quinta-feira, 7 de maio de 2009

Espiritualidade sem religião

Os novos tempos estão cobrando novas posturas, novas atitudes, novos ideais, mas sem que se altere uma só vírgula das antigas verdades, que deram origens às tradicionais crenças, seitas e religiões.

Dedico esta reflexão espiritual a todos que estão transitando entre o devocional e o espiritual, sem entender com muita clareza o que se passa com a sua fé.
Até há bem pouco tempo, a missa, o culto, uma sessão espírita ou um ritual de candomblé, pareciam responder a todos os ideais da alma.
De acordo com as crenças de nossos pais, dávamos os nossos primeiros passos religiosos, e rezávamos com uma enorme fé para um Deus Todo-Poderoso, distante, é verdade, mas perfeitamente acessível através dos padres, pastores ou mentores espirituais.
O pecado nos apavorava, as ameaças com o inferno ou com os karmas mexiam com as nossas almas, fôssemos católicos, evangélicos, espíritas ou seguidores de seitas orientais.

As nossas dúvidas espirituais eram respondidas por nossos pais, pelos livros sagrados que nos eram dados a ler ou pelos líderes religiosos de nossas igrejas. As verdades pareciam encaixar-se em nossas crenças, ou, talvez fosse o inverso, mas tudo funcionava a contento, dando-nos uma sensação de conforto e segurança.
Tínhamos crenças que pareciam ser nossas boias salva-vidas diante dos naufrágios das almas pecadoras, que se comportavam de modo estranho à nossa fé ou que adotavam certos rituais, condenados pela nossa igreja.
A nossa certeza de estarmos no caminho certo
residia, quase sempre, num monólogo recitado ao nosso Deus, que acreditávamos estar-nos ouvindo e sempre pronto a nos atender, desde que fôssemos bonzinhos e cumpríssemos os ensinamentos de nossa religião.
A missa dos domingos, os cultos de meio de semana, os rituais das sextas-feiras, conforme fosse a nossa religião, pareciam oferecer a garantia de que Deus estava conosco, e que os pobres coitados que seguiam outras crenças estavam condenados, na melhor das hipóteses, a não serem jamais perdoados, a nunca alcançarem o Paraíso, o Nirvana, o Céu de Alá.
A gente olhava com desconfiança para quem não seguisse a noss
a religião, que nos parecia tão óbvia, tão certa, tão perfeita ! Como seria possível acreditar-se em outras verdades, senão naquelas ensinadas pela nossa religião, transmitidas pelos nosso livros sagrados e praticadas através dos tempos por seres sábios e generosos ?
A essas crenças religiosas, chama-se devoção, que é o culto a uma religião, envolvendo a crença em certos preceitos sagrados, que foram ensinados por um líder, numa determinada época, até serem reunidos por seus seguidores e transformados numa ideologia salvadora da alma.

A Doutrina Secreta nos conta que, no início do processo de evolução planetária, na fase da antiga Lemúria, seres de um outro planeta mais evoluído deslocaram-se
para a Terra, com a missão de dar uma contribuição psíquica à evolução mental dos seres que habitavam o nosso planeta.
Esses seres, os kumaras, vindos do planeta Venus, desembar
caram na Terra e unindo-se aos seus habitantes geraram uma raça mentalmente mais evoluída, dando início, então, a uma primeira expansão mental digna de registro entre nós.
Os milênios se passaram, o desenvolvimento psico-emocion
al da humanidade foi acontecendo, até que chegou o momento de dar um novo impulso nessa evolução, dessa vez com o intuito de promover uma aceleração no sentido espiritual.
Introduziu-se, então, a chamada "iniciação espiritual", uma prática que acelerava o padrão vibratório da alma humana, colocando ao alcance dos mais evoluídos, certos poderes místicos e inacessíveis aos não-iniciados.
Isso ocorreu na época da Atlântida, quando se deu um extraordi
nário progresso na história do planeta, com uma acelerada expansão no nível de consciência da criatura humana. Os poderes humanos se tornaram muito mais fortes, permitindo que ações de magia e encantamento se disseminassem por toda a terra, estimulando a ambição desenfreada e a luta pelo controle da vontade alheia.
A situação de descontrole chegou a uma condição irreversível,
que provocou uma decisão extrema da parte dos Regentes Planetários, de afundar o continente atlântico, para recomeçar num tempo futuro, uma nova fase de experiências iniciáticas. Alguns seres mais evoluídos espiritualmente foram orientados para buscar terras distantes, onde permaneceriam em segurança, enquanto os demais sucumbiam com seus egoísmos, arrogâncias e prepotências, afogados em seus imperdoáveis karmas de magia negra.
Diante disso, a humanidade deu um passo para trás, retrocede
ndo em seu caminho de evolução, e tendo de esperar por mais alguns séculos, antes de retomar o processo que fora abortado, no continente atlântico, diante dos desmandos da raça humana, quando adquiriu, e não soube usar, o poder de acessar os seus mais poderosos direitos divinos.
De lá para cá, foram séculos de reaprendizados, com práticas religiosas convencionais, algumas tentativas de ressurgimento de sociedades secretas de magia e muitos conflitos entre os poderes adquiridos pelas Igrejas e as ações espontâneas e livres, dos que ainda mantinham vivas na alma as forças místicas herdadas da antiga Atlântida.
A história da evolução espiritual fala de lutas e perseguições religiosas, de magias e fogueiras queimando os magos, fala de milagres e de crucificações de santos, fala de avataras, mestres e sábios, pregando o resgate dos poderes místicos deixados para trás.
Em algumas regiões do planeta, as religiões tomar
am o lugar do Estado, passando a impor a fé como um instrumento da lei e da ordem. Em outras épocas, e em outras regiões, predominaram o materialismo e o ateísmo, e ainda o xamanismo, com seus rituais voltados para as crenças nas forças da natureza, e as seitas africanas, com seus simbolismos místicos e seus ritos mágicos.
A fusão de todas essas crenças e a união de todos os conhecimentos re
sultaram numa síntese mítica, que aponta para o despertar espiritual de uma Nova Era, quando templos e rituais se individualizarão, se fazendo presentes dentro de cada criatura humana, que será, tanto o discípulo, quanto o mestre de si mesma.
Os sinais dessa nova fase de "iniciação espiritual" já se fazem presentes entre nós, desde a segunda metade do século passado. A literatura esotérica, a partir dessa época, ganhou uma enorme dimensão com o surgimento de obras reveladoras dos Grandes Mistérios, até então velados ao conhecimento humano.
As mentes começaram a recebe
r "idéias" estranhas e pensamentos que fugiam ao que se considerava normal. A mediunidade começou a sair das mesas do espiritismo e dos centros de candomblé e umbanda, para se manifestar entre religiosos de diversas crenças. Com isso, os conceitos de karma e reencarnação retomaram a força que haviam perdido no ocidente, desde que a Igreja e o Estado se uniram para dar lugar à famigerada Inquisição.
Nos dias de hoje, dá-se uma incontrolável aceleração da jornada
iniciática, que pode ser definida como uma caminhada em direção ao mais íntimo de nossa alma, onde habita o divino, a essência da vida espiritual de cada um de nós. Ali está a nossa nova e universal religião, que não separa os fiéis, mas agrega todas as crenças e todos os ideais. Ali, no fundo da alma, e dentro do coração, se faz presente a nossa única e definitiva religião, da qual somos o templo, o mestre e o discípulo.
Cada um de nós passará a ser o Cristo renascido, o novo caminho
, a verdade e a vida.
Por tudo isso, estamos sentindo uma necessidade enorme de não mais seguir seitas, de não sermos obedientes a regras criadas e impostas pelos falsos
profetas e pelos escribas e fariseus hipócritas.
A inspiração surgirá nas mentes e corações de todos nós, cada qual despertando no seu devido tempo. A verdade não estará com esta ou aquela religião, mas com todas elas, e com nenhuma.
A verdade será revelada a cada um de nós, pelo despertar dos
nossos Egos Divinos, que estavam adormecidos no fundo de nossas almas, desde o início dos tempos, quando fomos criados à imagem e semelhança da Criação Divina.
Muitos estão tendo dificuldades para prosseguir praticando a sua religião, pois não mais sentem o entusiasmo na alma para continuar crendo no que lhes é imposto, e que não mais lhes faz sentido.
Muitos sentem necessidade de obter respostas, que possam iluminar suas almas, e que não vislumbram nos meios religiosos que frequentam.
Muitos ouvem um chamado interior que não conseguem desconhecer, nem ficar alheios ao que eles colocam em suas mentes, desafiando-os a sair em busca de novas verdades, sem medos de castigos ou punições.
O tempo da espiritualidade devocional está chegando, po
uco a pouco, ao fim, dando lugar à espiritualidade mística, que transcende às crenças religiosas.
Que as pessoas que se sentem induzidas a seguir seus próprios caminhos, confiem mais nas suas intuições, e se entreguem às suas peregrinações solitárias, em busca de uma comunhão plena com o seu Deus Interior.
Dedico esta mensagem aos queridos discípulos da Numerologia da Alma, que estão passando por esse processo, e que precisam de muita serenidade, confiança e paciência, para dar um passo firme em direção à sua própria divindade.
Benção e graças sejam dadas a Daniele, Bárbara, Patrícia, Hélio
, Fernanda e Maria da Glória, que têm buscado a verdade com exaustiva dedicação e perseverança, numa jornada iniciática que nunca mais terá fim.






8 comentários:

  1. Oi Gilberto!!
    Acabei de ler seu novo texto... passei por essa divergencia entre religiao e religiosidade a pouco... grata pela sintonia!!!!
    Abraços a vc e Flora

    ResponderExcluir
  2. Muitos estão passando, e muitos mais passarão, Patrícia.
    A transformação interior é muito intensa, e não há como desconhecer o chamado.
    O vínculo da alma com uma certa linha religiosa pode já vir ocorrendo há muitos séculos, e cortar essa ligação não é uma tarefa muito simples. Mas, terá de acontecer com todos, mais cedo ou mais tarde.
    Um abraço.
    Gilberto.

    ResponderExcluir
  3. Grata pelo texto e pela dedicatória, estou em uma etapa do caminho cheia de questionamentos. O antigo não funciona mais e o novo ainda está em formação. Achei interessante a relação que você fez do 6 com o 7, na mensagem que me mandou. O devoto e o místico. Gostaria de saber se o caminho místico envolve também todas as questões profundas porque passa uma alma sete. E o que fazer com o Karma 16 nste novo processo.
    Um grande abraço e grata pela companhia na caminhada.

    ResponderExcluir
  4. Oi, Daniele !
    Estava sentindo falta de suas visitas.Mas, vamos lá para os seus questionamentos.
    O pior momento é sempre o de transição, quando estamos sujeitos a todos os tipos de riscos.
    A segurança está sempre nos pontos de partida e de chegada, jamais no meio do caminho. Ouvi e nunca mais esqueci que, o porto é o lugar mais seguro para um navio, mas ninguém imaginaria construir-se navios para mantê-los ancorados nos portos.
    Entre o 6 e o 7, talvez tenhamos que aturar as inseguranças dos valores intermediários, desde o 6,1 até o 6,9. Mas, como definir esses números com segurança? Como analisar cada 0,1 a mais depois do 6 e antes do 7 ?
    É nesse espaço que se dão os grandes conflitos da alma, as incertezas do que a crença no místico pode nos oferecer, na solidão de nossas reflexões.
    E a eterna dúvida será a que se pergunta a si mesma, se a religião com um chefe da igreja assumindo as diretrizes, não é mais seguro ? Ou, se vale a pena deixar o que não está bom, mas que dá uma relativa segurança, e tentar o novo, o desconhecido ?
    O místico é a própria noite escura da alma, Daniele. Penetrar por esse escuro caminho é perder todos os antigos referenciais, e passar a viver uma vida sem limites e sem escalas.
    Mas, não se trata de saber o que é melhor. Esse caminho não tem escolha, entra-se nele na hora que se tem de entrar, pois houve toda uma preparação, para que isso viesse a acontecer.
    O místico é o próprio 7, com toda a sua profundeza, introspecção e solidão.A iluminação só chega através do místico, do ocultismo e da meditação solitária.
    Aguarde a próxima postagem, em que falo do karma 16, e no que fazer para sair-se vitorioso desses resgates kármicos.
    Volte sempre, e não fique ausente por tanto tempo.
    Um abraço.
    Gilberto.

    ResponderExcluir
  5. E as seitas já não me contém...

    ResponderExcluir
  6. ...porque não nos contentam,nem nos conectam com o divino, como todas se propõem, minha amiga Perséfone.
    As seitas, ditas esotéricas, tendem a se transformar em religiões. As religiões se afastaram das suas origens e dos Mestres que as inspiraram. Assim, só nos resta a peregrinação solitária, em busca de nosso Deus interior.
    Um abraço, e grato pela visita.
    Gilberto.

    ResponderExcluir
  7. "Que as pessoas que se sentem induzidas a seguir seus próprios caminhos, confiem mais nas suas intuições, e se entreguem às suas peregrinações solitárias, em busca de uma comunhão plena com o seu Deus Interior." - Vc me mandou Seguir minha intuição , só não sei como ouvi lá perfeitamente - Enquanto ao texto que abrange religião , atualmente eu não estou "enquadrado" em nenhuma delas se fosse para escolher alguma escolherias as do oriente , mas prefiro acreditar em minhas próprias teorias e não completamente na igreja . ah mestre hoje é um dia 7 me senti muito bem não sei porque até parece que minha respiração tinha melhorado(gripe) estava rindo muito não sei se só pq foi um dia 7 (não sei) e ontem dia 6 estava ao contrario de hoje com um mal humor , não sei bem.

    ResponderExcluir
  8. Continue refletindo e observando, José Fabrício.
    Não perca tantas energias, a perguntar e querer explicar o que lhe vai na mente.
    Pense em silêncio, e deixe que seus pensamentos sigam livres, sem ficar manipulando-os.
    A intuição é a voz interior silenciosa que indica os caminhos a seguir. É tudo simples. Pare de imaginar que a espiritualidade seja um enigma que precisa ser decifrado com magias ou rituais.
    Ser espiritualizado é ser bondoso e amoroso com os outros, se colocando ao dispor de todos para prestar a ajuda que for necessária.
    É assim que se dá a evolução da alma.
    Um abraço.
    Gilberto.

    ResponderExcluir