sexta-feira, 3 de agosto de 2018

MEMÓRIAS DE UM PROFETA - CAPÍTULOS 1, 2 e 3

Meus caros leitores:
Hoje, começo a publicar, em capítulos, o meu livro Memórias de um Profeta.
A trama se desenrola na Alemanha, começando no final do século XVIII. 
Neste primeiro momento, publico 3 capítulos, para colocar, com maior rapidez, o leitor dentro da trama, facilitando a absorção do conteúdo do que vem mais adiante.
E, por fim, resta-me esclarecer que a história tem muito a ver com minha última vida na Alemanha, ainda que não possa ser considerada uma narrativa fidedigna dos fatos passados. 
Espero que gostem, e que passem a acompanhar os futuros capítulos, todas as sextas-feiras.
Quem quiser comentar, fique à vontade.
Abraços.
Gilberto.



 
MEMÓRIAS DE UM PROFETA
CAPÍTULO UM


Berlim. 1860. Gibran e Helga.
Estamos na Escola de Psicologia, onde os dois personagens centrais da nossa história se conheceram e nunca mais se separaram. O profeta é Gibran, um homem comum que desconhecia seus dons, até que seu Mestre o convocou para servir a Hierarquia.
Neste ano de 1860, os dois estudavam psicologia. Ele, pretendendo seguir o mestrado, e se incorporar ao corpo docente da Escola. Ela, mais interessada em clinicar, ambicionando ter o seu próprio consultório.
Gibran era de família árabe que imigrara para a França. Seus pais, assim que casaram, escolheram viver na Alemanha, e foram morar em Stuttgart, numa região de florestas e vinhedos.
Gibran teve uma infância livre e saudável. Amava o campo e a vida ao ar livre. Estudante exemplar, ele obtinha as melhores notas da classe. Seu sonho era tornar-se professor. Escolheu a psicologia e foi estudar em Berlim.
No primeiro ano de estudo encontrou Helga, uma jovem idealista e ambiciosa. Helga sonhava ser famosa e se tornar reconhecida mundialmente. A afinidade nasceu de conversas após as aulas, que se estendiam até a noite. Estudavam juntos e divergiam dos conceitos dos livros, em causas e efeitos.
Ele, mais conservador, ela, ativista à frente de movimentos estudantis de vanguarda. Ele a admirava, mas preferia ficar de fora de suas atividades, muito agitadas para seu temperamento reservado.
A passagem deles pela Escola foi brilhante, e dois meses após a formatura, casaram-se sem ritos e sem ditos. Não contaram para os amigos, que, aliás, eram bem poucos. Aos parentes, um lacônico comunicado.
Gibran tornou-se o mais admirado mestre da Escola. Helga abriu um consultório numa área nobre, atendendo a uma clientela de renome político e social. Ganharam dinheiro, mas, não tanto quanto amor e carinho.
Felizes, viveram em Berlim por cerca de 30 anos. A vida parecia perfeita, com dois filhos, uma bela casa e carreiras de sucesso. Até que, sem um motivo aparente, ele expressou o desejo de mudar para Stuttgart, a sua querida cidade natal, da qual tinha belas recordações da infância e juventude. Helga não se entusiasmou com a ideia.
Gibran sugeriu umas férias, para que ela conhecesse Stuttgart. Ela, então, foi incisiva, se não gostasse, não sairiam de Berlim.
Dois meses depois da viagem de férias, estavam de malas prontas, despedindo-se dos alunos, amigos e clientes, e embarcando para sua nova morada em Stuttgart. Levavam na bagagem muitos sonhos, ele mais do que ela. Os filhos já crescidos não seguiram os pais. A filha foi desenvolver seus dons de magia na Índia. Ela era uma bruxinha que vivia mais no plano astral do que no físico. O filho estudava pintura na França, e lá permaneceu, prometendo visitar os pais, durante as próximas férias.
Era o início de 1890, quando eles abandonaram suas carreiras profissionais e foram viver numa pequena fazenda, na área rural de Stuttgart, com hortas e pomares espalhados por suaves encostas cercadas de bosques e à margem de um regato de águas transparentes. Ele, 52 anos, ela, 50, ambos mais joviais do que quando se conheceram, rejuvenescidos pela magia da expectativa da nova vida.


CAPÍTULO DOIS
A nova casa era de madeira, brilhante pelo verniz e cercada pelo verde. Uma ampla varanda se debruçava sobre o bosque e permitia avistar ao longe o centro da cidade. Erguida num morrete, no meio de um bosque, a trilha até o sítio era de terra e muito sinuosa.
Extasiados pelo encanto da vida no campo, o casal resolveu levar uma vida simples, dispensando as antigas ambições de quem mora num centro urbano. A mudança foi maior para Helga, que tinha lá suas sofisticações, mas preferiu deixá-las em Berlim. Gibran vivia em êxtase nos seus primeiros dias de vida no campo.
A chegada deles a Stuttgart aconteceu no fim do inverno, mas ainda fazia muito frio pela manhã, e Gibran acordava cedo para respirar o ar gelado, enquanto mexia com a terra, firmava os mourões das cercas e cercava de pedras os futuros jardins. Helga acordava mais tarde, e, mal levantava da cama, ia direto para o quintal, onde conferia o progresso da construção dos seus canteiros.
Depois, sentados, à espera dos primeiros raios de sol, faziam o desjejum e se alimentavam mais de sonhos do que de pães, bolos ou vinho. A região era próspera de pomares, e as frutas frescas e saborosas eram presenças obrigatórias na primeira refeição do dia.
A manhã era dedicada a mexer com a terra, e a tarde era a vez da casa. Havia muito que fazer, tanto do lado de fora como no interior da casa. E eram os dois que se encarregavam de todos os afazeres. Nada de empregados ou serviçais, as tarefas eram assumidas pelos dois, e por ninguém mais.
No fim do dia, cansados e cheios de projetos para o dia seguinte, caiam no sono e sonhavam com um tempo futuro, cada qual com suas expectativas pessoais. Helga via o seu recanto florido e perfumado. Gibran ouvia conselhos e ensinamentos, como se à madrugada visitasse uma sala de aula, e de lá só saía com o canto do galo.
Parecia uma segunda lua de mel, que era, de fato, a primeira, pois, o casamento fora festejado num ambiente íntimo, sem viagens e nem passeios. O dia seguinte ao casamento encontrou-os saindo cedo para o trabalho, e passaram-se alguns anos, antes que pudessem viajar de férias. Filhos cobrando atenção e regendo a programação diária não permitiam que se pensasse em lua de mel. E assim passou o tempo, encontrando-os celebrando o casamento, quase 30 anos depois.
CAPÍTULO TRÊS
Gibran e Helga abandonaram os antigos hábitos, alguns herdados da família e outros criados a dois. Rotinas, horários e rigores foram trocados por libertações e inovações. Os rituais foram renovados tanto os físicos como os espirituais.
Gibran passou a se interessar por estudos de teosofia. Ele vinha recebendo mensagens nos sonhos, que ganharam formas no bico de pena, e passou a registrá-los num diário. A parte da tarde começou a ser ocupada pelos escritos e leituras.
Helga continuava entregue às plantas e flores, transformando espaços em jardins. A sua criatividade produzia obras de arte, combinando cores e flores. Os jardins ocupavam os espaços vagos entre a casa e o córrego que atravessava a propriedade e que levava águas cristalinas pela encosta abaixo.
O tempo passava, e eles nem sentiam. Os sentimentos entre eles se fortaleciam, e eles se amavam como nos primeiros tempos de casados, ou talvez mais. As conversas aconteciam pela manhã, na hora da terra, e à noite, que passou a ser a hora da casa. A tarde era reservada aos estudos de Gibran e aos retoques domésticos de Helga, que trazia o jardim para dentro de casa, enfeitando e colorindo cada cômodo, com arte e bom gosto.
Quase um ano após a mudança, eles conheceram um sábio homem, que se chegou a eles por um acaso, se é que tal existe. Eles estavam na cidade, tinham ido visitar os pais de Gibran. Sentados à mesa de um pequeno restaurante, eles ouviram uma conversa estranha que vinha da mesa ao lado.
Helga chamou a atenção de Gibran, que vivia distraído em suas viagens astrais, filosofando e monologando consigo mesmo. Os dois ouviram falar de mensagens recebidas de Mestres, de poderes mediúnicos, de doutrinas secretas, telepatia, rituais mágicos e outros assuntos repletos de mistérios e palavras de magia.
Dois homens eram os personagens da conversa. Um perguntava e outro respondia. O curioso era um discípulo do mestre teosofista. Membros da Sociedade Teosófica, eles haviam marcado um encontro, aproveitando a passagem do discípulo pela cidade.
O interesse de Gibran e Helga pelo que ouviam, fez com que os teosofistas percebessem o esforço que faziam para não perder uma só palavra que vinha da mesa ao lado. Convidados para sentar com eles, o casal não pensou duas vezes. E ficaram calados e ouvintes.
O discípulo partiu e o mestre ficou a conversar com os dois. A tarde deu lugar à noite, e eles nem perceberam. Já era tarde, quando se despediram e marcaram um novo encontro na casa do mestre. O mestre estava no centro da cidade visitando um amigo, e voltaria para casa no dia seguinte. A casa dele ficava a 10 minutos a pé do sítio de Gibran e Helga. Feliz coincidência!
Naquele tempo, Gibran ainda não tinha noção que coincidências não existem. O mestre marcou o encontro para daí a três dias, despediram-se e cada qual seguiu o seu caminho.
Gibran olhou para Helga, e ela sorriu para ele, meio assustada e amedrontada com o que ouvira. Conversaram aquela noite até tarde, sobre os relatos estranhos que tinham ouvido. Ela confessou que estava meio receosa, mas que não perderia a oportunidade de saber mais, nem que tivesse de entrar num castelo sombrio e mal assombrado.
Adormeceram e sonharam muito, mas nenhum dos dois foi capaz de lembrar os sonhos. Despertaram, no dia seguinte, apressados para voltar para o sítio. Despediram-se dos pais de Gibran, e pegaram o trem que os deixaria na estação bem próxima ao local onde moravam.
A viagem pareceu mais lenta do que de costume. E, os dois dias que antecederam a visita ao mestre pareceram os mais longos de suas vidas. Enfim, o dia marcado chegou. As horas demoraram a passar. E lá foram os dois, pela estradinha margeada de belas árvores frutíferas e acompanhados pelo riacho, que descendo a encosta próxima da casa deles, parecia segui-los.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

CRISE MUNDIAL - HISTÓRICA REPETIÇÃO


Hoje, vou usar trechos do livro de Fritjof Capra, O Ponto de Mutação, para tentar esclarecer as permanentes crises por que passa a humanidade. Recuso-me a explicar as crises por envolver causas múltiplas e sem padrões definidos. Os esclarecimentos visam, muito mais, dar aos leitores uma conscientização de que tudo se repete, as crises são sempre as mesmas, mas com facetas diferenciadas.

Diz o autor do livro, logo no 1º capítulo que, desde a metade do último século, vem ocorrendo, mais do que em tempos passados, um estado de profunda crise mundial. Trata-se de uma crise complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos de nossa vida – a saúde e o modo de vida, a qualidade do meio ambiente e das relações sociais, da economia, tecnologia e política.

Ele alega que, desta feita, a crise é de dimensões intelectuais, morais e espirituais; uma crise de escala e efeitos sem precedentes em toda a história da humanidade. De repente, nos vimos forçados a nos defrontar com a real ameaça de extinção da raça humana e de toda a vida no planeta.

Pouco depois da virada da metade do século XX, na década de 50, líderes mundiais decidiram usar os chamados “átomos para a paz” e apresentaram a energia nuclear como a fonte energética do futuro, confiável, limpa e barata. Hoje, estamos conscientes que, a energia nuclear não é segura, nem limpa e nem barata.

Os reatores nucleares liberam elementos radioativos exatamente iguais os que caem sobre a Terra, após a explosão das bombas atômicas. Milhares de toneladas desse material tóxico já foram descarregados no meio ambiente, em consequência das explosões nucleares e de vazamentos de reatores.

E continuam se acumulando no ar que respiramos, nos alimentos que comemos e na água que bebemos, aumentando o risco de se contrair câncer e doenças que afetam a nossa imunidade, por atingirem o nosso sistema imunológico.

Mesmo pondo de lado a ameaça de catástrofe nuclear, o ecossistema global e a futura evolução da vida na Terra estão correndo sério perigo e podem resultar num desastre ecológico em grande escala. A superpopulação e a tecnologia industrial têm contribuído de várias maneiras para uma grave deterioração do meio ambiente natural, do qual temos total dependência.

Além da poluição atmosférica, nossa saúde também é ameaçada pela água e pelos alimentos, contaminados por uma enorme variedade de produtos químicos tóxicos, empregados como aditivos alimentares sintéticos, pesticidas, agrotóxicos e em produtos plásticos.

Enquanto as doenças de subnutrição e infecciosas são as maiores responsáveis pela morte no Terceiro Mundo, os países industrializados são flagelados pelas doenças crônicas e degenerativas, chamadas “doenças da civilização”, dentre as quais, enfermidades cardíacas, câncer e derrame.

Quanto ao aspecto psicológico, enfrentamos depressões graves, esquizofrenia e outros distúrbios comportamentais, que têm suas origens numa deterioração paralela de nosso meio ambiente social. O aumento de crimes violentos e de suicídio de pessoas jovens é tão elevado que já é considerado como epidemia.

A par dessas patologias sociais, segundo a visão de Capra, tem-se presenciado anomalias econômicas que parecem confundir nossos principais economistas e políticos. Inflação, desemprego e uma distribuição grosseiramente desigual de renda e de riquezas passaram a ser características estruturais da maioria das economias.

Discute-se o que se deve atacar em primeiro lugar – a crise energética ou a inflação? Não se percebe que ambos os problemas, como os demais são apenas facetas de uma mesma crise. Quer falemos de câncer, criminalidade, poluição, energia nuclear, inflação ou escassez de energia a causa é a mesma, ainda que os efeitos pareçam não ter relações.

Os economistas são incapazes de entender como conciliar o progresso e o controle da inflação, os oncologistas estão totalmente confusos acerca das causas do câncer, os psiquiatras são mistificados pela esquizofrenia, a polícia vê-se impotente em face da crescente criminalidade, e a lista vai por aí afora.

Segundo concluiu em seus estudos, Capra declara que esses problemas são sistêmicos, o que significa que estão intimamente interligados e são interdependentes. Não podendo, por isso, serem entendidos por uma metodologia fragmentada, que é característica de nossas disciplinas acadêmicas e de nossos organismos governamentais.

Diante dessas conclusões, não podemos fugir de admitir que a maioria dos nossos principais pensadores usa modelos conceituais obsoletos e variáveis irrelevantes. E uma afirmativa que polemiza ainda mais essas conclusões é a que atribui esse impasse conceitual à quase totalidade dos mais eminentes intelectuais ser constituída por homens.

Rigidez, tipicamente masculina, pouca sensibilidade para efetuar mudanças, emprego da imposição de verdades, pela força ou pelo uso do poder, são as consequências naturais desse predomínio quase absoluto da presença de homens à frente das experiências e conclusões.

A conclusão a que se pode chegar é que, perante regras e conceitos inovadores, enfrenta-se uma resistência à mudança de métodos e posturas para tratar dos velhos problemas. E assim caminha a humanidade, entre conflitos e crises, numa histórica repetição. Os velhos efeitos se repetem, mesmo diante de novas causas.

Como dizia Quincas Borba, na excelente obra de Machado de Assis – é sempre Humanitas lutando contra Humanitas.




domingo, 24 de junho de 2018

OS MISTÉRIOS DO KARMA



A vida tem sido dura para muitos, já que os tempos modernos cobram muito e dão pouco. Pelo menos, assim pensam os que desconhecem a justiça da Lei do Karma.

A ilusão de uma vida única, em que a justiça parece ser o efeito do que, simplesmente, se faz nesta vida, é a responsável por tanta revolta e inconformismo.

Fui na prateleira da biblioteca e recolhi o livro de Virginia Hanson e Rosemarie Stewart, intitulado KARMA A Lei Universal da Harmonia, para tentar extrair de suas folhas, algum tipo de consolo para este povo sofrido e tão desinformado das leis espirituais.

Na página 32, capítulo 2, encontro uma simples afirmativa, bem conhecida e aceita, por muitos de nós, “cada trabalhador é merecedor de seu salário, segundo o Livro da Sabedoria”.

Logo a seguir, lê-se que a personalidade é como uma série de roupas novas com suas características específicas, tais como cor, forma e qualidades. Mas, o homem real que as veste é o mesmo que vestiu as velhas.

Isso, e apenas isso, pode responder pela aparente terrível injustiça na distribuição de cada destino na vida da humanidade. Muitos seres bons sofrem durante quase toda a vida, sem motivo aparente, para quem só enxerga a vida presente.

Por que tantos nascem pobres e sofrem famintos? Perguntam-nos as autoras. E nós, sem saber o que alegar para essas discrepâncias de tratamento, nos consolamos com desculpas rotas e esfarrapadas, sem nenhum sentido lógico, mas que encontram respaldo na fé incutida nas mentes religiosas.

A resposta é encontrada na reencarnação e na evolução das almas, através da superação dos karmas, contraídos em vidas passadas. A roupa nova não será melhor do que a antiga, a não ser que tenha uma saudável serventia ao dono, a sua alma.

A troca de roupa, a cada vida, temo real objetivo de proporcionar novas experiências à alma, para que, enfrentando novos desafios, dê um novo sentido às suas ações, que em vidas passadas causaram danos e males à natureza e à humanidade.

A justiça que prevalece no fiel cumprimento dos mais nobres ideais de evolução da humanidade denomina-se Karma, a lei infalível que, nos planos físicos, mental e espiritual da existência, ajusta o efeito à causa.

Nada e ninguém estão isentos aos efeitos de ações passadas. Se as causas forem criativas e favoráveis à evolução, os efeitos serão ajustados a essas causas construtivas e as ações serão recompensadas na forma de ocorrências benéficas a quem as provocou. Caso contrário, surgem os sofrimentos, castigos e punições, inevitáveis e irrecorríveis.

Os nossos Mentores Espirituais relatam que, no momento da morte, cada um vê toda a sua vida diante de si, em seus mínimos detalhes. Esse instante é suficiente para revelar toda a cadeia de causas presentes em sua vida.

Cada um, então, vê e compreende a si mesmo, como se sua vida passasse a limpo, sem elogios ou condenações, apenas num relato frio e coerente com suas ações. Ele sente e reconhece a justiça de todo o sofrimento que se abateu sobre ele, a cada erro cometido ou maus pensamentos dirigidos àqueles com quem se relacionou.

Essa Lei é a que os religiosos costumam chamar de castigo de Deus, e que os mais espiritualizados identificam como Lei do Karma, ou a justiça que ajusta os efeitos às causas, e que tem agido desde toda a Eternidade.

O Karma não cria e nem planeja nada. É o ser humano quem planeja e cria as causas. A Lei do Karma somente ajusta o efeito, e tal ajustamento não é um ato, mas o resultado da harmonia universal que procura sempre recuperar o equilíbrio inicial, que retirou a justiça da sua posição original.

Todos têm seus pontos fracos, que nas vidas seguintes deverão ser corrigidos, numa eterna busca de perfeição. Quem aponta esses erros é a própria consciência de cada um, que passa a planejar uma nova personalidade, que venha a ajudar cada qual a se corrigir, e não mais repetir os erros passados.

O processo em si é muito mais simples do que essa história de Céu e Inferno, para toda a eternidade. A cada nova encarnação, surgem oportunidades de superação das antigas falhas e de novos aprendizados, que se incorporarão à evolução espiritual da alma.

Por conseguinte, não percamos tempo em esmiuçar as imperfeições alheias, vamos concentrar-nos em nossos próprios defeitos, a fim de corrigi-los e proporcionar às nossas almas as condições necessárias para a sua evolução.

domingo, 17 de junho de 2018

O GRANDE ENIGMA DO TER E DO SER



Diante da situação caótica que aflige a sociedade moderna, com valores autênticos sendo trocados por soluções baratas e desqualificadas, desfolhei o livro de Erich Fromm, TER OU SER, buscando respostas, que nos dê uma probabilidade razoável de esperança num futuro próximo.

Confesso-lhes que não encontrei opções animadoras, dentro do contexto atual em que vivemos, mas, não nos custa tentar seguir as reflexões deste humanista, psicólogo, economista e sábio pensador, em suas profundas divagações sobre as probabilidades futuras.

Começo este texto, indo buscar no último capítulo do livro, em que encontrei o que considerei interessantes considerações sobre como o autor vê a Nova Sociedade que se impõe com todas as suas formas obsoletas de conceituar o que seja o progresso.

Tendo em vista o poder das empresas, a apatia e a fragilidade de grandes segmentos das populações, a incompetência dos líderes políticos em quase todos os países, o permanente risco de guerras, os perigos ecológicos com permanentes ameaças de sérias alterações climáticas, que podem provocar a fome em grandes áreas do globo, surge a questão proposta por Erich Fromm – haverá uma oportunidade razoável de salvação?

É bom que se diga que, o livro que estamos utilizando para esta abordagem foi escrito em 1976, há mais de 40 anos, quando poucos se davam conta de todas essas ameaças, ou, até mesmo, nem haviam nascido.

Esqueçamos a sorte ou os programas econômicos que prometem transformar esses riscos num futuro seguro e próspero, e tratemos de fazer a nossa parte, avaliando as ponderações de um estudioso da sociedade, para chegarmos às nossas próprias conclusões.

A vida nem é um jogo de azar nem um negócio financeiro, e devemos procurar outros ângulos para uma apreciação das reais possibilidades de salvação. Façamos uma comparação com a medicina, e vamos concluir que, se o doente tem possibilidade de cura, por menor que seja, nenhum médico responsável dirá que já fez o possível ou usará tratamentos paliativos. Logo, uma sociedade doente, como a nossa, não pode esperar menos que isso.

Já naquela época, o nosso sábio autor, concluía que, o que ele chamou de fascismo tecnocrático, deve nos levar, inevitavelmente, à catástrofe. O homem desumanizado se tornaria, então, tão mau que não seria capaz de manter uma sociedade viável a longo prazo, enquanto que, a curto prazo não seria capaz de deter o uso suicida de armas nucleares ou biológicas.

Muitos se sentem deprimidos, os mais desesperados se têm suicidado. O número desses que chegam ao extremo, por absoluta desesperança, é cada vez maior. Eles sentem a infelicidade do seu isolamento e o vazio da sua “aglomeração”, e assim se veem impotentes, face a falta de significado de suas vidas.

Hoje, a vida vazia de consumo e futilidade pertence a toda a classe média, que econômica e politicamente não tem poder nenhum e pouquíssima responsabilidade pessoal. Começa-se a descobrir que o fato de ter muito não proporciona bem-estar e os conceitos de qualidade de vida estão sendo postos à prova.


Ambição e cobiça são tão fortes não porque sejam inerentes à natureza humana ou por serem inerentemente intensas, mas devido à dificuldade de resistir à pressão de se tornar lobo entre os lobos. E a tendência é que isto permaneça e se intensifique, numa sociedade como a nossa, cuja principal orientação e para TER, e cada vez mais.

Pensemos numa sociedade futura que nos dê esperanças de paz, que proporcione progresso para todos, e não restrito a uma pequena elite, que só ela, se beneficie das conquistas humanas.

Este nobre ideal só será possível se as atuais motivações com base no lucro, poder e intelecto forem substituídas por novas motivações, de ser, participar e compreender; se o ideal mercantilista der lugar a um sentimento de compartilhar direitos e conquistas; se a religião preconceituosa e discriminadora for substituída por uma nova prática espiritual profundamente humanista e universal.

Deixo para o último parágrafo a conclusão numerológica para esse enigma, e o faço de forma clara e serena – a solução é trocar o costume arraigado de supervalorizar o 1 e exaltar a busca do 8 por uma ação determinada pelo 4 e pelo 6, sob a inspiração do humanitário e caridoso 9. Sem a prática altruística e compartilhada do 9, a humanidade não terá uma probabilidade razoável de salvação.



quinta-feira, 14 de junho de 2018

LEGALIDADES E ILEGALIDADES ESPIRITUAIS

LEGALIDADES E ILEGALIDADES ESPIRITUAIS

Assim como existe o Código de Justiça, elaborado pelos homens, há um Código maior, desconhecido da maioria dos homens, e que rege a justiça no mundo terrestre.

A base que inspirou este Código divino é desconhecida da humanidade, que se confunde, sempre que tenta explicar as suas origens.

A maioria atribui estas origens a um Deus Justiceiro, que não só criou as Leis, mas que também julga os infratores, uma espécie de Sérgio Moro, que não só aplica a Lei, como a modifica a seu gosto e critério.

Os Iniciados recebem ensinamentos dos seus Mestres, que lhes contam verdades inacessíveis aos homens comuns, daí porque, de tempos em tempos, surgem revelações que contrariam as crenças religiosas.

Os mais evoluídos, dentre esses Iniciados, sabem que as religiões não correspondem aos nobres ideais de seus inspiradores, e que foram deformadas por seus criadores, transformando-se, todas elas, em verdadeiros partidos políticos da fé.

No mundo moderno, surgem clamores para transformar crimes em atos legais, para o que seus defensores alegam uma nova ordem social, científica e política, que cobra a modernização das Leis.

A ingenuidade da massa humana que habita este jovem planeta Terra invoca os novos tempos, para justificar mudanças nos critérios éticos e morais vigentes, por considerar os métodos mais antigos como fora de moda.

Dentre as modernizações pleiteadas, junto aos poderes políticos e jurídicos, encontra-se o direito ao aborto, sob a alegação de se tratar do direito da mulher sobre o seu corpo.

Escrevi, recentemente, a um grande amigo com o qual troco opiniões, que este tema está sendo banalizado, numa discussão de simples direito de propriedade, como se o feto fosse um objeto pertencente à mãe.

Dizia eu que, em minha opinião, o aborto não é uma questão política e nem legal, mas, essencialmente, espiritual.

Quem acredita que o feto já tem alma, o aborto é um assassinato, em tudo semelhante ao ato de se matar um bebê recém-nascido, com a diferença que um ainda não saiu do útero da mãe e o outro já se encontra fora do corpo materno.

Quem, no entanto, acredita que o feto seja uma propriedade física da mãe, então, não há o que discutir, nem razão para proibi-la de se desfazer de algo que lhe pertence.

Conclui o meu comentário, nessa conversa virtual com esse amigo, que a decisão é pessoal, com todas as consequências visíveis e invisíveis.


No Código de Justiça divino, é a Lei do Karma que governa o Tribunal, e ela é implacável no julgamento do aborto, atribuindo-lhe o karma 14, com todas as futuras consequências, nas vidas subsequentes.

Os castigos kármicos, como efeitos do karma 14, podem acarretar, nas vidas seguintes, esterilidade, abortos espontâneos, rejeição e abandono da parte de filhos e rompimentos de relacionamentos familiares, ou consequências, ainda, mais trágicas.

Quem considerar que vale a pena se livrar de um futuro filho, nesta vida, e sofrer os efeitos kármicos desta atitude, ainda nesta ou nas próximas vidas, então que o faça, independente da Lei dos Homens, pois não há lei humana que justifique o karma.

Quem não acredita em vidas futuras, que corra o risco, e faça o seu aborto, se livrando de uma criança, cuja alma escolheu nascer de uma mãe que não a deseja, e que é capaz de matá-la, antes que possa conhecer o mundo de luz desta mãe.

Quem espera a autorização da justiça dos homens, para cometer o crime, pode ter certeza que, o crime já foi cometido, faltando apenas materializá-lo.

Esta é uma pequena amostra da diferença entre a justiça divina e a justiça humana, em que há princípios que regem a evolução da alma, em confronto direto com direitos que satisfazem o interesse do corpo físico e da sua personalidade.

Esta é uma das inúmeras diferenças entre as duas modalidades de justiça.

Tudo vai depender do grau de consciência espiritual, para seguir uma ou outra.

Desejo a futuras mamães, médicos e enfermeiras, políticos ou juízes, que, ao pôr a cabeça no travesseiro, durmam bem, e tenham um bom sono.










quinta-feira, 5 de outubro de 2017

PELA REPÚBLICA

Encontrei nos meus guardados um recorte de jornal de 6.6.1987, e não pude me conter de publicá-lo neste meu espaço, que, além de tratar de numerologia, procura abrir a mente dos leitores.
Às vezes, imaginamos em nossa ingenuidade física e imaturidade espiritual que tudo vai de mal a pior, e que a humanidade não tem mais o padrão de ética e moral de antigamente. Leiam o texto abaixo, sem tentar descobrir o seu autor, e depois reflitam sobre justiça e honestidade.

"Quando na solidão do meu gabinete contemplo o Brasil que agoniza no leito das torturas que lhe armaram os desmandos do regime que nos rege; quando escuto as invectivas indecorosas que mutuamente se assacam os bandos políticos que, como lobos famintos, disputam entre si as migalhas de um poder degenerado; quando constato o estado de apatia coletiva que mais parece uma saliência do caráter nacional - enquanto o povo estorce-se nas garras aduncas da miséria, da ignorância e do vilipêndio; quando vejo a honra e o talento abatidos pela exaltação da mediocridade bem sucedida dos charlatães e pusilânimes da causa pública; e quando descortino o horizonte da impunidade e da desesperança - eu me pergunto: não haverá um único homem que, purificando o trato das instituições, sustenha a pátria que resvala para o abismo no fundo do qual irá encontrar seu esfacelamento? Como aterradora resposta, recolho o silêncio e o desânimo". 




(Texto de Clóvis Beviláqua - Junho de 1879)

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

REPENSANDO OS PADRÕES VIGENTES

REPENSANDO OS PADRÕES VIGENTES

Caros leitores:
Há momentos em que nos sentimos derrotados por um sistema de vida, que nos impõe verdades, nas quais não acreditamos, e que nos deixam a repensar os padrões a que temos de nos submeter.
Será justo não acreditar nos valores desses padrões, mas, mesmo assim, sermos obrigados a segui-los e acatá-los? Quem tem esse poder de criar e impor padrões?

Esta questão atravessa os tempos. Em eras antigas, atribuía-se a Deus os padrões estabelecidos, como se Ele fosse o autor das leis estabelecidas por reis e líderes religiosos.
Com o passar do tempo, descartou-se a autoria divina, e o mundo mais civilizado, segundo os juízes das sociedades, passou a estabelecer seus padrões, segundo os sábios e anciãos das tribos.
Mais algum tempo, e a civilização dando saltos de progresso, questionável, é verdade, mas seguindo os padrões impostos pela maioria, ou por uma suposta e influente tendência lógica, desprezou os sábios e mais velhos, substituindo-os pelos mais ricos e poderosos.
Em certo momento da história, uns pretensos especialistas, se deram conta que devíamos adotar a chamada democracia, em que o povo expressa a sua vontade, mediante o voto e por meio de seus representantes, os chamados deputados.
Se julgarmos que, isto tenha acontecido recentemente, estaremos redondamente enganado. A aclamada e reclamada democracia é antiga, talvez originária da Atlântida, após a partida dos Deuses.
E, para a decepção dos que se ufanam em se dizer democratas, como se isto fosse motivo de orgulho e justiça, o sistema com padrões democráticos, semelhantes aos adotados nos dias de hoje, foi abandonado, há milhares de anos, por se ter demonstrado irracional e inexequível. 
 
O padrão democrático provocou muita confusão, pois a raça humana confundia o poder temporário com o privilégio permanente de manipular esse poder, segundo seus próprios interesses, não se conformando em, simplesmente, transferir esse direito transitório para seu substituto, findo o seu mandato.
A história da política mundial narra essa confusão de poder com as tintas da leveza e da fantasia, sem relatar a luta nos bastidores da política, pela perpetuação desse poder.
A democracia passou a ser considerada um avanço na forma de governar, em que o poder era transferido  de um governante para outro, de acordo com a vontade popular. 
 
A conveniência dos poucos que, realmente, exercem o poder, não deixava transparecer as distorções e os ilícitos cometidos pelos poderosos que, depois de exercerem o poder, não mais o deixavam escapar-lhe do controle.
O sistema não é o responsável pela justiça ou pelo respeito à vontade popular, por ser apenas uma ferramenta que constrói o padrão estabelecido pelos homens. E esse padrão segue o poder da força e dos interesses dos mais poderosos.
Muitos hão de julgar que, criticando a democracia, estou defendendo a ditadura, por acreditarem que uma seja o oposto da outra. Engano, meus leitores, ledo engano, de quem vem sendo doutrinado por um sistema tendencioso e corrupto, com a cumplicidade de uma mídia facciosa, que não noticia, mas promove política, através dos noticiários.
Em verdade, podemos atribuir o conceito de ditadura, a qualquer forma de governo, desde o capitalista ao socialista, da república à monarquia. O diferencial está na consciência e cultura de cada povo, para aceitar ou rejeitar a prepotência e o autoritarismo.
Haveria uma forma de governo perfeita, em que o povo teria o direito a decidir seu futuro, de fato e de direito? Esta é uma pergunta que atravessa os tempos, sem uma resposta plausível.
A questão não é o governo, mas o governante. Não somente o governante, mas o povo que o eleja como seu líder.
As respostas fáceis não estão disponíveis, quando as perguntas envolvem interesses e poderes. Quando o povo não pauta suas ações pela cultura e pela justiça social, as soluções oferecidas pela democracia não solucionam, só confundem e criam conflitos.
Criam-se leis, que substituem as existentes, postas de lado com a desculpa de não mais atenderem à vida moderna, ou, o que é mais verdadeiro, aos interesses das novas elites do poder.
A democracia protege muito pouco os direitos conquistados pelo povo, bastando forjar mentiras e reunir interesses, para se derrubar a estrutura legal predominante.
A situação de uma nação, diante da escolha de um sistema ou de um governante, lembra-me das consultas que recebo, para dar um nome de sucesso a uma empresa.
Diante da proximidade do registro da razão social da nova empresa, um dos sócios me procura e pede que a numerologia indique um nome que propicie o sucesso nos negócios.
Assim como, não há sistema de governo perfeito, sob o comando de um governante imperfeito, o mesmo acontece com o mundo empresarial.
Se os sócios da empresa em formação apresentam karmas de insucesso, perdas e fracassos, não haverá razão social que, por si só, evite prejuízos e sérias dificuldades em seus negócios.
No caso dos sistemas e dos governantes, existe um fator que tem um peso relevante, para determinar o êxito de uma nação, o padrão cultural de quem põe e tira o poder das mãos dos governantes, a consciência ética e moral do eleitorado.


Se o povo é inculto, amoral, desonesto e ganancioso, o poder cai nas as mãos de governantes e deputados que expressam esses defeitos. Se, num certo momento da história do país, o povo desiludido, diante da pobreza e das injustiças, se rebela contra o sistema, e elege um defensor das causas sociais, a reação preconceituosa e maldosa, logo cria fórmulas que, mais tarde, hão de derrubar o governante eleito.
Sonhar com um mundo melhor passa, obrigatoriamente, pelo processo de ofertar cultura ao povo, para que, autoconsciente e cultivando o autoconhecimento, esse povo pratique a justiça e o poder coletivo, em que o regime favoreça o todo, e não a cada um dos que se beneficiam do poder.
 
Na Antiga Grécia, os sábios eram os filósofos, e os governantes os consultavam, quando tinham de tomar sérias decisões. Se as decisões iam além da sabedoria humana, a consulta era feita às sacerdotisas do Templo de Delfos, as pitonisas, que diziam como os reis e ministros deviam agir.
Os tempos eram outros, é verdade! A Grécia foi o berço da sabedoria, na época dos grandes filósofos, que passavam os seus conhecimentos em plena praça pública.

Pitágoras criou a Escola Iniciática de Crotona, construída e entregue a ele, pelos governantes gregos, com a intenção de preparar administradores, que soubessem reinar com justiça e sabedoria, com vistas, tanto ao sucesso econômico, como ao progresso espiritual.

Acho, meus leitores, que está na hora de reverem os seus conceitos, de confiarem menos nos outros e mais em si mesmos. Desliguem a TV, e liguem as suas mentes! Leiam livros e não acompanhem novelas! Preocupem-se mais com os outros, e deixem o egoísmo de lado!
Quando o mundo for justo e próspero com todos, cada um herdará uma parcela dessa justiça.