criaturas invejosas ganham na sorte, ou perdem no azar. Ele só se ocupa de premiar os que amam a todos e se dedicam a servir.
Jogo não é o departamento do número 9. Ludibriar para se beneficiar, também está fora das atribuições do número 9. Ambicionar riquezas e ganhos desmedidos sem esforço e à custa do trabalho alheio costuma ser punido, se o número 9 está por perto.
Deixo-vos um recadinho, para vós que nascestes num dia 9, 18 ou 27. Trabalhai pelo coletivo, nunca colocai vosso interesse em primeiro lugar e jamais vos preocupeis com dinheiro. Ele sempre surge na hora certa e no valor exato, nem mais e nem menos. Faltar ou sobrar são verbos que não são conjugados pelo número 9.
A sorte que o número 9 dá é sutil e mágica, ninguém ouve e ninguém vê. Basta cada qual fazer a sua parte e cumprir o seu dever. Conquistas pedem trabalho. Riquezas resultam desse trabalho. E o poder vem da sabedoria de ganhar e saber compartilhar.












terça-feira, 7 de maio de 2013

TEIA AMBIENTAL - PRA SEU GOVERNO




Meus caros leitores:

Prometo não tomar muito vosso tempo com minhas mazelas ambientais. Eu mesmo já estou ficando cansado de tantas lamúrias, e a troco de nada.

Os governantes não estão nem aí, para as devastações de nossas florestas e a poluição do nosso ar. O povo deve achar isto uma grande bobagem porque o que importa é casa, comida e roupa, de preferência sempre já lavada.

Confesso-vos que, eu tenho pensado muito nos modelos de governança de cada nação do planeta. Todos me parecem um desastre. Democracia, socialismo, comunismo, capitalismo, monarquia, parlamentarismo, e outros estereótipos do ato de governar.

Elegemos um governante, que vai fazer coisas que até Deus duvida. Na eleição seguinte, o opositor a ele, pois ele sempre tenta a reeleição, é ainda pior. A vontade é não votar, mas o nosso lado de cidadania rejeita a ideia, e elegemos um ou outro para contrariar todos os nossos ideais nos anos seguintes.

Somos contra isto, o nosso governante é a favor, ou se deixa ser, por interesse ou compromisso de campanha. Somos contra aquilo, que no palanque ele também era, mas, depois de eleito, a história é outra.

Sonhamos com um mundo sem guerras, vem o governante eleito pelo povo, e inventa uma guerra por interesses pessoais, e manda nossos filhos para a luta. Se eles morrem são heróis, se negam o alistamento são presos e acusados de traição à pátria.

Sonhamos com o fim das usinas nucleares, o governante, aquele que se dizia contrário ao uso de energia nuclear, se convence que progresso pede energia, e energia de ponta é a nuclear. Fukushima explode, a água e o ar ficam contaminados, e o governante declara o fim da era nuclear. Aplaudido pelo povo inocente, o culpado se faz de herói. Tempos depois, sorrateiramente, atendendo interesses de indústrias, o programa é reativado. As águas ainda contaminadas matam os peixes e fazem dos pescadores cúmplices do assassinato do povo que ainda confia no governante, que garante que não há risco de contaminação.

Somos defensores das nossas matas, queremos preservar a Amazônia, desejamos os pecuaristas e agroindustriais à distância. Eles se elegem, se associam ao governante, e lá estão se instalando em áreas incendiadas e em matas devastadas por motosserras. Fogo na mata, correntes no chão arrastando a vegetação, dinheiro no bolso da justiça e do ladrão.

Somos defensores dos nossos rios, maravilhosos e caudalosos, como aprendemos na escola, e o governante que disse amar o São Francisco, manda fazer a transposição para irrigar as plantações das agroindústrias. Se o rio está na Amazônia, o governante faz uma, duas e dez usinas hidrelétricas, desviando cursos de rio e derrubando árvores.

Dizem até que árvore demais é besteira, não ajuda em nada o clima do planeta. O que importa mesmo são as águas do oceano, e são elas que mantêm o clima saudável. Mas, os oceanos estão repletos de porcarias, inclusive do óleo que acabou de ser lançado por um petroleiro, uma plataforma ou uma tubulação que se rompeu. Mas, quem se importa, a Petrobrás é orgulho nacional, é a sua poluição é parte dos riscos de um trabalho que orgulha a nação.

Lixo, fumaça, rejeitos industriais, agrotóxicos, venenos, serras elétricas, poluição no ar, no mar, na cidade e até no campo, tudo em nome do progresso. E ai daquele que abrir a boca para falar mal desse pseudoprogresso! Será perseguido pelos empresários, que são os paladinos do desenvolvimento da nação. Será agredido pelos operários que só pensam em manter seus empregos, ainda que à custa de doenças e mortes.

O governante que eu elejo é o meu maior inimigo. Ele faz cerca de 90% das coisas que eu detesto, e faz mal os 10% restantes. Ele me condena por coisas banais, e não é capaz de evitar que os malandros oficiais assaltem os cofres públicos.

Eu escolho alguém para construir uma nação ecologicamente correta, e elejo um governante que se cerca de predadores ambientais que ridicularizam os meus ideais. Se me arrependo da escolha feita, eu não posso voltar atrás. Se na eleição seguinte, resolvo fazer justiça com as próprias mãos não digitando o número dele ou do candidato do seu partido, acabo escolhendo outro inimigo que destruirá meus sonhos ambientalistas pelos próximos anos.

Se eu chamo a Polícia e denuncio esses crimes, acabo indo preso. Se calo a boca, me acho omisso. Se eu quero dar exemplos de líderes estrangeiros, eles são do mesmo time vencedor que corrompe os juízes, para anular meu gol e assinalar o pênalti inexistente que acabará com a minha festa.

Lembro, agora, daquela música do Chico Buarque, composta na época da ditadura – “Chame o ladrão, chame o ladrão!”.



  

domingo, 7 de abril de 2013

TEIA AMBIENTAL



TEIA AMBIENTAL - UMA TRAMA A FAVOR DA VIDA
ALÔ, ALÔ, MARCIANOS, AQUI NO BRASIL EXISTEM LEIS.


Meus caríssimos leitores, de repente, decidi falar de coisas boas na Teia Ambiental. Confesso-vos que já estou cansado de criticar os desmandos da humanidade, sem qualquer resultado prático. 
No dia 11 de março deste ano, foi publicada a notícia que as multinacionais Shell e Basf haviam aceitado a proposta de indenização para ex-funcionários, que tinham sido contaminados em suas fábricas na cidade de Paulínia, no estado de São Paulo.
A aceitação da proposta de indenização milionária só se deu pelo fato do Tribunal Superior do Trabalho ter dado um prazo que se esgotava naquele dia 11.  Bem que as duas empresas usaram de todos os artifícios jurídicos e das artimanhas econômicas para driblar a justiça, e deixar seus ex-funcionários morrerem à míngua. Esta é uma prática comum entre essas empresas que instalam seus parques industriais em nossas terras, buscando lucros máximos e comprometimentos ambientais mínimos.
As diretorias internacionais das empresas multinacionais costumam ouvir ou ler que os países das Américas, abaixo dos Estados Unidos, são mercados livres de responsabilidades, onde a justiça que manda é a da corrupção e do dinheiro. Assim, elas instalam em nossas terras suas fábricas com um mínimo de atenção para a segurança ambiental e tratando seus empregados com o descaso típico de quem não está nem aí para a saúde deles.  
Enganam-se os que julgam que o Brasil ainda é aquele mesmo país dependente dos povos mais ricos europeus e o norte-americano, e submetidos à escravidão do dinheiro. Nós temos leis, e rígidas leis, que podem demorar a ser aplicadas, mas que funcionam dentro de uma visão correta de direitos e deveres.
Essas duas empresas, como já havíamos comentado aqui na Teia, contaminaram o ar e as águas dos córregos de Paulínia. Instalada pela Shell, em 1977, a fábrica que foi, mais tarde, comprada pela Basf, produzia pesticidas e inseticidas. Em 2002, ela foi desativada, depois de ser constatado que estava contaminando o solo e o lençol freático.
As análises revelaram a presença na região, inclusive nos poços artesianos, de metais pesados e substâncias organocloradas, que são cancerígenas, e que estavam sendo absorvidas pelos organismos dos moradores que usavam a água para beber e cozinhar.
Entre 2002 e 2012, registrou-se a morte de 61 ex-trabalhadores, todos com doenças decorrentes da exposição aos agrotóxicos. As empresas, como sempre costumam fazer essas poderosas fabricantes de venenos, alegavam que não há evidências de que as doenças foram causadas pelo contato com as substâncias tóxicas. Seriam apenas trágicas coincidências, essas mortes por contaminação, durante a permanência da fábrica na região? Que petulância! Quanta insolência!
Essas gananciosas instituições internacionais julgam poder fazer o que bem entendem e ganhar dinheiro fácil, e ainda contaminar as áreas onde produzem seus venenos, e ir embora sem indenizar as vítimas. Engano, já não é mais assim!
O Tribunal deu um prazo para que as empresas celebrassem um acordo com os trabalhadores, que se reuniram no dia 8, e aprovaram o valor de R$ 200 milhões para uma indenização coletiva e mais R$ 170 milhões em indenizações individuais. Além disso, mais de mil ex-empregados terão direito a tratamento médico vitalício.
Como sempre é costume dessas empresas multinacionais, a Shell afirmou que alguns pontos ainda precisarão ser discutidos, com a indicação de um gestor para gerenciar a liberação de pagamentos e reembolsos de despesas de saúde. Elas protelam o cumprimento de acordos e decisões judiciais, levando os prazos aos seus limites máximos, antes de cumprir a lei. E, ainda corre contra as duas empresas uma ação em que mais de 200 moradores que viviam na região afetada pela fábrica também buscam indenizações por danos morais e materiais.
É claro que, nem a Shell e nem a Basf esperava desembolsar tanto dinheiro, depois de contratar escritórios de advocacia caríssimos para defendê-los, como costumam fazer essas mega-empresas. Mas, elas e tantas outras que vivem poluindo o nosso solo e o nosso ar terão de aprender que aqui não somos terra de ninguém, temos leis ambientais rígidas, e juízes atentos a essas ações predatórias.
E, tu meu caro leitor, que te acostumaste ao mau hábito de falar mal do teu país, procura respeitar mais o lugar onde nasceste ou moras. Afinal, o exemplo tem de ser dado a partir de nós brasileiros. Que mania de falar mal do próprio país, como se ele fosse uma entidade amorfa, dissociada dos cidadãos que nela habitam!
Aqui existe justiça, sim, e ela é para ser aplicada contra brasileiros ou estrangeiros que não cumpram as leis. E, em qualquer lugar do mundo, conhece-se o lema – a justiça tarda, mas não falha. Aqui não é tão diferente de outros países, onde julgamos que tudo é perfeito, mas, só quem mora lá é que sabe dos seus problemas.








quinta-feira, 7 de março de 2013

TEIA AMBIENTAL - LIXO

TEIA AMBIENTAL - Lixo

Teia Ambiental Rede de Conspiradores Preservacionistas

Meus queridos leitores;
Estava pensando sobre o tema da Teia deste dia 7, e resolvi reler postagens antigas. Eis a preciosidade que encontrei, e que resolvi republicar.
Escrito em 7 de maio de 2010, chafurdei no mesmo lixo que me inspirou no passado, só que ainda maior.
A sociedade, hipnotizada pela medíocre e promíscua baixaria do Big Brother, consome qualquer lixo, desde que esteja na moda. A Globo mandou o povo comprou.
Era assim, há cerca de 3 anos atrás, e assim continua.
Que tristeza! 
 Acompanhem o texto com atenção, e me digam se estão inseridos no contexto, ou, se reagem a tudo isto com indignação.
Abraços.
Gilberto.


O LIXO NOSSO DE CADA DIA
Meus caros amigos leitores, nós humanos, e até os desumanos, estamos todos metidos numa tremenda encrenca. E o pior é que não sabemos como sair dessa arapuca em que nos metemos.
Estou a falar-vos do lixo que produzimos diariamente, e que precisa ser jogado em algum lixão distante. Mas, esse distante está tornando-se cada dia mais próximo de nós, aproximando-se perigosamente do portão da nossa casa.
A nossa sociedade consumista, e lamentavelmente perdulária, é uma peça indispensável dentro da engrenagem capitalista de crescimento ilimitado em busca de lucros cada vez maiores.
A equação “produção+consumo=lucro” só vem dando certo por contar com uma cumplicidade altamente irresponsável de governantes e governados.
Os governantes comemoram o aumento do PIB, os governados, a maior oferta de empregos. Esquecem, ou fingem esquecer, esses personagens da história, dos estragos provocados pelo lixo industrial e doméstico que se produz, para que esses arremedos de progresso possam ser atingidos.
As indústrias precisam produzir sempre mais, em larga escala, para se tornarem economicamente viáveis. Essa larga escala é a responsável pela necessidade de um consumo em eterno crescimento, de modo que os novos produtos sejam rapidamente absorvidos pelo mercado.
As empresas produtoras se valem das engenhosas técnicas de marketing de agências de publicidade para convencer a sociedade a trocar seus aparelhos usados por produtos mais modernos. Aparelhos “semi-novos” são considerados velhos e imprestáveis, e viram lixo. O lixo é despejado no lixo, e ninguém se dá conta de que o espaço destinado ao lixo vai roubando os espaços destinados a jardins, praças, escolas, centros de lazer, postos de saúde e, por fim, residências. 

De repente, as pessoas começam a perceber que o lixão é seu vizinho, que as moscas começam a visitar suas casas e os ratos a circularem livremente por suas calçadas. A saída parece ser reclamar, protestar e ficar furioso com o descaso dos serviços públicos, incapazes de manter o lixo distante de suas vidas.
Os governantes têm suas culpas, e elas são muitas, mas não são maiores do que as dos governados, que se deixam atrair pelas propagandas e trocam seus aparelhos em perfeito funcionamento por novidades, movidos por um misto de ostentação e poder. Os supermercados oferecem alimentos industrializados com embalagens atraentes, que logo serão jogadas no lixo. As butiques têm roupas e sapatos da moda, que irão substituir os da outra estação, que dentro em breve irão para o lixo.
Os governantes estimulam esses hábitos consumistas, promovendo facilidades no crédito e redução de impostos. A sociedade impelida pela vaidade se deixa convencer que é mais econômico trocar o “velho” pelo novo, descartando-se com extrema facilidade do seu patrimônio e saindo atrás das novidades propaladas pelos meios de comunicação.
As empresas alimentícias promovem seus lançamentos com vitaminas e agregados nutritivos que, pensando bem, nossos corpos não precisam consumir. O lixo se avoluma, e o povo cobra a presença do lixeiro, acreditando que jogando o lixo no lixo o seu problema foi resolvido.
As despesas crescem com tantas compras absolutamente inúteis. Mas, a verdade, meus leitores, é que eu não estou nem um pouco preocupado com as finanças dessa sociedade perdulária, afinal cada qual tem o direito de gastar quanto quiser.
A minha verdadeira preocupação é com esse lixo que é descartado e despejado a céu aberto sem nenhum constrangimento da parte dos governantes e sem a menor noção, por parte dos governados, do risco que estão correndo.
A famigerada teoria do crescimento ilimitado e a qualquer custo ambiental vem exaurindo as reservas energéticas do planeta e poluindo seus ares, rios e mares. Os centros urbanos tomados por um trânsito infernal, os locais de trabalho aquecidos e refrigerados pela energia de suas máquinas e as residências abastecidas por produtos nocivos à saúde formam esse espectro assustador da vida moderna.
A sociedade ainda não percebeu que o aparente crescimento econômico, fomentador de todo o seu conforto, tem um limite e, a cada dia que passa, o prazo vai esgotando-se e pondo em risco o futuro da humanidade.
As grandes cidades do mundo já não sabem o que fazer com o lixo produzido, e tentam transferi-lo para cidades vizinhas e de menor porte, mediante recompensas financeiras.
A questão não pode ser tratada como uma transação financeira, por se tratar de um negócio em que não há lucros, não há compensações e nem mesmo um produto de consumo. Aceitar o lixo de uma cidade rica não é um bom negócio. Produzi-lo também não.
O mundo chegou num estágio tal de produção de lixo que não há um único lugar seguro para despejá-lo. Imaginar um lugar distante para jogar o lixo é utopia, pois os locais distantes já não existem mais. Tudo ficou mais perto, junto um do outro. Longe já não existe mais.
As máquinas das fábricas não podem parar. Os lucros não devem cessar. O consumo precisa aumentar.
E o lixo, o que fazer com o lixo?
Há não muito tempo atrás, as campanhas de educação ambiental ensinavam que se devia jogar o lixo no lixo. Hoje, porém, isto não é suficiente. Não basta jogar o lixo no lixo, é preciso saber-se para onde vai o nosso lixo, o que será feito dele, o quanto se pode vir a reciclá-lo, o quanto se poderá reduzir a sua produção. E isso já não é mais um problema só do “governo”, mas de todos nós. E o seu lixo, meu leitor, onde é despejado?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TEIA AMBIENTAL - A POLUIÇÃO OU A VIDA?



Meus queridos leitores:
A Teia Ambiental se faz presente neste espaço em todo dia 7 de cada mês. E, como hoje é dia 7, vamos tratar de mais um tema ambiental muito controverso, a poluição nas grandes cidades.  
Os habitantes dos grandes centros urbanos, especialmente das capitais, exigem dos governantes, bem mais do que os que moram nas pequenas cidades do interior. Eles alegam que pagam impostos caros, e cobram cidades progressistas, com os mais modernos recursos ao alcance da população.
O resultado dessas ambiciosas sociedades não poderia ser diferente do que ocorre em quase todos os países, ricos ou pobres – poluição urbana. O excesso de carros nas ruas, as chaminés de fábricas despejando muita fumaça no ar e a elevada concentração de pessoas em áreas centrais dificultando a dissipação do calor são os ingredientes suficientes para transtornar a vida das populações.
O brasileiro lembra logo de Rio e São Paulo, ou talvez Nova Iorque e Tóquio, mas outros países enfrentam situações ainda piores como China e Irã. Em janeiro, Pequim foi notícia com uma poluição assustadora, que levou as autoridades a recomendar que a população permanecesse em casa. Agora, mais recentemente, foi de Teerã, capital do Irã, que veio a informação tardia que, em dezembro, a cidade ficou encoberta por uma fumaça escura durante 10 dias.
O Ministério da Saúde do Irã noticiou que cerca de 4.000 pessoas morreram nos últimos nove meses, em decorrência da poluição. As pessoas só andam nas ruas de máscaras, e os hospitais, no auge das crises, ficam lotados de idosos, crianças e grávidas.
Caminhar pelas ruas de Teerã sem máscara é algo impensável, devido à presença no ar de elevada quantidade de partículas de elementos poluentes contendo chumbo, benzeno e dióxido de enxofre.   
Abarrotada de carros e cercada de fábricas e usinas, a capital do Irã é reconhecida por sua poluição insuportável, principalmente no inverno. Esta situação vem se agravando a cada ano, a ponto de se observar, durante todo o ano, somente 100 dias de um clima saudável.
Com isso, aumenta a incidência de doenças do pulmão e do coração, assim como diversos tipos de câncer relacionados com a poluição. Órgãos públicos, escolas e bancos ficaram fechados, recentemente, por 5 dias, numa tentativa de reduzir o alto índice de poluição.
Trafegam por ano nas ruas de Teerã cerca de cinco milhões e meio de veículos, despejando cinco milhões de toneladas de gás carbônico e outros gases na atmosfera. Especialistas alegam que o combustível utilizado no Irã é de baixa qualidade, o que agrava a poluição.
A população de Teerã, de 14 milhões de pessoas, como acontece no mundo inteiro, logo se esquece de toda essa desgraça, quando a chuva e o vento dissipam a fumaça por uns tempos, até que a névoa marrom volta a ocupar o céu da cidade.
Não se iludam os meus caros leitores, o problema não é localizado em Teerã, mas se repete em todos os grandes centros urbanos. A diferença é que em algumas cidades, como também costuma ocorrer em Pequim, essa situação é bem mais grave.
Agora, vamos falar das verdadeiras causas dessas desgraças ambientais, que nada têm a ver com o clima, mas com a maldita ganância que prevalece no mundo inteiro. O povo quer mais progresso, exige tecnologia de ponta, as fábricas precisam produzir mais e gerar mais empregos, os automóveis dão status, e todos querem ter o último modelo.
A consequência de todas essas buscas por um progresso a qualquer preço é uma conta ambiental que não tem mesmo um preço que possa ser pago por nenhum país do mundo. Ou melhor, paga-se o preço da morte de milhares de pessoas que são submetidas a condições ambientais insuportáveis para o organismo humano.
Eu pergunto a ti, meu atento leitor, podemos chamar isto de progresso? A conquista de luxo e riqueza ao custo da saúde e da própria vida da população pode ser computada como meta de progresso?
Que progresso é esse, que adoece e mata quem dele usufrui? Que máquina terrível, o ser humano inventou para garimpar o ouro nos tempos modernos? Loucura!
Quem pode reclamar de poluição e desastres ambientais, culpando os governantes pelas tragédias? Se, é a ambição desmedida da sociedade moderna que cobra do seu governante mais crédito para comprar, da sua indústria mais quantidade produzida para baratear e da natureza mais paciência para não devastar!
A vida está ficando cada dia mais difícil de viver, a saúde, mais afetada para sobreviver, e todos só pensam em riqueza, conforto e consumo. É melhor usar máscara do que reduzir a aceleração econômica. É melhor construir mais hospitais do que reduzir a quantidade de doentes. Assim não dá, é suicídio coletivo.
Escolhe o teu futuro, meu amigo leitor. Eu fico no meu canto, simples e sadio. Entre o ouro e o ar puro, eu faço a opção pela vida. Que cada um faça a sua escolha. E que ela possa dar um pouco de esperança a quem como eu, ainda acredita na humanidade.