sábado, 21 de agosto de 2010

OS HUMORES MASCULINOS - CONFLITOS ENTRE O Nº 1 E O Nº 2


Meus queridos leitores homens, eu vos dedico um pouco do meu tempo, mantendo-me vigilante e com um olhar atento em meu feeling e com o outro cuidando dos meus humores.

Prometo-vos, leitores homens, ajudar-vos a entender melhor os vossos arroubos de mau humor que são enigmas indecifráveis para quase todas as mulheres, e razões de sérias brigas entre marido e mulher.

Acredito que muitos já ouviram falar de anima e animus, termos utilizados por Jung para definir o aspecto feminino existente no homem e o aspecto masculino presente na mulher. Creio mesmo que já devam ter ouvido falar que esses aspectos estão muito ligados aos sentimentos da filha mulher com o pai e do filho homem com a mãe. Mas, a realidade, segundo Jung, vai muito além desses apegos e chamegos de adolescência.

Comecemos tentando entender essa presença feminina no homem e masculina na mulher. Deixem-me, logo de pronto, tranqüilizar-vos, conservadores e liberais leitores, afirmando que não entrarei nessa discussão que vem sendo explorada de um modo distorcido pela mídia e que confronta os direitos dos homossexuais, casamentos entre gays e similares.

O grande estudioso da mente humana, o gênio da psicanálise espiritual, Carl Jung, demonstrou que o ser humano é andrógino, o que significa que ele combina em si, os dois elementos, o masculino e o feminino. A mulher interior no homem, Jung chamou de anima, e o homem interior na mulher, animus.

Dizia Jung que, as criaturas humanas somente conseguem a sua plena integrão se souberem incorporar esses elementos às suas personalidades. O homem precisaria assumir o seu elemento feminino e a mulher, o masculino, sem o que não haveria esperanças deles entenderem as suas verdadeiras essências.

De acordo com Jung, é raro o homem que conheça, ou reconheça, a sua anima, e que consiga manter um relacionamento satisfatório com ela. Mas, para que isso venha a acontecer, antes é necessário saber empregar o feeling, a percepção intuitiva ou a sensação desprovida de emoção.

É raro o homem que conheça o suficiente sobre seu componente feminino, ou ainda melhor, que tenha um relacionamento satisfatório com esse seu aspecto feminino. Sem o feeling, o homem jamais dará o verdadeiro valor à sua anima, insistindo em desconhecê-la, não lhe conferindo o devido valor e não tendo com ela o indispensável envolvimento total.

De um lado desenvolver o feeling, do outro não se deixar tomar pelos humores! Quando está tomado por seus humores, é como se o homem se tornasse uma “mulherzinha”, dominado pela parte feminina da sua natureza. E não vai nesta observação nenhum sentido de julgamento comportamental de caráter sexual.

A “mulherzinha” que se faz presente na personalidade masculina é uma manifestação do seu inconsciente, diante da reação de alguns aspectos da sua constituição feminina interior. Isto se observa de forma bastante visível, quando o homem é contrariado e se isola num canto, agarrado a um jornal, que finge ler, ou de olhos pregados na televisão, sem se dar conta do que se passa na telinha à sua frente.

A Numerologia da Alma diria que o número um está num enorme conflito com o número dois, e que ambos se comportam de modo radical, tentando ocupar o mesmo espaço, num ambiente que só permitiria uma presença única.

As mulheres mais sábias costumam dizer que o marido “está de veneta”, e nem é bom chegar perto. Elas têm toda razão de esquecer o seu homem amuado e calado, num canto qualquer da casa, sem tentar insistir na polêmica que resultou naquele estado de ânimo.

A realidade, meus nobres leitores, é que são poucas, muito poucas, as mulheres que utilizam nessas horas o bom senso de não polemizar ou de simplesmente deixar para depois. O seu homem só precisa de um tempo para espantar os seus humores, e voltar ao seu mundo masculino seguro e confiante.

A mulher, sem saber quem seja a tal “mulherzinha” que se apossou do seu macho, fazendo-o carente e magoado, acaba ficando zangada e despertando o seu homem interior na forma de um “machão raivoso”. Enquanto o nº 1 sempre controlador e poderoso se fragiliza com suas inseguranças e mágoas, o nº 2 esquece suas fraquezas e timidez e assume o papel de super-herói, enfrentando o vilão, para que se faça a justiça e tudo retorne à antiga ordem.

Quem já não testemunhou essas brigas de marido e mulher, que começaram por coisinhas miúdas e terminaram num enfrentamento violento, com os dois botando para fora antigos ressentimentos e raivas reprimidas? Não há conflito pior do que o lado feminino do homem enfrentando o lado masculino da mulher. Os dois ficam inteiramente dominados por sua anima e seu animus, perdendo ambos o bom senso e os limites da razão.

É comum atribuir-se à mulher a culpa por essas brigas de casais, e, se não há propriamente motivo para culpá-las, não há como retirar suas responsabilidades por ter alimentado os humores do seu homem. Diz-se que faltou feeling, não houve a percepção intuitiva de que não era uma boa hora para tentar celebrar o acordo de paz. Mas, o que se pode fazer com um nº 2, pacificador, diplomata e eterno conciliador de conflitos? E assim, lá vai a mulher com o seu nº 2 aguçado tentar celebrar tratados de paz no meio da guerra, quando ainda não é a hora propícia para o início das conversações.

Os humores dos homens são problemas deles, que terão de resolvê-los sozinhos. As mulheres não têm culpa alguma, e se forem pacientes e pararem de se sentir culpadas, logo eles sairão daquele estado de sisudez e isolamento, voltando a conversar como se nada houvesse acontecido.

Acreditem meus leitores homens, que a culpa de muitas das brigas de casais é do feminino, mas não da mulher, o feminino do homem que existe no íntimo de todas as personalidades masculinas. Concordo que essas brigas não são de exclusiva responsabilidade da mulher que existe dentro de todo homem, mas também do homem que existe em cada mulher.

Domar essas feras interiores é uma espinhosa missão, por serem sensações estranhas em ambientes hostis – o feminino no homem e o masculino na mulher. Mas, é bom tentar. Que tal somar as forças, no lugar de dividir?

Se somarmos o nº 1 com o nº 2, nós encontraremos o nº 3, a energia sentimental, romântica e sociável, em que prevalece o bom humor e a beleza. Nada poderá ser mais indicado para um casal do que levar uma vida sob o enfoque do nº 3, onde o bom se faz presente e beleza é fundamental.

Agora, minhas atentas leitoras, quando o seu marido ficar emburrado por qualquer coisa, não se sintam culpadas, nem tentem saber os motivos. Deixem-no em seu canto em paz.

A “mulherzinha” dele é muito zangada, e nem é bom provocar o “machão zangado” que existe dentro de cada uma de vós.

Guardai bem todos vós essas duas palavrinhas latinas, animus e anima. Elas são as grandes responsáveis pela maioria dos divórcios por esse mundo afora. Sem feeling, elas agem como umas desatinadas, tumultuando a vida dos casais. Meditem bem sobre elas, antes de começar tudo de novo. Os homens têm humores, e as mulheres não podem perder os seus.

Deixo-vos como sugestão final a leitura de duas obras definitivas sobre esse tema, ambas escritas por Robert A. Johnson, HE e SHE. E se gostardes, eu também vos recomendo o terceiro livro da trilogia, o WE.

22 comentários:

  1. Oi, Gilberto
    Depois de ver o enfrentamento pela TV entre traficantes e policiais hoje no RJ... o que diz é bem suave...
    Mas, gostei do que narrou sobre outro "enfrentamento" o do masculino e do feminino que habita em nós todos... Muito legal!
    Que haja sempre serenidade para perdoar-nos um ao outro todas s vezes que precisar for...
    Ótimo fim de semana e te espero amanhã pra comer docinho no Blog.
    Abraços fraternais e de bom humor...

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  2. Saudações Mestre!

    Bárbaro! Não tem o "que pôr nem o que tirar"!!!

    Situação corriqueira: "voltando a conversar como se nada houvesse acontecido."

    Vou fazer o "alguém" por aqui ler!

    Por aqui o meu "animus" já está equilibrado! Alguns demoram a entender, mas é melhor quando se entende e se respeitam.

    Ps.: ando meio ausente, um pouco mais silenciosa e um tanto ocupada.
    Escrevo em e-amil!

    Beijo de luz a ti e a Flora!
    Excelente domingo.
    :)

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  3. Oi, Orvalho:
    Agradeço os seus comentários. Sem dúvida a vida nos ensina tudo isso pela prática. Mas, é sempre bom saber que essas coisas têm as suas explicações técnicas, pesquisadas por gênios como Jung.
    Vivemos essas situações nos nossos relacionamentos de casal, e temos de saber respeitar um ao outro, para que o convívio seja prazeroso.
    Amanhã, vou à sua festa.
    Abraços.
    Gilberto.

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  4. Minha querida Selena, que bom que gostou tanto assim!
    Mas, controle o seu animus, nada de assumir o machão zangado. E respeite a anima dele, que tudo vai dar certo, e viverão felizes para sempre.
    Abraços.
    Gilberto.

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  5. Prezado Gilberto,

    Muito bom o texto!! Caminho para refletir-mos .

    A sabedoria da vida ,da alma aliada ao conhecimento propicia atalhos abençoados para o ser humano.

    Anima e Animus em harmonia, nos tornam mais sensiveis e mais fortes
    nesta jornada, no momento certo!

    Seu texto inspira a atenção para mante-los em equilibrio.

    Paz

    Katia Rosendo

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  6. Grato, minha amiga Kátia, por seus gentis comentários.
    A visita dos leitores e as opiniões de cada um são fontes de inspiração que nutrem e estimulam a essência dos textos do Alma Mater.
    Espero que muitos dos visitantes silenciosos, aqueles que lêem e não comentam, também possam expressar no seu silêncio a mesma admiração e carinho pelo conteúdo das matérias.
    Abraços, minha amiga.
    Gilberto.

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  7. Olá, Gilberto
    Volto pra agradecer aos bons votos pelo níver do meu Blog.
    Já os acolhi no coração como a todos os que recebi dos me querem bem.
    Tenha ótima semana com muita paz interior.
    Abraços fraternos

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  8. Seja sempre bem-vinda a este espaço, minha amiga Orvalho.
    É bom compartilhar os bons momentos com os amigos.
    Abraços.
    Gilberto.

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  9. Oi Gilberto!
    Muito interessante esse seu post, eu já sabia que em todas as mulheres há um lado masculino e nos homens um lado feminino, mas você, como sempre, deixou bem claro e explicado!
    Da próxima vez, vou esperar para poder conversar com um homem....kkk
    Saudades...

    Abraços

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  10. Levei uns "bons-muitos-anos" para entender esse humores masculinos e uns tantos outros para aceitá-los...

    Aquela história de "precisar ficar quieto até digerir o problema", foi difícil de digerir para mim também.

    Mas depois que entendemos e aceitamos, a vida fica muito mais fácil.

    "Entre mortos e feridos, salvaram-se todos" !
    E Viva o Amor, acima de qualquer coisa !!!

    Eu te amo.

    Beijo

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  11. Oi, Karen:
    Como sempre muito sensível e gentil!
    Pratique isso sempre que lidar com um homem, reduzindo assim conflitos e mágoas.
    E não deixe de identificar o homem que existe em vc, pois também terá de lidar com ele.
    Abraços.
    Gilberto.

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  12. Minha amada Flora:
    Humores à parte, é sempre difícil para uma mulher entender onde o homem quer chegar. O pior é que, ao contrário das mulheres, muitas das vezes eles não querem chegar a lugar nenhum.
    As mulheres ficam sonhando com o que irá acontecer amanhã, e se preparam para o grande momento. E os homens acabam decepcionando-as, pois o grande momento para eles é somente estarem juntos.
    E as flores, as velas e o fundo musical? Os homens não os incluem em seus projetos de amor, ou não os consideram indispensáveis, mesmo que os pratiquem vez por outra.
    Estou pensando seriamente em escrever um livro para as mulheres sobre os homens, não de intrigas como é costume, mas de conselhos para um bom relacionamento.
    O prefácio será, é óbvio, da sua inteira responsabilidade.
    Beijos, amor.
    Gilberto.

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  13. Oi Gilberto!
    Desculpe a xeretice, mas li seu comentário para a Flora e adorei a idéia de você escrever um livro sobre conselhos masculinos para as mulheres, acho que iria ajudar bastante, viu.
    Nós temos outra idéia sobre relacionamento, romantismo. Ajuria bastante, ainda mais vindo de um homem culto e experiente como você.
    Eu o apoio com essa idéia!
    Abraços

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  14. Pode deixar, Karen, que já coloquei o projeto na minha agenda.
    Agora, é só arranjar mais um tempo.
    Aguarde.
    Abraços.
    Gilberto.

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  15. Olá Gilberto, encontrei seu blog meio que "por acaso", mas adorei, suas mensagens são profundas e geram reflexão.

    Já virei seguidora e com certeza sempre passarei por aqui para ver as novidades...

    Tenha uma ótima semana.

    Paz

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  16. Oi, Talita, que bom que me encontrou!
    Mas, não foi meio que "por acaso", já que nada acontece por acaso, e menos ainda nesse espaço sutil em que flui o Alma Mater.
    Tudo em nossa vida tem um sentido espiritual, ainda que os homens só busquem explicações na lógica e na razão.
    Leia todas as postagens, desde a primeira, sem pressa. E vá dando a sua opinião que, a todas, irei respondendo.
    Muita paz para a sua semana.
    Abraços.
    Gilberto.

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  17. Nada como uma boa ajuda para entendermos os homens :)

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  18. Minha Especial leitora, se precisar de mais alguma ajuda é só pedir.
    O Alma Mater é um blog assexuado ou andrógino, nem masculino, nem feminino, sempre pronto a prestar ajuda a homens e mulheres.
    Abraços.
    Gilberto.

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  19. Oi Gilberto,

    Adorei seu texto!!! Extremamente didatico e esclarecedor!!! bjos patricia

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  20. Oi, Patrícia:
    Adorei o seu comentário!!!
    Espero que possa usar a didática do texto nos seus relacionamentos.
    Se tiver dúvidas, é só perguntar por email, para não expor publicamente questões pessoais.
    Beijos.
    Gilberto.

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  21. Olá Mestre , Bom esse texto , mestre então quer dizer que a solução para uma vida a 2 é o número "3" o filho , só juntando o homem e a mulher para formar o filho , Você também disse que cada pessoa é androgino ou seja tem um homem ou uma mulher dentro de si , mestre isso é resultado de reencarnações anteriores , ou isso já é comum na existência ?

    Abraços..
    Fabrício

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  22. Todos os seres humanos possuem os dois aspectos em si, o masculino e o feminino, com um deles mais ativo do que o outro.
    Seria o mesmo que dizer que todos temos em nós as energias do 1 e do 2, e que quando elas são harmonizadas se transformam num perfeito 3. Isto num sentido figurado, é claro!
    Com as sucessivas encarnações, e a evolução da Alma, essa harmonização vai também evoluindo, e fazendo desaparecer os machões e as dengosinhas.
    Sem as polarizações extremas, surge, então, o ser andrógino, que é assexuado, nem masculino e nem feminino, mas que não pode jamais ser visto como um homossexual.
    Os anjos são exemplos desses andróginos, por isso costuma-se brincar que é perda de tempo discutir o sexo dos anjos.
    Um abraço.
    Gilberto.

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