terça-feira, 7 de junho de 2016

TEIA AMBIENTAL - VENTO - O MENSAGEIRO DOS DEUSES



Meus caros leitores:


Decidi, este mês, fazer uma apologia ao vento, rendendo, desta forma, a minha homenagem a um amigo e companheiro de todo dia. Fiel e pontual, a cada manhã, recebo sua suave e perfumada brisa, ao abrir minha janela.

Muitos o temem, eu não. Muito reclamam de sua fúria, eu a respeito. Muitos atribuem-lhe desastres, eu os debito na conta das insanidades humanas.

Senhor das grandes mudanças na superfície terrestre, ele transforma paisagens e muda o curso das nuvens, conduzindo a água da chuva de um lugar para outro.

Se eu invoco a sua presença, ele me responde com um suave balançar das folhas das árvores. Se eu clamo para que adie as chuvas para o dia seguinte, ele aumenta sua força e desvia o seu rumo, carregando as negras nuvens para mais distante.

As mudanças são orquestradas pelas suas lufadas que afetam tempo e espaço. Ele é independente e muito impulsivo, cultua a liberdade e não se intimida diante do futuro.

O vento traz as revelações do éter. Ele é o mensageiro dos deuses. Se uma folha de árvore iniciar um balanceio imprevisto, não temam a chuva que vai cair, mas celebrem o ritual mais sagrado da natureza, em que a água que subiu aos céus vai comungar com o leito dos rios.

Sem a força dos ventos, as nuvens não sairiam do lugar, e o mundo não conheceria as mudanças. Sem as mudanças, a terra seria insípida, sem expectativas e cansativamente repetitiva.

Abrir os braços e conclamar a presença do vento é um ritual de amor. Ele virá, esteja onde estiver, por ser fiel aos seus sacerdotes. A celebração é garantida, se o deus a ser cultuado é o vento.

Comecem a girar e a chamar sua presença, e logo ele se fará presente. As folhas começam a girar ao redor do nosso corpo, e a alçar voo em direção ao infinito. Não há limites para o vento, ele começa onde muitos terminam, e termina onde o vento faz a curva.

Amigo, escudeiro, transformador e mensageiro, não haveria vida sem a sua vital presença no ar. Se eu fosse materializar a sua imagem no mundo físico, eu desenharia o número 5, e incorporaria à imagem as energias ousadas e aventureiras de suas paixões e fantasias.

Neste dia 7, que revela a energia mais próxima da consciência ambiental, eu decidi homenagear o número 5, símbolo do vento e da magia. A magia é a ponte que liga o visível ao invisível, e o vento é o agente transformador que nos ajuda a atravessar essa ponte.

A bênção, meu irmão vento, mensageiro dos deuses.

sábado, 7 de maio de 2016

TEIA AMBIENTAL - A NATUREZA NÃO ADMITE IMPEACHMENT




Meus caros leitores:
Quem pensou que eu havia desistido de comparecer, a cada dia 7, com um texto em defesa da natureza, enganou-se. Acontece que, eu, como a natureza, precisamos de um tempo de trégua, para sobreviver a esse ataque permanente do homem contra o planeta. Por isto, no 7 de abril, eu fui espairecer em Tiradentes, onde a história está viva nas ruas, e o verbo preservar é conjugado a todo instante.

Ao retornar com o que me deparo? Como se dizia na época de guerra “sem novidades no fronte”. Nada que tem surgido, nem mesmo o recente e repetitivo compromisso das nações para reduzir a destruição ambiental pode ser motivo de comemoração. Essas reuniões se sucedem de tempos em tempos, quando muitas previsões fazem parte do documento final, umas antecipando tragédias e outras prometendo mudanças.

As tragédias continuam acontecendo, mas as mudanças, quando ocorrem, são mínimas transformações estratégicas ou simples jogo de palavras, que ficam no papel e não sensibilizam a alma humana. O dinheiro é o fator prioritário das ações e decisões dos países ricos. Enquanto isto, os países pobres não fogem à regra geral, e, na alegação de que precisam crescer, embarcam nas mesmas ações predatórias dos ricos.

O resultado a cada ano é o surgimento de novas catástrofes ambientais, anunciadas, umas, e confirmadas, outras. Querem um exemplo prático? O vazamento da barragem da Samarco, em Mariana, aqui pertinho da minha querida, São Lourenço. E dentro de uma área de preservação histórica, que inclui a vizinha Ouro Preto, um patrimônio da humanidade.

O que faz a humanidade jogar com a saúde da natureza e a vida humana, sem o menor escrúpulo de usar como defesa de seus atos predatórios, o progresso econômico da região! Que progresso poderemos esperar, agora, daquela região, após o despejo de uma lama envenenada no rio Doce, e do sufocamento da terra, em que, talvez, nunca mais possa crescer nada que sirva para alimentar os lavradores da região.

A punição para o crime é a multa. Estabeleceu-se uma vultosa multa, que, segundo o histórico jurídico, não será paga. Os recursos se sucederão, as instâncias serão percorridas, até que, no esquecimento do fato e nos meandros da lei, sob a manipulação de escritórios de advocacia especializados em forjar mentiras, tudo ficará para trás.

O rio, pouco a pouco, no passar das águas e do tempo, voltará a clarear, as novas gerações não se lembrarão das águas turvas de um passado, que serão contadas como lendas de uma época em que uma tragédia imprevisível destruiu muitos sonhos e esperanças, mas que, não impediu o progresso econômico de uma região rica em minério.

A existência de riqueza mineral no subsolo de uma região pode transformar a celebração do achado na desertificação lamentada num distante amanhã. O dinheiro é que regula a vida do povo que habita a região, e nem a justiça e nem os governos são capazes de garantir a segurança e os direitos de propriedade dos cidadãos.

A riqueza é o céu das grandes mineradoras, que esburacam os solos e acumulam seus detritos em barreiras intransponíveis, até o dia em que uma ocorrência imprevista, repete as mesmas antigas tragédias. Acontece que, nessas horas, percebe-se que para o ganancioso e criminoso, o céu não é o limite, mas, apenas, um degrau para seguir adiante em busca do lucro infinito.

As mortes são choradas e consoladas com flores e sepulturas para esconder os corpos. As perdas materiais das grandes empresas são recuperadas, em curto espaço de tempo, menos as da população atingida que, na justiça, precisa entrar na fila e pacientemente aguardar a esmola que vai indenizar as perdas materiais, já que as humanas são debitadas a fundo perdido.

A humanidade não cansa de esperar dias melhores. A natureza, porém, é implacável com os crimes ambientais, e cansa muito facilmente. O dinheiro compra quase tudo, mas não pode comprar a água, quando todas as reservas potáveis estiverem poluídas ou, simplesmente, desaparecerem. E sem a água não há vida.

Nunca é demais relembrar a famosa carta do cacique Seattle, e que se tornou um ícone da defesa ambiental. A terra não pertence ao homem, é o homem que pertence à terra. Continua a poluir a terra, e, um dia, despertarás debaixo dos teus próprios dejetos.

Será que alguém ainda acredita que essas sejam meras palavras de efeito? A marcha do tempo é inexorável, e, quando se trata de crimes contra a natureza, o tempo acelera e, de repente, não há mais nada a fazer.

Continuem assinando tratados, imaginando que estão enganando a todos! Mas, tolos são os que julgam enganar a força da natureza. Dias virão em que não serão palavras no papel que mudarão a conduta humana, mas a proximidade do fim, chegando na soleira de nossas portas.

A solução é mudar ou mudar. Se ficar como está, pouco, ou quase nada, vai restar. E, quando esse tempo chegar, nenhum golpe poderá dar o poder a quem não merece, a Natureza não admite impeachment.




segunda-feira, 7 de março de 2016

TEIA AMBIENTAL - TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA

Meus caros leitores, muitos alegam dificuldades para mudar de hábitos e se adaptar aos novos tempos, com economia de energia, zelo pelas árvores das ruas e dos quintais, menos carros poluindo o ar e menos lixo contaminando as águas.

O argumento predominante é que, a preocupação com as condições ambientais atravanca o progresso. Esses predadores da natureza, em nome de seus agronegócios ou indústrias poluentes, defendem o lema do “liberou geral”.

Ao tomar conhecimento da existência dessas criaturas, quase sempre em posição de destaque na sociedade, imagina-se seres demoníacos que estão prontos a incendiar uma reserva florestal para plantar soja. Mas, qual não é a nossa surpresa, quando nos deparamos com um velhinho de boa aparência, cercado de filhos e netos.

Nessas horas, não posso me furtar de compará-los com os poderosos chefões, sempre zelando pela família, enquanto mandam matar, os que tentam prejudicar seus negócios. O mundo está cheio de contradições, mata-se em defesa da vida, destrói-se para construir uma nação mais rica, suja-se a natureza, para produzir alimentos mais limpos e higiênicos.

O homem, de repente, perdeu o controle da nave Terra, quando planejou uma órbita nova e mais progressista, para que ela girasse pelo espaço por caminhos modernos. A Terra está prestes a perder o rumo e se perder pelo espaço à fora.

Por que essa obsessão pelo progresso financeiro, ainda que às custas da falência da qualidade de vida? Quanto mais ricas são as nações, mais doente é o seu povo. E, por doença entendamos todo o tipo de desgraça que se abate sobre a nação, pragas, epidemias, violências e guerras.

O mundo está doente por ter optado, a partir de um certo momento, pela riqueza material ainda que em prejuízo da saúde e do bem-estar social. O dinheiro é o alimento dos ambiciosos, o poder a saúde e a fama, a felicidade. Tudo falso e passageiro.

Se olharmos para os lados, vamos encontrar pobres e doentes, sem condições de sobreviver. Eles podem estar logo ali na esquina ou do outro lado do oceano, nem importa como se chamam ou em que país nasceram, eles precisam de parte da fortuna que os ricos aferrolham em seus cofres.





Com a pobreza surgem as doenças, com suas bactérias e larvas que provocam epidemias que atravessam com a mesma velocidade a rua do bairro ou o mar que parece afastar o perigo. Sem que se dê conta, o homem rico morre da mesma doença do pobre, ainda que reconhecida por um diagnóstico que lhe dê um certo ar de nobreza. Tolice! A origem é a mesma, o destino também.

A humanidade precisa mudar seus conceitos. Pobres e ricos têm que zelar pela casa onde moramos, que, queiram ou não, é o único lar disponível – a Terra. Destruir a Natureza é acabar com a vida.

Está bem, eu até concordo que, muitas vezes, é preciso fazer algum sacrifício. Mas, saudemos a sabedoria imortal do grande Fernando Pessoa, fazendo eco de suas inesquecíveis palavras, que podem dar um alento para o futuro da humanidade – Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

TEIA AMBIENTAL - REDUÇÃO DA POLUIÇÃO COM GERAÇÃO DE ENERGIA LIMPA

Em pleno Carnaval, decidi buscar um enredo mais otimista, para o nosso desfile mensal ambiental. O mundo está saturado de pessimismo, e o povo brasileiro vem se deixando contaminar pelos meios de comunicação, que continuam sendo pouco informativos e muito seletivos, politicamente. As notícias têm passado por uma mesa de edição tendenciosa que insiste em atingir a autoestima do brasileiro, omitindo as conquistas que o país vem obtendo no cenário mundial.

Quando se fala tanto de redução da emissão de CO2, compromisso já assumido por todas as nações, preocupadas com a camada de ozônio e com o aumento da poluição na biosfera, pouco se tem lido sobre os avanços do Brasil na utilização da energia eólica, uma energia limpa e econômica. Aos poucos, a nação brasileira está procurando fazer a transição das energias poluidoras, que usam elementos fósseis para energias limpas, como as que são geradas pelo vento e pelo sol.

O Brasil gera quase dois terços de sua energia a partir de hidrelétricas, uma matriz limpa, mas, que, no momento atual, revela uma fraqueza deste modelo: a suscetibilidade às mudanças climáticas. Com diversos estados passando por crises hídricas, com reservatórios vazios ou perto disso, o Governo se viu obrigado a recorrer às termelétricas, que geram uma energia mais cara e mais poluidora.

A demanda por energia deve dobrar até 2050, no mundo. No entanto, acordos preveem que as emissões de dióxido de carbono devem diminuir pela metade. É um paradoxo cuja solução passa por ter mais eficiência energética.







Em um ano, a produção da energia eólica, que representa 3,5% do total da matriz de energia do Sistema Interligado Nacional, cresceu 179%. No mês de maio do ano passado, foram gerados, a partir dos ventos, 57% a mais do que em abril. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, em oito anos, a expansão dos parques eólicos pode fazer a produção representar 11% da matriz elétrica brasileira. 
 

As usinas eólicas brasileiras aumentaram em 114% a produção de energia no primeiro semestre de 2015, quando comparado com o mesmo período do ano anterior. No fim de junho de 2014, essa matriz era responsável por 1,4% do total gerado de energia no ano no Sistema Interligado Nacional (SIN). Atualmente, ela representa 3% de toda a energia produzida no Sistema Integrado Nacional. O Rio Grande do Norte segue na liderança, seguido por Ceará, Rio Grande do Sul e Bahia.



No primeiro semestre de 2015, as usinas eólicas do Rio Grande do Norte geraram um montante 142% maior do que o produzido nos seis primeiros meses do ano anterior. O Rio Grande do Sul registrou aumento de 91% em relação ao montante gerado no mesmo período de 2014. Já no Ceará ocorreu um aumento de 48% em comparação com o mesmo período do ano anterior. E a Bahia quase triplicou sua geração eólica, com mais283%.  

O Brasil deve alcançar, em 2016, a segunda ou terceira colocação no ranking dos países que mais investem no aproveitamento dos ventos como fonte de energia, subindo ainda para a sexta posição mundial em capacidade instalada.

No ano passado, o Brasil foi o quarto país do ranking, em termos de aumento da capacidade eólica, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha, com expansão de 2,5 gigawatts (GW) de energia. Já em relação à capacidade instalada, ocupava o décimo lugar, com ganho de três posições em relação ao ano anterior.


Com a capacidade instalada de 6,56 GW, o setor de geração eólica consegue reduzir as emissões de 11,6 milhões de toneladas de gás carbônico, estimando-se que em 2019, ao alcançar 18 GW, serão cerca de 30 milhões de toneladas de gás carbônico que deixarão de ser emitidas na atmosfera. Mais ou menos três vezes o que temos hoje.

Ao contrário do que muitos tentam fazer crer, o Brasil não está parado e muito menos andando para trás. Na questão ambiental, mesmo com todas as dificuldades que vem enfrentando, pressionada pelos países do primeiro mundo, que não vêm com bons olhos a expansão da liderança do país junto aos vizinhos da América do Sul e ao Grupo dos Emergentes, a nação brasileira tem avançado na questão de redução de gases poluentes.

O mundo reconhece esse esforço e que os investimentos brasileiros em energia alternativa crescem, Estimulando o investimento de capital estrangeiro no financiamento de usinas de energia limpa, com destaque para a China que está investindo na instalação de uma fábrica para produzir equipamentos de energia solar.

Acredito que, a nossa ala de produção de energia limpa pode não estar fazendo ainda um desfile perfeito, mas merece permanecer entre os países do primeiro grupo, quando a questão é preocupação com a redução de CO2. Estamos cobrando atitudes responsáveis dos países mais ricos, que se esforçam para compensar o muito que já poluíram a biosfera.

E, apesar de vez por outra o Brasil atravessar e não merecer a nota dez, temos de conceder uma nota de louvor pelo esforço de estar competindo com gigantes que, ao mesmo tempo, que se dizem nossos aliados e parceiros, nos espionam para impedir ou dificultar o nosso crescimento.

Neste mês de carnaval, a TEIA AMBIENTAL canta o valor de uma nação pacífica e ordeira, que tem na sua história relatos de solidariedade a outras nações mais pobres e de fraternidade como forma de solucionar suas pendências com todos os povos.


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

TEIA AMBIENTAL - A NATUREZA É DEUS NA TERRA






Meus ecológicos leitores, cá estamos nós reunidos, em mais um dia 7, quando celebramos o culto à Natureza. E por que dia 7, pergunta o curioso ou o leigo em ocultismo? E eu respondo que o 7 é um número relacionado ao amor à natureza e à preservação ambiental.

Dito isto, tratemos dessa obsessão humana de cortar árvores e acabar com a vegetação. A poda esconde um desejo oculto de pôr fim às árvores, enquanto o cimento se coloca entre a terra e a sola do pé, com diversas desculpas, todas falsas e escondendo um apelo assassino de matar a vegetação.

Como se pode podar uma árvore, deixando-a com um tronco vazio e alguns cotocos, que antes foram galhos verdejantes, repletos de folhas, e alegar que a poda fortalece a árvore? Quando a desculpa não é o alegado benefício, prevalece a justificativa da fiação elétrica ameaçada.

Lembro-me de um assassinato horrível, testemunhado por mim e por minha esposa, numa tarde perdida no passado. Funcionários da Prefeitura derrubavam uma seringueira imensa, a maior que eu já havia visto, e que ficava no centro da nossa cidade. A justificativa, e sem tentarem desculpas esfarrapadas, foi que era para construir uma rede de lojas e com autorização do órgão ambiental.

A indignação levou-nos a tentar interromper a ação da derrubada da seringueira, mas fomos confrontados por quem se dizia autorizado em nome da Prefeitura. Ao percebermos que o serviço já estava bem adiantado e que, a qualquer momento, a enorme árvore viria abaixo, achamos melhor cair fora e não nos aborrecermos mais ainda. No entanto, jamais aceitamos aquele crime ambiental.

A Natureza tratou de reagir ao seu modo, e naquele local, até hoje, se encontra uma construção decadente, que jamais proporcionou lucro ao proprietário. A cidade perdeu uma bela seringueira e o proprietário teve um enorme prejuízo com o seu investimento.

Outro caso famoso na cidade, deu-se com uma palmeira imperial, garbosa e altaneira, na praça principal da cidade. Como é natural, num certo momento, desprendeu-se uma daquelas folhas típicas das palmeiras, grandes e pesadas, caindo próxima de transeuntes que se assustaram, mas seguiram em frente.

Poucos dias depois, a palmeira foi derrubada, sob a alegação que representava uma ameaça a quem transitasse pela praça. Lá se foram anos de vida sadia e majestosa de uma palmeira imperial, cujo crime foi soltar folhas, como é comum em qualquer palmeira.


Duas paineiras, pelas mesmas desculpas, foram derrubadas, e das cinco majestosas árvores, agora, restam três, não se sabe até quando. Árvores foram retiradas, para abrir estradas ou construir loteamentos e condomínios. Se houver árvore no caminho, é só cortar, e ponto final.

As podas nas árvores das calçadas são drásticas, e quando não matam, deixam as pobres coitadas tão debilitadas, que levam meses e até anos para se recuperar. Tudo com um sentido de dever cumprido, como se as florestas ainda estivessem ameaçando a cidade, como se acreditava nas primeiras vilas.

Desculpas, meras desculpas, envolvendo riscos ou segurança, acabam, diariamente, com a vida de árvores frondosas, que são cruelmente derrubadas por guerreiros armados de serras, machados ou o que servir para pôr fim a uma indefesa árvore, cujo crime alegado é ser muito grande e um dia poder cair na cabeça de alguém.

Eu fico pensando nessas estúpidas hipóteses, inventadas pelo ser humano, para justificar suas atrocidades contra as florestas, os jardins e a vegetação rasteira que cobre o solo. Todas encobrem o real propósito de exterminar com a natureza, num medo ancestral às seculares florestas que dominaram a Terra, e desafiaram o homem a nelas penetrar.

Com equipamentos pesados e poderosas máquinas de corte, a humanidade vai decepando as árvores, acabando com as florestas e pondo fogo nas matas. A vingança é terrível, e serve para saciar a ânsia de transformar o campo em cidade, o espaço rural, em urbano. É o homem enfrentando a natureza, e se julgando vencedor, a cada árvore abatida.


Mal sabe a humanidade ignorante e amedrontada que, a cada árvore que cai, é menos tempo de vida que cada um tem para usufruir deste planeta sagrado. O dia em que as florestas acabarem e não sobrar uma só espécie de árvore, a humanidade contará seus últimos dias.

Até hoje, nunca ninguém contou ao homem que, a natureza contra a qual ele luta, não é uma inimiga, mas a Divindade que criou o mundo. Ela é a Mãe Natureza dos índios, que sempre foi respeitada e celebrada em seus cultos e orações.

O tempo passa e a humanidade não aprende que, o que se faz de mal à Terra, um dia, se voltará contra os agressores, exterminando com eles, em incontáveis gerações futuras. O que acontece à Terra, também acontece aos filhos da Terra. A Natureza é Deus na Terra.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL

Meus queridos leitores e amigos:

O nosso ano 8 está se aproximando do fim. Ele não foi nem melhor e nem pior do que os anteriores e dos que virão após. Nós, sim, podemos ter sido melhores ou piores do que vínhamos sendo nos anos anteriores.

Não é o estudo que nos faz melhor, e nem a religião. Não é a vontade de ser melhor que nos torna mais dignos da admiração e de elogios, mas as nossas atitudes e as palavras pronunciadas com educação e respeito.

A rede social serviu de termômetro para medir a temperatura da espiritualidade da sociedade moderna. E, ao consultarmos o termômetro percebe-se que o mundo está doente, precisando de um tratamento espiritual intenso, para que não seja dizimado pelo ódio e por uma crescente ganância por poder e dinheiro.

O Natal que se aproxima encontra o mundo sob ondas de terror e violência. A fraternidade natalina sente dificuldade de encontrar espaço para deixar sua mensagem de otimismo quanto ao futuro. O que se escrever sobre paz e amor pode parecer falso e hipócrita, como eram as palavras dos escribas e fariseus que pregavam a justiça pela religião, e foram condenados por Jesus.

Quanto tempo ainda, a humanidade vai empregar uma linguagem falsa, para encobrir suas verdadeiras más intenções? Quantos estão preparados para se sacrificar pelos mais fracos e miseráveis? Quem quer a justiça que beneficie a todos, em vez daquela que privilegia somente os que têm o poder nas mãos? Quem deseja, sinceramente, paz e amor para seus semelhantes, independente de crença, raça e cor?

A minha mensagem de Natal vai dirigida para meus aprendizes, discípulos do Mestre Saint Germain, que nos dá proteção e segurança. A minha mensagem vai, especialmente, para aqueles que conseguiram vencer as barreiras que os impediam amar e perdoar a quem lhes fez sofrer.

Eu não celebro o Natal só com os que me amam, mas com todos, até com os que não me querem bem. Desejo que todos tenham, neste findar de mais um ano, uma comunhão amorosa com a família, e que isto se reflita em suas ações generosas, por todo o ano que vem.

Oro pela paz mundial. Oro pela pacificação da sociedade brasileira. Oro pelas famílias, que precisam retomar a sua condição de inspiradora das virtudes humanas. Mas, antes de tudo, oro pelos que sofrem do mal da crueldade discriminadora, que qualifica pela cor, pela fé, pela religião e, até mesmo, pela paixão clubística ou partidária. Que a Divindade, que não tem cor, nem sexo, nem religião, nem torce por facções, tenha piedade desses seres que pregam a justiça através do ódio e das armas!

Com muita esperança na Justiça Divina, e confiante nos movimentos espirituais que, pelo mundo afora, preparam mestres para realizar a grande transformação na face da Terra, desejo a todos um Feliz Natal. E, que 2016 faça jus ao 9 que fará vibrar as energias do planeta, induzindo a humanidade a servir mais do que exigir ser servida, a amar mais do que esperar ser amada.

A energia 9 é caridosa e humanitária, mas não admite ser burlada, enganada ou traída. Esperemos que a energia predominante influencie cada criatura a ser uma digna imagem do Criador. Doando, perdoando e servindo.

Que venha o ano 2016, e que nos encontre conscientes de nossos deveres para conosco e para com o próximo.

Dezembro de 2015.

Gilberto Gonçalves.







segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

TEIA AMBIENTAL - NÃO É PRECISO SER PAPA PARA CONDENAR A ECONOMIA DOS RICOS



Meus caros leitores:
não se pode mais falar de ecologia e ambientalismo, sem mencionar a economia criminosa e suicida que se pratica no mundo capitalista. Quem decidiu tratar do assunto foi, simplesmente, o Papa Francisco, que o fez muito mais como um cidadão comum, do que na sua condição de líder católico. Afinal de contas, não é preciso ser Papa para condenar a economia dos ricos.
 “Em sua última Encíclica, o Papa denuncia a ‘dívida ecológica’, ou seja, o fato de que, extraindo hoje da natureza mais do que ela é capaz de nos dar, acumulamos uma dívida muito maior do que todos os bilhões que os países pobres estão devendo aos Bancos Internacionais e às nações do chamado Primeiro Mundo.
 De acordo com o Professor de Economia Gäel Giraud “O ser humano é, antes de tudo, um ser em contínuo relacionamento. Com Deus, com outrem, com a natureza. E quando danifica uma dessas três relações, ele danifica automaticamente as duas outras. O verdadeiro progresso é a cura do que está ferido nessas relações, é a regeneração de uma maneira santa de nos relacionarmos uns com os outros, com Deus e com a natureza”, complementa o pesquisador. De acordo com o economista, a finança é o principal empecilho para o progresso da humanidade.
 Frente a tal cenário, Gaël reforça o discurso de Francisco e argumenta que as alternativas para o momento de crise estão com a potência criadora dos pobres. “São os pobres que inventarão formas humanas e dignas de vida. A economia solidária, a partilha, as cooperativas, a economia circular são exemplos dessas invenções”.
 Conforme palavras do cientista francês, a Encíclica do Papa Francisco privilegia a manutenção das condições de vida decente para todos no planeta. A racionalidade econômica dominante, essa que se expressa através da dita economia neoclássica, parte da hipótese de que a maximização do lucro pelas empresas e a concorrência são o segredo da prosperidade. O Papa Francisco diz simplesmente que isso é uma mentira. Mas, insisto que, não é preciso ser Papa, e nem mesmo um religioso, para chegar a esta triste conclusão.
 Alegar que o lucro privado e a concorrência vão garantir a prosperidade e, em particular, garantir condições de vida digna para todos num planeta que é finito é uma mentira. E isto está comprovado na situação em que se encontram muitos povos na face da Terra, num estado de pobreza absoluta. Enquanto isto, algumas nações gozam da riqueza total, quase em sua maioria, explorando as nações mais pobres.  
 Na opinião do Professor Gäel, a palavra do Papa Francisco confirma a denúncia feita pelo teólogo protestante Jacques Ellul, de que é uma grande ilusão acreditar que a técnica nos salvará do desastre climático e ecológico. Ou se muda radicalmente o modo de vida, ou não se pode esperar salvação numa possível, mas improvável, tecnologia que vencerá o desafio ecológico.
O desajuste climático surge, de repente, como a injustiça social em mais alto grau. De fato, ele afetará muito mais rápido e de forma muito mais duradoura os mais pobres. Tanto os países do Sul mais pobres como, em cada país, as populações mais pobres. Aliás, essa é uma das razões pelas quais as elites econômicas de um grande número de países não levam a sério o desajuste climático e a destruição da biodiversidade. Elas estão convencidas de que terão riqueza suficiente para se salvarem disso, enquanto os pobres morrerão. Que conclusão tão triste, covarde e desumana!

Ora, a economia neoclássica dominante alega que as questões de justiça não contam: a divisão da riqueza não é ditada, nesse pensamento econômico, por uma lógica política, tampouco, portanto, por considerações éticas, sendo puramente ditada por uma lógica interna de mercado. Pelo menos, é o que alega a economia neoclássica. Porém, isso não é verdadeiro: a economia neoclássica fracassou completamente em seu idealismo ao excluir a justiça social do campo da economia.
 Na realidade, tornou-se um puro instrumento ideológico de defesa dos interesses dos mais ricos. Da mesma maneira que o marxismo-leninismo se tornou, na União Soviética, um puro instrumento ideológico de defesa dos interesses dos caciques do Partido. Assim, a adoção da economia neoclássica como paradigma dominante na formação das elites, dos economistas, dos funcionários públicos, gerou aquilo a que essa economia visa: a apropriação, por uma minoria cada vez menor, da riqueza produzida; a explosão das desigualdades, à custa dos mais pobres. Isso é também denunciado pela Encíclica Laudato Si.
 Como já havia declarado a estudiosa e sábia pesquisadora econômica Hazel Henderson, numa conversa com Fritjof Capra, que antecedeu a publicação do livro Ponto de Mutação, o crescimento do PIB é acompanhado por um crescimento proporcional das devastações ecológicas e do consumo de energia, fóssil na maioria das vezes. Enquanto nossas economias não conseguirem desvincular a prosperidade do consumo de energia fóssil, continuaremos destruindo o planeta, fazendo de conta que estamos trabalhando pelo bem de todos, ao passo que essa destruição beneficia tão somente um pequeno grupo.
 Os argumentos dos neoliberais é mentirosa, porque nunca aconteceu, e não tem a menor chance de vir a acontecer. A de que o enriquecimento dos mais ricos traria a garantia de prosperidade aos mais pobres. Assim, as desigualdades significam simplesmente que os mais ricos conseguem captar uma parte crescente da riqueza produzida por todos para o seu benefício pessoal. E essa acumulação de riqueza os leva a adotar modos de vida predadores em relação ao planeta, logo, em relação às gerações vindouras. É por essa razão que se faz necessário reduzir as desigualdades para salvar o clima.
 Portanto, o primeiro ponto muito concreto da Encíclica recomenda neutralizar o poder dos banqueiros. O segundo ponto: a Encíclica evoca também muito claramente a necessidade de os países do Norte aceitarem “certo decrescimento”. É preciso romper com o produtivismo, a loucura da concorrência de todos contra todos, do crescimento do PIB a qualquer custo.
Quem diz isto é um homem que, por sinal, está exercendo a função de chefe da Igreja Católica. Qualquer criatura religiosa, não importando de qual religião, repetiria os mesmos conceitos. Cientistas honestos que não estivessem vendidos ao capitalismo explorador reconheceriam estes conceitos como verdadeiros.
O futuro do planeta está nas mãos de uns poucos que podem acabar com a vida na Terra, a qualquer momento. Seja pelo dinheiro que escraviza ou pelas armas que matam. Precisou vir de um religioso um alerta que mais deveria caber à ciência do que à religião.
Mas, caros leitores, reconheçam que só existe a ditadura do dinheiro, por existir escravos que se submetem aos donos do dinheiro, por ambição materialista ou interesses de poder. Ninguém pode se tornar um feitor de escravos, se não houver aqueles que se submeterão à ordem do feitor.
E, por fim, deixo um recado para os que se dizem católicos, para que ouçam o líder de sua Igreja, e não façam de conta que não entenderam o recado. Ele foi dirigido para toda a humanidade, mas, principalmente, para os que são católicos, ou que se dizem tais.
Juízo, muito juízo, humanidade insensata! O dinheiro vai acabar matando o que ainda resta de vida. E, não é preciso ser um Papa, para afirmar esta verdade.