domingo, 7 de abril de 2013

TEIA AMBIENTAL



TEIA AMBIENTAL - UMA TRAMA A FAVOR DA VIDA
ALÔ, ALÔ, MARCIANOS, AQUI NO BRASIL EXISTEM LEIS.


Meus caríssimos leitores, de repente, decidi falar de coisas boas na Teia Ambiental. Confesso-vos que já estou cansado de criticar os desmandos da humanidade, sem qualquer resultado prático. 
No dia 11 de março deste ano, foi publicada a notícia que as multinacionais Shell e Basf haviam aceitado a proposta de indenização para ex-funcionários, que tinham sido contaminados em suas fábricas na cidade de Paulínia, no estado de São Paulo.
A aceitação da proposta de indenização milionária só se deu pelo fato do Tribunal Superior do Trabalho ter dado um prazo que se esgotava naquele dia 11.  Bem que as duas empresas usaram de todos os artifícios jurídicos e das artimanhas econômicas para driblar a justiça, e deixar seus ex-funcionários morrerem à míngua. Esta é uma prática comum entre essas empresas que instalam seus parques industriais em nossas terras, buscando lucros máximos e comprometimentos ambientais mínimos.
As diretorias internacionais das empresas multinacionais costumam ouvir ou ler que os países das Américas, abaixo dos Estados Unidos, são mercados livres de responsabilidades, onde a justiça que manda é a da corrupção e do dinheiro. Assim, elas instalam em nossas terras suas fábricas com um mínimo de atenção para a segurança ambiental e tratando seus empregados com o descaso típico de quem não está nem aí para a saúde deles.  
Enganam-se os que julgam que o Brasil ainda é aquele mesmo país dependente dos povos mais ricos europeus e o norte-americano, e submetidos à escravidão do dinheiro. Nós temos leis, e rígidas leis, que podem demorar a ser aplicadas, mas que funcionam dentro de uma visão correta de direitos e deveres.
Essas duas empresas, como já havíamos comentado aqui na Teia, contaminaram o ar e as águas dos córregos de Paulínia. Instalada pela Shell, em 1977, a fábrica que foi, mais tarde, comprada pela Basf, produzia pesticidas e inseticidas. Em 2002, ela foi desativada, depois de ser constatado que estava contaminando o solo e o lençol freático.
As análises revelaram a presença na região, inclusive nos poços artesianos, de metais pesados e substâncias organocloradas, que são cancerígenas, e que estavam sendo absorvidas pelos organismos dos moradores que usavam a água para beber e cozinhar.
Entre 2002 e 2012, registrou-se a morte de 61 ex-trabalhadores, todos com doenças decorrentes da exposição aos agrotóxicos. As empresas, como sempre costumam fazer essas poderosas fabricantes de venenos, alegavam que não há evidências de que as doenças foram causadas pelo contato com as substâncias tóxicas. Seriam apenas trágicas coincidências, essas mortes por contaminação, durante a permanência da fábrica na região? Que petulância! Quanta insolência!
Essas gananciosas instituições internacionais julgam poder fazer o que bem entendem e ganhar dinheiro fácil, e ainda contaminar as áreas onde produzem seus venenos, e ir embora sem indenizar as vítimas. Engano, já não é mais assim!
O Tribunal deu um prazo para que as empresas celebrassem um acordo com os trabalhadores, que se reuniram no dia 8, e aprovaram o valor de R$ 200 milhões para uma indenização coletiva e mais R$ 170 milhões em indenizações individuais. Além disso, mais de mil ex-empregados terão direito a tratamento médico vitalício.
Como sempre é costume dessas empresas multinacionais, a Shell afirmou que alguns pontos ainda precisarão ser discutidos, com a indicação de um gestor para gerenciar a liberação de pagamentos e reembolsos de despesas de saúde. Elas protelam o cumprimento de acordos e decisões judiciais, levando os prazos aos seus limites máximos, antes de cumprir a lei. E, ainda corre contra as duas empresas uma ação em que mais de 200 moradores que viviam na região afetada pela fábrica também buscam indenizações por danos morais e materiais.
É claro que, nem a Shell e nem a Basf esperava desembolsar tanto dinheiro, depois de contratar escritórios de advocacia caríssimos para defendê-los, como costumam fazer essas mega-empresas. Mas, elas e tantas outras que vivem poluindo o nosso solo e o nosso ar terão de aprender que aqui não somos terra de ninguém, temos leis ambientais rígidas, e juízes atentos a essas ações predatórias.
E, tu meu caro leitor, que te acostumaste ao mau hábito de falar mal do teu país, procura respeitar mais o lugar onde nasceste ou moras. Afinal, o exemplo tem de ser dado a partir de nós brasileiros. Que mania de falar mal do próprio país, como se ele fosse uma entidade amorfa, dissociada dos cidadãos que nela habitam!
Aqui existe justiça, sim, e ela é para ser aplicada contra brasileiros ou estrangeiros que não cumpram as leis. E, em qualquer lugar do mundo, conhece-se o lema – a justiça tarda, mas não falha. Aqui não é tão diferente de outros países, onde julgamos que tudo é perfeito, mas, só quem mora lá é que sabe dos seus problemas.








quinta-feira, 7 de março de 2013

TEIA AMBIENTAL - LIXO

TEIA AMBIENTAL - Lixo

Teia Ambiental Rede de Conspiradores Preservacionistas

Meus queridos leitores;
Estava pensando sobre o tema da Teia deste dia 7, e resolvi reler postagens antigas. Eis a preciosidade que encontrei, e que resolvi republicar.
Escrito em 7 de maio de 2010, chafurdei no mesmo lixo que me inspirou no passado, só que ainda maior.
A sociedade, hipnotizada pela medíocre e promíscua baixaria do Big Brother, consome qualquer lixo, desde que esteja na moda. A Globo mandou o povo comprou.
Era assim, há cerca de 3 anos atrás, e assim continua.
Que tristeza! 
 Acompanhem o texto com atenção, e me digam se estão inseridos no contexto, ou, se reagem a tudo isto com indignação.
Abraços.
Gilberto.


O LIXO NOSSO DE CADA DIA
Meus caros amigos leitores, nós humanos, e até os desumanos, estamos todos metidos numa tremenda encrenca. E o pior é que não sabemos como sair dessa arapuca em que nos metemos.
Estou a falar-vos do lixo que produzimos diariamente, e que precisa ser jogado em algum lixão distante. Mas, esse distante está tornando-se cada dia mais próximo de nós, aproximando-se perigosamente do portão da nossa casa.
A nossa sociedade consumista, e lamentavelmente perdulária, é uma peça indispensável dentro da engrenagem capitalista de crescimento ilimitado em busca de lucros cada vez maiores.
A equação “produção+consumo=lucro” só vem dando certo por contar com uma cumplicidade altamente irresponsável de governantes e governados.
Os governantes comemoram o aumento do PIB, os governados, a maior oferta de empregos. Esquecem, ou fingem esquecer, esses personagens da história, dos estragos provocados pelo lixo industrial e doméstico que se produz, para que esses arremedos de progresso possam ser atingidos.
As indústrias precisam produzir sempre mais, em larga escala, para se tornarem economicamente viáveis. Essa larga escala é a responsável pela necessidade de um consumo em eterno crescimento, de modo que os novos produtos sejam rapidamente absorvidos pelo mercado.
As empresas produtoras se valem das engenhosas técnicas de marketing de agências de publicidade para convencer a sociedade a trocar seus aparelhos usados por produtos mais modernos. Aparelhos “semi-novos” são considerados velhos e imprestáveis, e viram lixo. O lixo é despejado no lixo, e ninguém se dá conta de que o espaço destinado ao lixo vai roubando os espaços destinados a jardins, praças, escolas, centros de lazer, postos de saúde e, por fim, residências. 

De repente, as pessoas começam a perceber que o lixão é seu vizinho, que as moscas começam a visitar suas casas e os ratos a circularem livremente por suas calçadas. A saída parece ser reclamar, protestar e ficar furioso com o descaso dos serviços públicos, incapazes de manter o lixo distante de suas vidas.
Os governantes têm suas culpas, e elas são muitas, mas não são maiores do que as dos governados, que se deixam atrair pelas propagandas e trocam seus aparelhos em perfeito funcionamento por novidades, movidos por um misto de ostentação e poder. Os supermercados oferecem alimentos industrializados com embalagens atraentes, que logo serão jogadas no lixo. As butiques têm roupas e sapatos da moda, que irão substituir os da outra estação, que dentro em breve irão para o lixo.
Os governantes estimulam esses hábitos consumistas, promovendo facilidades no crédito e redução de impostos. A sociedade impelida pela vaidade se deixa convencer que é mais econômico trocar o “velho” pelo novo, descartando-se com extrema facilidade do seu patrimônio e saindo atrás das novidades propaladas pelos meios de comunicação.
As empresas alimentícias promovem seus lançamentos com vitaminas e agregados nutritivos que, pensando bem, nossos corpos não precisam consumir. O lixo se avoluma, e o povo cobra a presença do lixeiro, acreditando que jogando o lixo no lixo o seu problema foi resolvido.
As despesas crescem com tantas compras absolutamente inúteis. Mas, a verdade, meus leitores, é que eu não estou nem um pouco preocupado com as finanças dessa sociedade perdulária, afinal cada qual tem o direito de gastar quanto quiser.
A minha verdadeira preocupação é com esse lixo que é descartado e despejado a céu aberto sem nenhum constrangimento da parte dos governantes e sem a menor noção, por parte dos governados, do risco que estão correndo.
A famigerada teoria do crescimento ilimitado e a qualquer custo ambiental vem exaurindo as reservas energéticas do planeta e poluindo seus ares, rios e mares. Os centros urbanos tomados por um trânsito infernal, os locais de trabalho aquecidos e refrigerados pela energia de suas máquinas e as residências abastecidas por produtos nocivos à saúde formam esse espectro assustador da vida moderna.
A sociedade ainda não percebeu que o aparente crescimento econômico, fomentador de todo o seu conforto, tem um limite e, a cada dia que passa, o prazo vai esgotando-se e pondo em risco o futuro da humanidade.
As grandes cidades do mundo já não sabem o que fazer com o lixo produzido, e tentam transferi-lo para cidades vizinhas e de menor porte, mediante recompensas financeiras.
A questão não pode ser tratada como uma transação financeira, por se tratar de um negócio em que não há lucros, não há compensações e nem mesmo um produto de consumo. Aceitar o lixo de uma cidade rica não é um bom negócio. Produzi-lo também não.
O mundo chegou num estágio tal de produção de lixo que não há um único lugar seguro para despejá-lo. Imaginar um lugar distante para jogar o lixo é utopia, pois os locais distantes já não existem mais. Tudo ficou mais perto, junto um do outro. Longe já não existe mais.
As máquinas das fábricas não podem parar. Os lucros não devem cessar. O consumo precisa aumentar.
E o lixo, o que fazer com o lixo?
Há não muito tempo atrás, as campanhas de educação ambiental ensinavam que se devia jogar o lixo no lixo. Hoje, porém, isto não é suficiente. Não basta jogar o lixo no lixo, é preciso saber-se para onde vai o nosso lixo, o que será feito dele, o quanto se pode vir a reciclá-lo, o quanto se poderá reduzir a sua produção. E isso já não é mais um problema só do “governo”, mas de todos nós. E o seu lixo, meu leitor, onde é despejado?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TEIA AMBIENTAL - A POLUIÇÃO OU A VIDA?



Meus queridos leitores:
A Teia Ambiental se faz presente neste espaço em todo dia 7 de cada mês. E, como hoje é dia 7, vamos tratar de mais um tema ambiental muito controverso, a poluição nas grandes cidades.  
Os habitantes dos grandes centros urbanos, especialmente das capitais, exigem dos governantes, bem mais do que os que moram nas pequenas cidades do interior. Eles alegam que pagam impostos caros, e cobram cidades progressistas, com os mais modernos recursos ao alcance da população.
O resultado dessas ambiciosas sociedades não poderia ser diferente do que ocorre em quase todos os países, ricos ou pobres – poluição urbana. O excesso de carros nas ruas, as chaminés de fábricas despejando muita fumaça no ar e a elevada concentração de pessoas em áreas centrais dificultando a dissipação do calor são os ingredientes suficientes para transtornar a vida das populações.
O brasileiro lembra logo de Rio e São Paulo, ou talvez Nova Iorque e Tóquio, mas outros países enfrentam situações ainda piores como China e Irã. Em janeiro, Pequim foi notícia com uma poluição assustadora, que levou as autoridades a recomendar que a população permanecesse em casa. Agora, mais recentemente, foi de Teerã, capital do Irã, que veio a informação tardia que, em dezembro, a cidade ficou encoberta por uma fumaça escura durante 10 dias.
O Ministério da Saúde do Irã noticiou que cerca de 4.000 pessoas morreram nos últimos nove meses, em decorrência da poluição. As pessoas só andam nas ruas de máscaras, e os hospitais, no auge das crises, ficam lotados de idosos, crianças e grávidas.
Caminhar pelas ruas de Teerã sem máscara é algo impensável, devido à presença no ar de elevada quantidade de partículas de elementos poluentes contendo chumbo, benzeno e dióxido de enxofre.   
Abarrotada de carros e cercada de fábricas e usinas, a capital do Irã é reconhecida por sua poluição insuportável, principalmente no inverno. Esta situação vem se agravando a cada ano, a ponto de se observar, durante todo o ano, somente 100 dias de um clima saudável.
Com isso, aumenta a incidência de doenças do pulmão e do coração, assim como diversos tipos de câncer relacionados com a poluição. Órgãos públicos, escolas e bancos ficaram fechados, recentemente, por 5 dias, numa tentativa de reduzir o alto índice de poluição.
Trafegam por ano nas ruas de Teerã cerca de cinco milhões e meio de veículos, despejando cinco milhões de toneladas de gás carbônico e outros gases na atmosfera. Especialistas alegam que o combustível utilizado no Irã é de baixa qualidade, o que agrava a poluição.
A população de Teerã, de 14 milhões de pessoas, como acontece no mundo inteiro, logo se esquece de toda essa desgraça, quando a chuva e o vento dissipam a fumaça por uns tempos, até que a névoa marrom volta a ocupar o céu da cidade.
Não se iludam os meus caros leitores, o problema não é localizado em Teerã, mas se repete em todos os grandes centros urbanos. A diferença é que em algumas cidades, como também costuma ocorrer em Pequim, essa situação é bem mais grave.
Agora, vamos falar das verdadeiras causas dessas desgraças ambientais, que nada têm a ver com o clima, mas com a maldita ganância que prevalece no mundo inteiro. O povo quer mais progresso, exige tecnologia de ponta, as fábricas precisam produzir mais e gerar mais empregos, os automóveis dão status, e todos querem ter o último modelo.
A consequência de todas essas buscas por um progresso a qualquer preço é uma conta ambiental que não tem mesmo um preço que possa ser pago por nenhum país do mundo. Ou melhor, paga-se o preço da morte de milhares de pessoas que são submetidas a condições ambientais insuportáveis para o organismo humano.
Eu pergunto a ti, meu atento leitor, podemos chamar isto de progresso? A conquista de luxo e riqueza ao custo da saúde e da própria vida da população pode ser computada como meta de progresso?
Que progresso é esse, que adoece e mata quem dele usufrui? Que máquina terrível, o ser humano inventou para garimpar o ouro nos tempos modernos? Loucura!
Quem pode reclamar de poluição e desastres ambientais, culpando os governantes pelas tragédias? Se, é a ambição desmedida da sociedade moderna que cobra do seu governante mais crédito para comprar, da sua indústria mais quantidade produzida para baratear e da natureza mais paciência para não devastar!
A vida está ficando cada dia mais difícil de viver, a saúde, mais afetada para sobreviver, e todos só pensam em riqueza, conforto e consumo. É melhor usar máscara do que reduzir a aceleração econômica. É melhor construir mais hospitais do que reduzir a quantidade de doentes. Assim não dá, é suicídio coletivo.
Escolhe o teu futuro, meu amigo leitor. Eu fico no meu canto, simples e sadio. Entre o ouro e o ar puro, eu faço a opção pela vida. Que cada um faça a sua escolha. E que ela possa dar um pouco de esperança a quem como eu, ainda acredita na humanidade.







segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

TEIA AMBIENTAL - DESARMAR É DESPOLUIR




Meus queridos leitores:
A poluição no planeta está muito pior do que se imaginava. Se as mentes estão poluídas, o resto, então, nem se fala! E o que dizer da violência, a oficial, que alimenta as guerras, e a não oficial, que flui espontaneamente no cotidiano das grandes cidades?
Confesso-vos a minha indignação, muito mais pela hipocrisia do que pela violência humana. Que a raça humana é violenta e agressiva, a história não nos deixa mentir, pois estamos metidos em guerras, desde os primórdios do surgimento da criatura humana.
Aceitemos as guerras ou não, elas existem, e pelo jeito ainda irão perdurar por muito tempo. Mas, que encaremos a realidade com a decência de assumir responsabilidades pelos efeitos que tantas guerras provocam na mente humana.
Como imaginar que um soldado que foi treinado para matar, transportado para ambientes de guerra e induzido a assassinar seus semelhantes, com a alegação de que são inimigos da sua pátria, venha a se comportar de volta à sua pátria? Será que a ingenuidade há de nos fazer crer que ele, tal qual um trabalhador aposentado, deixará a sua ferramenta de trabalho de lado, e passará a defender os ideais de paz?
Os registros de traumas e distúrbios entre os ex-combatentes são provas incontestes dos efeitos dessas guerras como estímulos a atos de violência. Basta consultar a história moderna da sociedade norte-americana para que comprovemos esta nossa afirmativa.
A nação norte-americana não somente promove a guerra nos campos de batalha como as incentiva em suas cidades. A venda de armas não somente é liberada a qualquer um, mas, incentivada como solução às ameaças à paz. Defende-se a paz com o uso da violência, e tudo com o beneplácito das autoridades que apoiam ou se curvam diante do poder da indústria de armas.
O absurdo chega ao ponto da existência de uma Associação Nacional de Rifles, que estimula a compra e o uso de armas para a defesa das famílias, contra as ameaças de ataques a residências. Que tolice, imaginar-se que um desqualificado qualquer, que não preza a sua própria vida, será alvo fácil de um chefe de família ou uma dona de casa, zelosos na defesa de sua prole!
Gostaria de me deter nos casos escabrosos de invasão de escolas e extermínio de crianças, por loucos armados até os dentes, que saem atirando, e quase sempre dão cabo da própria vida.
De repente, a incidência aumentou de tal forma que a sociedade norte-americana tem reagido contra a facilidade de compra de armas, que são vendidas em lojinhas de esquina, com um controle muito semelhante ao das farmácias na venda de remédios de tarja preta. Com uma facilidade adicional, a de não necessitar de receita médica.  
O povo norte-americano, que a bem da verdade é o maior culpado disso tudo, por se beneficiar calado pelas agressões armadas do seu país a outras nações, decidiu protestar contra a matança de suas crianças.
Os autores das tragédias, quando não são soldados vítimas de distúrbios emocionais e mentais, são jovens desiludidos ou chefes de família desempregados. Mas, todos com uma cúmplice comum, a arma de fogo, em suas diversas versões, cada qual mais moderna e destrutiva que a outra.
Depois da última e maior mortandade de crianças, em que 26 pessoas morreram numa escola infantil em Connecticut, surgiram críticas mais fortes contra a proliferação de armas no estado norte-americano. Surgiram os primeiros movimentos propondo a proibição da venda de armas, ou, pelos menos, a criação de restrições ao seu uso.
Qual o que! A Associação Nacional de Rifles não perdeu tempo em rebater as críticas sobre o uso de armas no país, e sugeriu como solução para se evitar novas chacinas, colocar policiais armados em todas as escolas. Ou seja, transformar os ambientes escolares em novos campos de batalha, estimulando o enfrentamento dos tresloucados assassinos por policiais armados, sem imaginar os riscos em se criar uma psicose nacional em que escolas se tornem áreas de segurança nacional.
De acordo com um dos diretores dessa malfadada Associação, a única coisa que impede um homem mau com uma arma é um homem bom com uma arma. Uma declaração dessa ordem só pode vir de um ser inteiramente comprometido com a violência e suas consequências. A indústria bélica dos Estados Unidos possui uma força inimaginável, e patrocina entidades e pessoas para que defendam o incentivo ao uso de armas a todo custo.
Em nosso país, ainda que se pense o contrário, nosso povo não tem a vocação assassina que se verifica na sociedade norte-americana, que tem sangue nas mãos de milhões de inocentes de países do mundo inteiro, para onde enviam seus soldados com o único intento de preservar seu domínio político e econômico.
Uma nação que invade terras alheias e mata seus habitantes, numa falsa premissa de defender a democracia ou a ordem política local, não pode esperar outra atitude dos seus jovens senão o instinto assassino de exterminar a vida de desconhecidos e inocentes.
Será que existe poluição mais danosa à vida da humanidade do que o uso indiscriminado de armas? Será que alguém acredita de verdade que, um homem de bem armado está mais bem protegido, se vier a ser atacado por um assassino sem escrúpulos ou sem o mínimo amor à vida? Será que esses defensores da venda liberada e estimulada de armamentos seriam capazes de enviar seus filhos para as guerras, e se sentiriam orgulhosos de sabê-los mortos pelo inimigo?
Arma é poluição. Portador de arma é um poluidor. Fabricante de arma é um cúmplice dos assassinatos cometidos pelas armas por ele fabricadas. Comerciante de armas é o seu parceiro nos crimes.
Uma sociedade desarmada é uma sociedade limpa e despoluída. Cada arma fabricada é mais lixo que vai para as ruas. Cada bala que atinge e mata alguém incrimina não só o autor do disparo, mas todos que contribuíram para que a arma chegasse às suas mãos.
Houve um tempo em que o policial de Londres não usava armas, somente o cassetete. Naquela época, o bandido ou ladrão, ainda que estivesse armado, não ousava atirar no policial, pois a mera tentativa era o suficiente para condená-lo à pena máxima, como um assassino qualquer.
O mundo não suportou a onda mercantilista que tomou conta da vida na Terra. Nós nos tornamos um mercado, em que tudo e todos têm preço. O dinheiro tornou-se o deus adorado por todos, e para acumulá-lo, tudo passou a ser aceito como normal.
Será que, um dia, perceberemos que a nossa força e o nosso poder estão dentro de nós, e não num coldre ou num arsenal bélico? Será que teremos coragem de proibir o uso de armas pelo povo? Será que seremos capazes de aprender a prevenir para não ter de enfrentar as consequências de nosso descaso com as nossas gerações futuras? Será que países imperialistas como os Estados Unidos de hoje, a Inglaterra e a França de outros tempos, seriam capazes de conquistar a adesão de parceiros pela generosidade e parceria, sem o uso da força?
Um dia, sem dúvida, chegaremos a essa condição privilegiada. Mas, enquanto esse tempo não vem, nós teremos de conviver com a hipocrisia de seres que de humanos têm muito pouco, ou quase nada. São eles os incentivadores da pobreza e da violência, por coletarem seus lucros dos cofres de nações empobrecidas e arrasadas pelas guerras que suas nações patrocinam com fins comerciais.
Pobres daqueles que retiram da violência o seu sustento e da sua família! Um dia, receberão de volta tudo que fizeram questão de fazer aos outros. E tu, meu consciente leitor, o que me dizes dessa poluição pelas armas? Ainda és a favor da sua fabricação e venda? Que tal pensar em desarmar nossos espíritos, para facilitar a despoluição do nosso arsenal de guerra, que começa na mente e termina na arma que mata.
A Teia Ambiental não pode tecer sua trama, sem condenar a violência e o uso de armas para manifestar ódio ou vingança. Confiar nas armas para impor a paz é acreditar que o lixo que descartamos na natureza é compensado pelo conforto que ele nos trouxe.